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Discriminação

James M. Dressler

25.11.2015

Discriminação

Passado uma semana dos atentados terroristas em Paris, voltam com mais força ainda aqueles que acusam os franceses e europeus em geral de discriminarem imigrantes, em particular aqueles muçulmanos do norte da África e do Oriente Médio. Mas será mesmo que existe uma prévia e histórica discriminação com muçulmanos na França, por exemplo?

Acho que a primeira observação que podemos fazer é que a cultura ocidental e a muçulmana são bastante diferentes. A integração dos imigrantes já se torna mais demorada se estes são rígidos quanto a seguir suas tradições culturais e religiosas. O culto religioso sempre foi uma maneira de integrar pessoas, e se já começamos perdendo isso, já perdemos muito. Outros valores, como o tratamento dispensado às mulheres muçulmanas e inclusive suas vestimentas, certamente não ajudam. Uma das maneiras com que o tempo se encarrega de integrar povos é através de casamentos. Não parece lógico que usar uma burca pode complicar a aproximação de uma mulher muçulmana com homens ocidentais? Ou que saber como uma mulher é considerada na cultura islâmica possa criar alguma barreira entre mulheres ocidentais e homens muçulmanos? Certamente não facilita. Nem um pouco.

Outra condenação de franceses que ouço de cientistas políticos e leio em sites, jornais e televisão é que os muçulmanos seriam segregados em zonas periféricas de paris, verdadeiros guetos. Ora, a imigração (em termos de números recentes) é uma coisa recente em termos de história da França, país que existe há mais de mil anos. O que exatamente esperariam os críticos? Que se desapropriasse a Champs-Élysées para alojar imigrantes? Ora, Paris é uma cidade milenar, completamente tomada e cujos imóveis são caros, inacessíveis para imigrantes vindos de países pobres. Naturalmente, como qualquer pobre, inclusive francês, se quiserem um imóvel para comprar ou para alugar, terá que ser na periferia. Se tiver condições financeiras, alguém acredita que quem está vendendo um imóvel numa zona nobre vai se importar de onde saiu o comprador? Claro que não! Lembrando ainda que no caso francês, certamente há ajuda governamental para os imigrantes se estabelecerem. Ninguém espera que o governo gaste o dinheiro dos contribuintes construindo ou alugando apartamentos de luxo para imigrantes, imagino. Ou não?

Por outro lado, qualquer pessoa, de qualquer cultura, procura estar perto de pessoas que tem os mesmos hábitos e gostos culturais, formar grupos. É natural do ser humano. Ora, se você é um imigrante e sabe que há um bairro na cidade onde já há outras pessoas com quem você se identifica de um modo ou de outro, não é o normal ficar próximo delas? Ainda mais que lá é onde você terá condições financeiras de arcar com as despesas? Pensemos um pouco... Não foi exatamente o que aconteceu aqui no Rio Grande do Sul, quando das imigrações italiana e alemã?

A verdade é que o principal problema nesta relação de imigrantes muçulmanos com países ocidentais, é que a integração, se acontecer, levará muito mais tempo do que se imagina, até que os radicalismos se diluam no passar das gerações, porque as culturas são absolutamente diferentes. O mundo moderno ocidental, em que tudo muda num piscar de olhos, ainda não foi capaz de compreender isto. Nem os imigrantes.


Tags: James Dressler, coluna, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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