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Saco de Maldades

James M. Dressler

05.03.2015

Saco de Maldades

            Aos poucos vamos percebendo que o saco de maldades preparado pelo ministro Joaquim Levy e outros ministros tem mais truques do que imaginávamos, e cujo peso sobre a economia se fará sentir como nunca em 2015.

            Já havia o problema dos preços represados em 2014 por causa do ano eleitoral, e cuja pressão todos sabíamos que seria insuportável depois do fechamento das urnas no segundo turno. Não deu outra, e a gasolina subiu imediatamente, enquanto o preço do petróleo descia no mundo inteiro. Não há muito que reclamar, já que ninguém reclamou quando o preço estava congelado e o barril de petróleo batia em US$ 100,00 o barril.

            Porém, convém sempre lembrar o pronunciamento da presidenta Dilma em janeiro de 2013 (sobre a redução das tarifas de energia) para ver o quanto as bondades de ontem viraram as maldades de hoje:

“Acabo de assinar o ato que coloca em vigor, a partir de amanhã, uma forte redução na conta de luz de todos os brasileiros...

É a primeira vez que isso ocorre no Brasil, mas não é a primeira vez que o nosso governo toma medidas para baixar o custo, ampliar o investimento, aumentar o emprego e garantir mais crescimento para o país e bem-estar para os brasileiros. Temos baixado juros, reduzido impostos, facilitado o crédito... Ao mesmo tempo, estamos ampliando o investimento na infraestrutura, na educação e na saúde e nos aproximando do dia em que a miséria estará superada no nosso Brasil.

No caso da energia elétrica, as perspectivas são as melhores possíveis. Com essa redução de tarifa, o Brasil, que já é uma potência energética, passa a viver uma situação ainda mais especial no setor elétrico. Somos agora um dos poucos países que está, ao mesmo tempo, baixando o custo da energia e aumentando sua produção elétrica.”

            Vejamos agora o que aconteceu com a energia elétrica após as eleições: a intervenção na marra do governo no mercado de energia resultou em um desequilíbrio que obrigou um aumento em torno de 37% (caso de Porto Alegre) entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015. Basta pegar a fatura de fevereiro e a de dezembro e verificar o preço do kWh (quilowatt-hora) para comprovar. E já se anuncia um novo aumento agora em março, de até 39,5%! Credo! Não bastasse isso, apesar da presidente prometer aumento da produção de energia, o risco de apagão geral nunca foi tão grande! Fica escancarado que estes aumentos todos têm também o intuito de reduzir o consumo para que o apagão não seja inevitável.

            Ainda no mesmo pronunciamento, a presidenta se orgulhava de baixar juros e, ora vejam só, os juros não param de aumentar depois da eleição. E o viés é de mais altas para 2015. O crédito realmente deve estar “facilitado” com juros mais altos, não é mesmo? Está todo mundo comprando, a recessão esperada para 2015 deve ser apenas uma alucinação coletiva.

            E não dá para deixar de notar três passagens marcantes do discurso: primeiro, aumentaríamos o investimento em infraestrutura, e o que vemos são as estradas se deteriorando, só se mantêm em condições aquelas que estão entregues a iniciativa privada, a contragosto do PT. Porém, o próprio partido acabou tendo que privatizar algumas ele mesmo, mas ah! Desculpem, não é privatizar, é “conceder”. Agora sim! Segundo, os investimentos em educação, onde se acumulam os fracassos na melhoria do nível de ensino, com as instituições brasileiras e o ensino como um todo sendo rebaixados na classificação internacional, e na saúde, basta assistirmos aos telejornais para ver o descalabro nos hospitais do SUS diariamente. Finalmente, constatou-se que a miséria recrudesceu em 2014, contrariando o discurso. Imaginem 2015 em plena recessão.

            E para fechar com destaque a inversão de caminho, chegamos à redução de impostos. Pois nesta semana passada, o governo federal, com apenas uma canetada, aumentou de 125% a 150% a alíquota do imposto de desoneração da folha de pagamento, que passou de 1% para 2,5% (150% de alta) e de 2% para 4,5% (125% de alta), dependendo do setor onde a empresa enquadrada atua. O que já era ruim, sempre pode piorar. Fundo do poço tem porão. No Brasil, então...

            E como que para ser a cereja do bolo, dentro da gestão da pasta da Justiça pelo ministro José Eduardo Cardozo, o aparato policial federal agora também é usado contra movimentos sociais do outrora povo pobre, sofrido e trabalhador. Os caminhoneiros que o digam.

            Este 2015 promete. Vamos aguardar para ver o que mais os ministros da presidenta Dilma tirarão do seu saco de maldades.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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