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James M. Dressler

09.03.2016

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Já diz o ditado que uma imagem vale mais que mil palavras. Uma imagem tem o poder de construir ou destruir a reputação de alguém, de sintetizar tudo em um único momento congelado no tempo.

Nesta sexta-feira passada, o que parecia incrível aconteceu. O ex-presidente Lula foi obrigado a depor sobre os fatos arrolados nas investigações da Operação Lava Jato, já que vinha recorrendo a toda sorte de subterfúgios para evitar ter que explicar os fatos que o envolvem em relação ao sítio e ao tríplex que não eram dele. A prisão não foi decretada, apenas a condução coercitiva.

O comando da Operação Lava Jato se manifestou dizendo que os fatos eram inexplicáveis, de que haveria sérios indícios de que apesar de tais imóveis não serem legalmente dele, o que lá se desenrolava, sejam em benfeitorias, seja pelo usufruto, não tinham uma explicação lógica, e que era isso que queriam investigar e esclarecer com o depoimento do ex-presidente.

A resposta veio algumas horas depois. Terminado o depoimento, o ex-presidente resolveu contra-atacar. Fez um pronunciamento em que mais uma vez acusou as “elites” de preconceito, de que um operário, mesmo ex-presidente, não tem o direito de descansar num sítio, nem de ter um apartamento bacana. Pessoalmente, acho que pode e deve, se tiver ganhado dinheiro suficiente para isso. Se ganhou, não sei então porque não está tudo no nome dele. Teria evitado muita confusão, não é mesmo?

Infelizmente para o ex-presidente, os problemas que ele terá que explicar vão muito além da simples posse ou não destes imóveis. Os procuradores também querem saber das relações entre o Instituto Lula e a LILS, empresa de palestras do ex-presidente, e uma suposta confusão operacional entre a primeira, isenta de impostos, e a segunda, uma empresa normal optante pelo lucro presumido não isenta, e as transações entre uma e outra. Também terá que explicar as palestras que ele supostamente deu, para quem foram, e como e onde foram pagas. Ao menos já sabemos, através do próprio ex-presidente, que ele é o palestrante mais bem pago do mundo, pelos supostos milagres que fez quando era presidente. Não sei se inclui ter elegido um sucessor sem experiência prévia em cargos eletivos e em administração pública, que nos entregou a pior recessão da história em cem anos. Certamente deve ter muita gente querendo ouvir sobre isso para saber o que não deve ser feito.

Quanto às questões sem resposta dos procuradores, acredito que o ex-presidente ainda não tem devidamente arroladas as explicações para todas elas, mas ele já tem uma estratégia de enfrentamento, quem sabe para ganhar tempo enquanto procura as respostas para as perguntas dos procuradores: reacender a velha luta de classes, do “nós” contra “eles”, onde ele está entre os mocinhos, e os que querem as respostas e desconfiam de que ele não as tenha, estão entre os bandidos. Não seria mais fácil explicar tudo?

Aí eu me lembro do que o ex-presidente dizia antes de ter assumido em 2002: que no Congresso havia centenas de picaretas, e que os partidos que estavam no poder eram todos corruptos, tinham contas no exterior e que seus políticos enriqueciam com as propinas que cobravam. E que o PT vinha para botar a casa em ordem. Alguns anos depois, com o estouro do mensalão, o PT já tinha mudado um pouco o discurso, para o “sou, mas quem não é?”. Ouvindo a manifestação de sexta do ex-presidente, fiquei com a impressão de que a reclamação subliminar era algo do tipo “mas e os outros, porque só eu sou perseguido?”. Mas talvez seja só impressão. Por outro lado, onde quer que a polícia encontre indícios de crimes, me parece óbvio que seja sua obrigação perseguir na busca de suspeitos de tê-los cometidos, para esclarecê-los.

O fato é que de uma coisa o ex-presidente escapou. O juiz Sérgio Moro recomendou firmemente à Polícia Federal que não deixasse oportunidades para que imagens de Lula sendo conduzido fossem feitas, e de que algemas também não fossem usadas. Outros não tiveram esta sorte. Moro sabe que a imagem... Bem, a gente sabe a força de uma imagem. Quem sabe mais adiante, com o desenrolar das investigações, acabe acontecendo? Aguardemos.


Tags: James Dressler, coluna, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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