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Três Horas

James M. Dressler

08.01.2015

Três Horas

            Estava relembrando a década de 90, lá por 1993 quando comprei meu primeiro modem para ter uma conexão com a Internet. Áureos tempos, incrível pensar que fazem apenas 20 anos daquela época pré-histórica da rede e observar o quanto evoluímos em apenas duas décadas.

Que eu lembre, aquele primeiro modem tinha a incrível velocidade 1440 bps, ainda não existia a WWW (World Wide Web), e lembro quando eu usava os velhos servidores de FTP para baixar arquivos mp3, que aliás ninguém sabia o que era na época. Depois, popularizaram-se os primeiros BBS (Bulletin Board System) para acessar informações e trocar idéias com outros internautas. Não haviam imagens, era praticamente tudo texto, realmente algo primitivo.

Logo em seguida popularizou-se o Gopher, uma espécie de pré-WWW, que já se parecia mais com o que temos hoje. Gopher é na realidade um protocolo com funcionalidades diferentes do HTTP (Hypertext Transfer Protocol), no qual se baseia praticamente toda a interface da Internet de hoje. Mas os servidores gopher eram ainda algo muito limitado, se compararmos com a interatividade e funcionalidades que temos nos sites HTTP de hoje.

Neste meio tempo, acabei fazendo um upgrade para um modem de 9.600 bps, depois para um de 28.800 bps, 36.000 bps e finalmente um de 56.000 bps, que acho que foi o último modem de linha discada que usei, lá pelo ano de 2000 ou 2001. Lembro que já com a WWW como conhecemos hoje, com imagens, texto e som, era absolutamente impossível acessar de forma produtiva um site durante o dia. Nas horas de pico, simplesmente não se conseguia abrir qualquer página da Internet de tão lento que aquele acesso era, de tão congestionada que a infraestrutura de telecomunicações ficava com o tráfego de dados por linhas de voz de telefone.

Com a privatização das teles feitas no final da década de 90, aos poucos começou a ficar acessível ter uma conexão de banda larga em casa, e lembro que a primeira que eu tive era de 512 Kbps.  Imagine, era dez vezes mais rápida que a tal conexão de linha discada! E assim, com o passar do tempo, os preços acabaram caindo, passei para 1 Mbps, 3 Mbps, 5 Mbps, até chegar aos 10 Mbps que tenho hoje, que se não é excelente, ao menos para uma pessoa usando dá bem conta do recado, oferecendo uma boa relação custo-benefício. Downloads rápidos e vídeos no YouTube em HD sem travamentos são confortos que já consideramos como triviais, que fazem parte da vida normal. Acrescente a isso a conexão Wi-Fi, o tablet e o smartphone e temos um arsenal de conectividade com o mundo que era impossível imaginar há 20 anos atrás.

Mas por que estou relembrando esta caminhada da tecnologia da informação nos últimos 20 anos? É que fiquei sabendo de uma pesquisa sobre o acesso à Internet que existe em Cuba hoje, ano da graça de 2015. Além de apenas 25% da população ter algum acesso à rede, o acesso mais comum provê uma conexão em que, para apenas ver um vídeo de alguns minutos no YouTube, precisaria-se de até três horas para que o vídeo começasse a ser exibido, de tão lenta que a conexão é. Equivale a algo como tínhamos por aqui quando usávamos aquele modem de 14.400 bps há 20 anos atrás. Inacreditável, não?

Esta deficiência na infraestrutura de telecomunicações cubana nada tem a ver com qualquer embargo, é apenas porque que Cuba não tem recursos para modernizá-la, mesmo que tenha acesso a todos mercados do mundo, exceto o americano. Agora imagine o prejuízo da população cubana em relação a todos países em que, no mínimo há 10 anos, a Internet passou a fazer parte do dia-a-dia da população. Compare a situação de Cuba com a da Coréia do Sul, onde o acesso doméstico já chega à velocidade de 1 Gbps, e perceba o quanto Cuba está atrasada em matéria de informação e conseqüentemente em educação.

Cuba tem um longo caminho pela frente. Se é que os irmãos Castro deixarão a Internet chegar a toda população, ou se a privação que existe hoje faz parte de suas estratégias de controle de informação e manutenção do regime.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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