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Obsoletos

James M. Dressler

19.02.2015

Obsoletos

            Quem é mais ligado ao mundo da informática já ouviu falar da Lei de Moore. Ele foi um ex-presidente da Intel, a fabricante de processadores e chips, que por volta da metade da década de 60 previu que a cada dois anos (inicialmente ele previra que bastaria um ano) a densidade de um circuito eletrônico dobraria.

            Em outras palavras, a cada dois anos, um chip de mesmo tamanho poderia conter o dobro de transistores que a geração anterior, o que consistentemente vem acontecendo desde então. O avanço da tecnologia também permitiu que a velocidade de processamento também dobrasse de geração em geração, e dada a produção em massa destes dispositivos, o custo das novas gerações mantivesse-se o mesmo das gerações anteriores, permitindo uma escalada de performance e capacidade tecnológica nunca antes percebida na história da Humanidade.

            Por outro lado, do ponto de vista do software, este crescente aumento da capacidade de processamento permitiu a existência de programas cada vez mais complexos e cada vez mais acessíveis a todos, ao ponto de hoje dispormos em nossas mãos, de smartphones capazes de entenderem nossos comandos por voz, rastrearem nossos passos e nos guiarem pelos melhores trajetos até nosso destino, entre outras (muitas) utilidades. Nada como capacidade de processamento disponível para desafiar analistas e programadores e iluminar a criatividade.

            Se olharmos macroscopicamente esta evolução, perceberemos que estamos atingindo o limiar de uma nova era. Até aqui, do início da era do circuito integrado até 2015, vimos os computadores (e aí incluo desde o supercomputador até o smartphone) se aproximando lentamente da capacidade de processamento e inteligência de um ser vivo mais complexo, como um mamífero. Digamos que hoje um computador fosse um milhão de vezes menos capaz, em termos de processamento total, que um cérebro humano. Poderia uma máquina chegar um dia a ser tão inteligente quanto nós?

            Para tentar responder a isso, lembremos-nos da Lei de Moore. A cada dois anos, a capacidade de processamento dobra. Ou seja, considerando que hoje um computador precisaria ser um milhão de vezes mais capaz para equiparar-se ao cérebro humano, seriam necessários vinte ciclos de aumento de capacidade de processamento (2 elevado à potência 20 = 1.048.576) para que um computador fosse comparável ao nosso cérebro. Como cada ciclo leva dois anos, seriam necessários 40 anos para uma máquina chegar lá.

            Mas há um detalhe aí. Existem pesquisas em andamento, já com resultados bastante adiantados e até equipamentos funcionando em laboratórios, que alteram o patamar da tecnologia eletrônica de hoje, como a fotônica e a computação quântica. Estas novas tecnologias permitirão um aumento substancial da capacidade de processamento dos novos computadores, em milhares de vezes de uma tacada só. Então, esta data da superação do homem pela máquina pode estar bem mais próxima do que pode parecer. Diria até que minha estimativa de quarenta anos é tímida.

            Independentemente de se isso acontecerá em vinte, trinta ou quarenta anos, percebam o seguinte: pela Lei de Moore, no dia em que isso acontecer, dois anos depois, um computador terá o DOBRO da capacidade humana, e em apenas VINTE anos, terá MIL vezes mais capacidade do que o cérebro humano. Opa! Isso é assustador, para dizer o mínimo.

            Em algum ponto, acredito que não muito distante neste século, talvez algumas décadas, haverá um sério debate sobre a imposição de limites sobre o que uma máquina poderá ou não ser projetada para fazer. Haverá também uma possível integração de chips diretamente com nosso cérebro, na forma de implantes (e já antevejo alguém reclamando da “exclusão digital” daqueles que ainda não os tiverem). Haverá também seres inteligentes na “nuvem”, sem corpo físico, tão somente consciências que estarão em todos os lugares ao mesmo tempo e fisicamente em nenhum lugar. Se você acha que o buscador Google já está neste caminho, espere para ver o sistema que derrubará o Google daqui alguns anos.

            E quando esta época chegar, haverá outro debate sobre se máquinas poderão ser ou não consideradas humanas, tendo ou não corpo físico.   Finalmente chegará o dia em que as máquinas projetarão a nova geração de inteligência sem qualquer intervenção humana. Será a obsolescência do que hoje entendemos como ser humano.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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