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Inflação e Deflação

James M. Dressler

16.12.2015

Inflação e Deflação

E depois de muito tentar nos últimos 10 anos, finalmente estamos fazendo ressurgir a inflação que levou o país ao caos nas décadas de 80 e 90, até ser controlada com o Plano Real em 94. Atingimos os dois dígitos, chegando a 10,5% e acelerando. Não dá para dizer que não faltaram avisos à presidenta. Mas para quem acha que alertas são coisa da oposição ou de quem não tem voto, o resultado não poderia ser outro. Inflação, todos conhecemos muito bem. Mas e deflação, o que é?

A inflação é o aumento dos preços na economia, e a deflação o seu oposto, ou seja, os preços caem consistentemente. Mas você certamente não vai conseguir lembrar-se de uma manchete do tipo “deflação no ano foi de 2%”. E por que é tão rara a deflação que praticamente ela inexiste na prática? Para entender isso, você tem que entender o papel de uma entidade chamada Banco Central. É ele que controla (ou tenta controlar) a economia para que produza inflação ou deflação.

Tecnicamente, diz-se que bancos centrais controlam o poder de compra da moeda, e podem adotar políticas econômicas que induzam tanto inflação ou deflação, mas eles têm certa ojeriza com esta última. O motivo é simples. Quando há deflação, os preços caem e a moeda se valoriza. Se você é consumidor, sabendo que o dinheiro que você tem no bolso vale cada vez mais, porque ir comprar um bem ou serviço hoje, se você pode fazer isso pagando menos na semana que vem? É essa retração no consumo e suas consequências para a economia que apavora os bancos centrais do mundo todo, e por isso as políticas que adotam fazem de tudo para evitar que haja deflação.

O outro lado da moeda, a inflação, é bem vista pelos bancos centrais, porque produz o efeito oposto. Se você sabe que seu dinheiro está perdendo valor, você tem certo incentivo para não postergar gastá-lo. O problema para um banco central é acertar nas doses de política econômica para manter a inflação sobre controle. Normalmente a inflação desejada ronda em torno de 2%. Cenários em que se toleram valores maiores, como 5% ou 6%, podem facilmente sair do controle, ainda mais em países com histórico de períodos recentes de hiperinflação. Caso aconteça uma disparada, para retomar o controle pode levar tempo e custar caro à economia.

Um banco central tem certas armas para fazer este controle, e dentre as principais estão a definição da taxa de juros, emissão de moeda, venda de papéis do Tesouro e controle dos depósitos compulsórios dos bancos. A definição da taxa de juros regula o custo de empréstimos, reduzindo ou aumentando o consumo, o que induzirá deflação ou inflação. A emissão de moeda desvaloriza-a (causa inflação) se não houver contrapartida equivalente na riqueza gerada no país. O banco central também pode retirar moeda de circulação vendendo papéis do Tesouro ou aumentando o depósito compulsório dos bancos (o que reduz a multiplicação da moeda no mercado).  Adotando tais políticas, um banco central tenta manter a economia sob controle, de preferência com uma inflação baixa.

Tudo muito bonito, mas este mundo esta prestes a mudar. A moeda em papel talvez não tenha muito futuro, e daqui a algumas décadas, só existirá a moeda virtual, impedindo você de manter o dinheiro em casa se quiser. Ele só existirá no banco. No dia em que isso acontecer, um banco central será capaz de impor taxas de juros negativas, ou seja, se você deixar o dinheiro no banco e não gastá-lo, você pagará ao banco e os valores em sua conta obviamente diminuirão. E você não terá como retirá-lo de lá e guardar em casa. Ele só existe no banco, lembra? Um banco central então poderá praticamente obrigá-lo a gastar dinheiro se ele quiser.

No dia em que isso for possível, o “jogo” nunca mais será o mesmo.


Tags: James Dressler, coluna, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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