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Inovação Tecnológica

James M. Dressler

01.01.2015

Inovação Tecnológica

            A cada dia que passa o inesperado se torna rotina, e já não somos surpreendidos por mais nada que aconteça no governo federal. Talvez a única coisa que ainda chame a atenção seja sua a capacidade inesgotável de fazer trapalhadas, incrementada agora pelo mantra “governo novo, idéias novas”. Fica a dúvida se as idéias novas não são tão ruins quanto as idéias antigas, apenas diferentes.

            A última piada pronta é a escolha do comunista Aldo Rabelo para a pasta de Ciência e Tecnologia, que como deputado apresentou um projeto contrário à inovação tecnológica, porque esta geraria desemprego. “É o homem certo para o lugar certo”! Não basta o absurdo de escolher um comunista para esta pasta, quando sabemos que um dos motivos da queda do comunismo nos países do leste europeu foi justamente a incapacidade de tal modelo econômico de não só gerar riqueza, mas também de acompanhar a tecnologia desenvolvida nos países capitalistas. Além disso, escolhe-se um homem com tal passado como deputado, num completo contrassenso, num desafio à lógica.

            O Brasil já sofre hoje as conseqüências de nunca ter levado a sério o investimento em educação, base para a ciência e para o avanço tecnológico. Só se avança em algo quando já se conhece profundamente o que já existe, de forma a poder-se aperfeiçoá-lo ou até mesmo mudá-lo completamente, quebrando paradigmas. Quantos prêmios Nobel já vencemos na área? Nenhum! Aliás, em nenhuma área. Ao contrário, o Brasil desde tempos imemoriais se contenta em apenas ser um exportador de matérias primas e não criar tecnologia alguma. Nem ao menos incentiva o surgimento de empresas na área da tecnologia seriamente. De nada adianta ter um ou outro pólo tecnológico perdido em universidades pelo Brasil, quando a burocracia estatal e a legislação tributária e trabalhista sufocam qualquer empresa nascente na área.

            A impressão que se tem é que não há interesse mesmo, que o que interessa é apenas exportar produtos primários e gerar empregos internos de baixa qualificação, que apenas mantenham o povo empregado até a próxima eleição. Não há estímulo para elevar o patamar tecnológico da indústria brasileira, ao contrário, parece que o bom é rebaixá-lo para que se empregue cada vez mais gente. No curto prazo, tal política pode realmente gerar mais emprego, mas no médio e principalmente longo prazo, será devastador para a economia brasileira. Acabaremos importando cada vez mais produtos tecnológicos, aumentando nossa dependência do mercado externo. Serão empregos qualificados gerados lá fora, enquanto aqui dentro sobrarão apenas cada vez mais empregos de baixa qualificação. Sem falar nos lucros remetidos para fora das empresas estrangeiras que aqui se instalarem para produzir localmente seus produtos. E não se duvide que sem inovação, até os empregos de baixa qualificação passem a diminuir, porque a informatização crescente da indústria no exterior acabará tornando a produção interna mais cara e conseqüentemente inviável produzi-los aqui, desestimulando a produção nacional.

            O Brasil precisa se ligar no futuro. Estamos cada vez mais parecendo aqueles carros do fim do grid da Fórmula 1: até andam para frente, mas tão lentamente, que tomam volta dos primeiros colocados e até dos intermediários, e a sensação geral é que estão parados ou que melhor seria se fossem retirados da pista para não atrapalhar. Acorda, Brasil!


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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