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As Razões do Fracasso

James M. Dressler

16.03.2016

As Razões do Fracasso

A máxima socialista diz que "de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades". Onde quer que o socialismo tenha sido implantado, acabou fracassando. O que está por trás desta frase que torna o socialismo impossível de funcionar como sistema?

O primeiro problema desta frase é que alguém dentro do sistema teria que definir quem seria capaz para fazer o que, quem teria direito a usufruir o que fosse produzido, e em que quantidades. Teríamos que ter um planejamento absolutamente competente para planificar a distribuição de tarefas, produtos e oferta de serviços e sob que critérios. Como definir as capacidades? Alguém pode até acreditar ser capaz de fazer alguma coisa, mas na realidade não o ser. E outros poderiam sê-lo, mas nem ter conhecimento disto. O socialismo sempre se caracterizou por tentar planificar a vida das pessoas da infância até a idade adulta, como se isso fosse possível Extremamente complicado, e o mais provável é que tenhamos pessoas frustradas fazendo algo de que não gostam, além de muitos talentos desperdiçados.

O segundo problema dessa frase é que presume que todo homem seja generoso e altruísta ao ponto de entregar o que produz sem receber de acordo com sua produção. Na verdade, o ser humano é extremamente complexo e cada um tem características muitas vezes diversas de outros. Todos têm algum grau de generosidade, moldado por anos de evolução. Intuitivamente, sabemos que o que era um excedente até momentos atrás pode ser um escasso artigo de primeira necessidade dentro de poucas horas. Uma generosidade desmedida colocará até a própria sobrevivência em risco, se não houver uma reserva mínima para alguma emergência. Generosidade extrema não combina com sobrevivência, e isso está gravado no nosso DNA.

Por outro lado, trabalhar e produzir alguma coisa, mas entregar alguma parte (ou até tudo) dela, de acordo com a decisão de um terceiro, é algo completamente contraintuitivo. Desconecta o trabalho feito com o resultado obtido, provavelmente levando à perda de produtividade ao longo do tempo. O trabalhador não vê relação direta entre o esforço feito e o resultado obtido, o que é essencial para manter a motivação e engajamento necessários para qualquer sistema ter sucesso.

Não bastasse isso, há um terceiro problema: o Estado teria também que decidir, dentro de seu planejamento central, o que seria produzido e em que quantidades. Como saber quais as necessidades de cada ser humano vivendo sob o sistema? Como adivinhar suas necessidades e em que momento elas ocorreriam? Impossível. Resta então apenas simplificar ao nível mais básico possível, definir uma cesta de produtos e serviços básicos e proibir a produção de produtos ou prestação de serviços fora dela. Afinal, se algo é produzido fora da cesta, não está obedecendo à planificação central, certo? E quem teria direito a mais ou a menos de algum produto ou serviço? Sob que critério? Da mesma forma, se constata que não é possível tal planificação, e resta então definir uma lista (ou caderneta, como em Cuba) de produtos e serviços a que cada um tem direito e nada mais.

Depois de alguns poucos parágrafos, fica claro que sem a existência de um mercado, em que as pessoas oferecem seus produtos ou serviços em troca de outros, num mecanismo de trocas livres, de acordo com os interesses de cada um, é impossível de saber o que, como, onde e quando produzir. A alternativa socialista é a implantação de um sistema opressor das liberdades individuais, que ao longo do tempo levará à completa estagnação e até retrocessos econômicos e tecnológicos. A URSS foi um bom exemplo deste processo.

Portanto, não é à toa que onde quer que tenha sido implantado, o socialismo tenha fracassado. Por melhores que sejam as intenções, a planificação socialista não consegue competir com o dinamismo do mercado, desperdiçando características humanas que poderiam ser muitos úteis à coletividade, como a iniciativa, a ambição e o empreendedorismo. Pior ainda, precisa oprimir os cidadãos que vivem sob o sistema.

A realidade é que cada ser humano é único, dinâmico e com interesses os mais diversos, e precisamos então de um sistema que se adapte as nossas características e nos permita progredir e explorar nossos potenciais, e não o contrário, um sistema em que sejamos subjugados e limitados, desperdiçando esta diversidade que nos faz mais humanos.


Tags: James Dressler, coluna, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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