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A Lição

James M. Dressler

11.11.2015

A Lição

            Eduardo Cunha continua vivendo seu calvário. Descobertas as contas na Suíça que ele dizia que não tinha, a situação do presidente da Câmara ficou bastante agravada, mesmo que ele venha a dizer que as contas não são dele e sim de empresas controladas por ele. Se será ou não cassado, descobriremos no próximo ano, 2015 já acabou para este assunto.

            Observando o cenário político atual, com as operações Lava-jato e Zelotes e as restrições cada vez maiores ao capital de origem desconhecida em antigos paraísos fiscais como a Suíça, não podemos ser inocentes e pensar que os corruptos de plantão também não ficarão mais espertos. E também que não seguirão os atuais exemplos que estão dando certo para os corruptos. Sim, apesar de tudo, muito dinheiro roubado não será recuperado e as punições serão brandas: alguns anos de cadeia e estarão livres, e os descendentes usufruirão de tudo sem qualquer problema. O aperfeiçoamento dos métodos é natural, já aconteceu no passado, tanto que hoje temos novos modelos de corrupção, não só maiores como inovadores, e justamente porque inovaram, passarão batidos em termos de punição e devolução dos valores roubados.

            Não sei se é impressão minha, mas sempre que vejo proposta ou aprovada uma nova lei anticorrupção, fico com a impressão que ela só surgiu porque já houve um desenvolvimento de um novo método corrupto melhor, mais eficiente e mais seguro que o anterior, que então, apenas para jogar para a torcida e/ou eliminar a competição por recursos pelos corruptos mais primários, acaba sendo alvo de novas leis com punições mais pesadas e gravosas. Será só impressão ou você também não tem esta sensação?

            Percebo também que depois de escândalos anteriores, como o do governo Collor e o mensalão, a lição que ficou para a turma da corrupção era que o melhor seria “esconder” à vista de todos os produtos da corrupção, disfarçá-los das mais variadas formas, como por exemplo: montar-se uma empresa qualquer de serviços variados, de preferência uma “consultoria” genérica, e passar-se nota de algum serviço prestado, de difícil comprovação. Quem sabe até poderiam ser apenas “palestras” para algum interessado na “sabedoria” do palestrante... Ou quem sabe inocentes doações legais para o partido? E voilà, os recursos passariam a ter origem legal, limpinhos e com aquele “branco da janela” (quem não se lembra daquele comercial de sabão em pó que lavava mais branco que os outros?).

            Hoje, com a ação dos procuradores e juízes envolvidos na Lava-jato, talvez este esquema já não tenha mais a eficácia de outrora. Precisa de um substituto. E não tenham dúvida, terá um substituto. Fico pensando se não se tornará legal a corrupção. Explico. Para evitar que haja a corrupção nos moldes que estamos descobrindo, em valores nunca antes imaginados, para a “causa” (e se der, para o próprio bolso, que ninguém é de ferro), quem sabe não se ampliam estratosfericamente os recursos públicos para os partidos, assim não será preciso mais se corromper? Quem sabe não se permite trazer valores guardados no exterior sem ter que dar explicação alguma, para ao menos garantir essa geração de políticos e quem sabe a próxima? Uma janela de 25 anos para uma nova geração de políticos que descubra algum novo meio corrupto de sobreviver, crescer e se multiplicar...

            Fico imaginando se não há novas lições sendo absorvidas pelas mentes criminosas de sempre com o que está acontecendo agora. Certamente estão sempre no mínimo um passo adiante de quem os combate.


Tags: James Dressler, coluna, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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