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Estado Perverso

James M. Dressler

01.04.2015

Estado Perverso

            Há muito que ouço dizer que o problema do Estado Brasileiro é que ele nasceu antes da nação brasileira, ou seja, não foi algo construído a partir de uma necessidade da população que aqui vivia e sim uma imposição que veio de fora, de Portugal, do qual o Brasil era colônia e que se sobrepôs ao povo. Acredito que isso realmente tem muito a ver com este verdadeiro impasse que vivemos atualmente: o Estado está aí para se servir do povo e não para servi-lo.

            A ameaça do governo gaúcho de parcelar salários por absoluta falta de meios de efetuar os depósitos à vista apenas escancarou o que realmente quem faz parte da máquina pública pensa, qual a relação que enxergam entre eles e o povo que lhes paga. Obviamente, ninguém gosta de ter o salário atrasado ou parcelado. Mas qual a atitude normal num caso destes? Na iniciativa privada, se o patrão chega para você e diz que não sabe se poderá lhe pagar no mês que vem, você imediatamente começa a pensar em mudar de emprego. É provável que até você seja demitido como medida de corte de custos. E qual a atitude dos ocupantes de cargos públicos gaúchos? Não querem nem saber, que se dê um jeito! É a perversa lógica da estabilidade, o empregado passa a ver não suas qualidades produtivas como seu patrimônio, mas sim o próprio emprego como sua propriedade. E o Estado fica refém desta situação, não tem como pagar, mas também não pode demitir ninguém.

            A outra lógica perversa comum no Estado Brasileiro é a seguinte: precisamos de aumento salarial para podermos prestar um bom serviço à população. Vamos comparar com a iniciativa privada: imagine você há seis meses empregado, ainda naquela fase em que a empresa está conhecendo você, e seu chefe lhe chama e diz que você está indo bem, mas poderia melhorar. Aí, você diz o seguinte: “posso melhorar se me derem um aumento!”. Parece ridículo, não? É que é uma lógica acaciana que em qualquer emprego (exceto no Estado Brasileiro), você primeiro mostra um ótimo desempenho consistentemente para depois pleitear um aumento! E não importa se você é um novato ou um funcionário com mais de dez anos de carreira! Mas vá dizer isso a eles! A lógica é que eles se consideram donos do emprego, ou melhor, daquela parte do Estado representada pelo cargo que ocupam, e lá mandam eles. Servir ao público, que deveria ser o objetivo do Estado Brasileiro acaba sendo, para muitos, apenas o pretexto para a existência do cargo, nada além disso. Com honrosas exceções, servir, mesmo? Se sobrar um tempo a gente vê o que pode fazer, é o que muitos pensam.

            E para corroborar este estado de coisas, deste patrimonialismo desenfreado, vemos aí os recentes escândalos, como o do petrolão, e este nada surpreendente caso de corrupção no CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), onde os conselheiros supostamente estariam recebendo propinas para reduzir débitos e multas de empresas, segundo o que apura a Polícia Federal. Nada mais velho do que a idéia de criar dificuldades para vender facilidades, ou seja, é criada uma legislação tão complexa, com tantos detalhes, com uma burocracia tão grande, que é impossível cumpri-las sem exaurir o contribuinte, de forma que se crie uma demanda pela busca do “facilitador”, o corrupto, que vai vender a “facilidade”. A gente até desconfia que é tudo montado para que isso ocorra.

            Como já dizia Ronald Reagan, “as palavras mais terríveis do idioma são: eu sou do governo e estou aqui para ajudar”.  O homem sabia demais.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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