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Esperteza x Inteligência

James M. Dressler

18.01.2016

Esperteza x Inteligência

Não é de hoje que estas duas características humanas são confundidas, nem acredito que um dia seja perfeitamente entendida a diferença entre uma e coisa e outra, mas pretendo dar a minha visão de como são características distintas, de como eu (particularmente) distingo uma da outra.

A esperteza, para mim, é a rapidez em ter uma resposta ou uma pronta reação a uma situação inusitada, visando contorná-la. Parece com inteligência, certo? Parece, mas não é. A esperteza está mais para um estágio ou mais estágios do que chamo de “comportamento inteligente”, mais precisamente a aquisição de dados e a resposta ao que os dados representam. Alguém pode ser muito rápido em fazer as duas coisas, mas isso não o transforma em uma pessoa inteligente. Pode conduzir, ao contrário, aquela máxima de “encontrar rapidamente soluções fáceis, simples e erradas para problemas complexos”.

A inteligência, ao contrário, tem uma rapidez relativa ao tamanho do problema que se pretende resolver. Necessariamente tem o estágio de entendê-lo, mas depois pensar profundamente sobre ele, analisando as diversas alternativas, possíveis resultados das soluções imaginadas e possíveis efeitos colaterais, pesar os prós e contras de cada possível opção. E só então, escolhida a melhor solução dentre as imaginadas, passar para a fase de apresentação/execução desta.

Para fazer um paralelo com algo que todos têm alguma experiência, imagine um jogo de xadrez. O esperto seria aquele que assim que o oponente faz uma jogada, percebe rapidamente a primeira alternativa possível de movimento e a executa num piscar de olhos. No movimento seguinte, leva um xeque-mate. O inteligente, ao contrário, ao ver o movimento do adversário, primeiro tenta imaginar o que ele pretende com aquilo, se há uma estratégia em andamento. A seguir, analisa quais são suas possibilidades, que jogadas poderia fazer e o que o oponente faria a seguir, qual seria então sua provável resposta, e assim subsequentemente, talvez três, quatro movimentos à frente. E o oponente é que acaba sem saída e perde o jogo mais adiante. Perceberam a diferença?

Fazendo um paralelo com a política, vejo seguidamente dizer que “fulano é um político muito inteligente, um animal político”. Mas aí você olha as soluções que ele apresenta quando no poder, apesar de eventualmente algum sucesso inicial, elas resultam invariavelmente em desastres no médio e longo prazos, inclusive para aqueles que ele supostamente pretenderia beneficiar. Traçando um paralelo com o jogo de xadrez, ele representa, provavelmente, o esperto que encontra rapidamente soluções fáceis e erradas porque não é inteligente, é incapaz de perceber o que acontecerá mais adiante se adotada tal política. O desastre é o produto que ele entrega, na grande maioria das vezes. Mas será só um esperto, mesmo?

Talvez ele realmente seja só um esperto pouco inteligente, porém pode ser também que seja um inteligente que não se importa em arruinar o futuro do país em troca de manter o poder no presente, pois depois ele sempre poderá encontrar alguém em quem botar a culpa pelos fracassos, o que é, aliás, outra esperteza. E por que um político assim acaba tendo sucesso? Infelizmente, a maioria das pessoas não tem inteligência suficiente para perceber por si mesmas que estão sendo enganadas, elas precisam de uma educação que as ensine quais são as soluções mais corretas para uma série de problemas, de forma a detectarem e se prevenirem contra os espertos que abundam, principalmente na política.

E aí você entende porque muitos governos não tem o menor interesse em realmente educar o povo e até louvam a ignorância, como se virtude fosse.


Tags: James Dressler, coluna, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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