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Imigração

James M. Dressler

16.09.2015

Imigração

            A crise da imigração na Europa é certamente o assunto internacional do momento, principalmente depois da divulgação da foto do menino sírio morto por afogamento na Turquia. Uma imagem terrível, mas que não seria difícil de imaginar, dadas as notícias de diversas embarcações naufragando na tentativa de atingir o continente europeu. O problema é como lidar com a massa de imigrantes que tenta estabelecer suas novas moradias em países completamente diferentes em todos aspectos de seu país de origem.

            Há algum tempo que se espalham pela Internet imagens e vídeos da “invasão” muçulmana de alguns países europeus, principalmente na França. Um dos mais incríveis é de ruas e calçadas de Paris tomadas de muçulmanos rezando. De tanta gente, é impossível caminhar pela calçada, simplesmente não há espaço. O detalhe é que na França, onde se observa estritamente que o estado seja laico, é simplesmente proibida qualquer manifestação religiosa que não dentro do ambiente apropriado, como uma igreja ou uma mesquita. Então, tal manifestação é terminantemente proibida, ao menos deveria ser, seja qual for a religião. Nas imagens observam-se policiais impassíveis, já que percebem que não teriam como reprimir tal contingente. Um dos vídeos pode ser visto aqui:

            O problema todo de imagens como estas é que se nota, nos países europeus, uma dificuldade de integração dos imigrantes do oriente médio à cultura local. Diferentemente do que acontece no Brasil, onde há uma integração das diversas culturas e pessoas de diversas origens, inclusive do oriente médio, o mesmo não acontece na Europa. Podemos imaginar algumas razões para isso: (1) os imigrantes de hoje são fiéis mais radicais do Islamismo, não aceitando o modo de vida ocidental; (2) os países europeus são mais ricos e educados e, portanto, a desigualdade dos nativos é maior para com os recém chegados, pouco qualificados. Certamente deve haver outros motivos além destes, mas só com um estudo mais profundo e quem sabe uma vivência na Europa poderia revelar. Entretanto, estes dois motivos já podem causar enormes dificuldades, isolando os imigrantes.

            Quanto à recente onda de imigração, alegadamente de pessoas fugindo de guerras civis em seus países, como no caso da Síria, o problema se agrava, por razões de segurança e também pelos que possam se aproveitar da situação. O problema de segurança é óbvio: o Estado Islâmico poderia infiltrar terroristas nas legiões de imigrantes, com a finalidade perpetrar atos de terrorismo em países europeus, o que não chega a ser uma novidade. Quanto a aproveitadores, se estão saindo da Síria ou outro país por causa da guerra, então por que não ficar na Grécia ou Hungria? Não há guerras por lá. Há os que querem seguir adiante para tentar refúgio nos países mais ricos, como Suécia, Inglaterra e Alemanha. Se realmente o problema é apenas a guerra civil, acho que não cabe escolher para onde irão, e sim aceitarem o primeiro lugar que lhes oferecer abrigo.

            O Uruguai aceitou refugiados sírios no último ano, mas eles não ficaram satisfeitos, consideram o país caro para viver e os salários baixos, enfim um país onde não há futuro para eles. Nem entro no mérito da questão, mas para quem queria apenas refúgio da guerra civil, é no mínimo precipitado fazer tal constatação depois de tão pouco tempo. Mas o fato é que pretendem deixar o país em busca de uma situação melhor. Quem sabe até voltar para a Síria, onde, segundo eles, a vida era muito melhor antes da guerra.

            A situação da imigração na Europa é bastante complicada. É preciso haver bastante critério em uma triagem para ver os realmente necessitados, ver onde melhor podem ser recolocados, distribuídos da melhor forma possível pelos países europeus mais bem preparados e dispostos a receber imigrantes. Mas também é preciso que quem imigre esteja disposto a abraçar a cultura local e integrar-se ao país que o receberá. Caso contrário, é a receita para um desastre, uma bomba-relógio a explodir nas próximas gerações.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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