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O Duplo Padrão Moral

James M. Dressler

23.03.2016

O Duplo Padrão Moral

Nos dois últimos anos temos assistido à exposição completa da corrupção orgânica de alguns partidos políticos, detentores do poder na última década. Apesar de tamanha corrupção, trazida à tona pela Operação Lava Jato, é impressionante que muitas pessoas, que alguns até julgavam inteligentes e honestas intelectualmente, continuem defendendo o indefensável. De que forma é possível que isso continue acontecendo?

O inexplicável tem nome. É o chamado “duplo padrão moral”, muito característico principalmente de partidos de esquerda. Por quê? Ora, basta ler o decálogo de Lênin. Tal duplo padrão está lá subliminarmente em cada um daqueles mandamentos do mal. No que se caracteriza este duplo padrão moral? Em uma estratégia simples: se alguém de esquerda atua a favor do partido ou da causa, tudo é permitido, é o império do relativismo moral. Agora, se é de direita, tudo o que ele fizer que contrarie o menor interesse da esquerda, deve ser condenado e criminalizado se possível.

As escutas publicadas com autorização do juiz Sérgio Moro, semana passada, desnudam este duplo padrão de forma didática. Ouvimos as maiores barbaridades ditas por importantes (lamentavelmente) figuras da república destes últimos 15 anos. Frases machistas, palavrões, tentativas de influir em investigações, constranger outros poderes, cobrança de favores nada “republicanos”, e por aí vai.

Imagine você, se fosse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fazendo tais referências a mulheres e pobres. Certamente estaríamos com os ouvidos vermelhos de tanto ouvir os gritos raivosos de políticos defensores de direitos humanos e de minorias em todo espaço de mídia disponível em cada canto deste país. Iam querer prendê-lo por discriminação, racismo, violência contra a mulher, etc. Imagine FHC se referindo a outros poderes da República nos mesmos termos ou insinuando as mesmas coisas que ouvimos em tais gravações!

Mas não. Não foi ele e sim Lula. E, ora vejam só, não ouvimos um pio sequer desta legião de defensores de oprimidos contra tais barbaridades, uma palavrinha sequer de recriminação. É como se não tivesse acontecido. Nada. Nadica de nada. É o duplo padrão moral em ação, na sua plenitude. No máximo reclamações sobre terem sido permitidas as gravações e sua divulgação.

Era exatamente o que eu esperava, o silêncio completo. Mas, mesmo depois de tantos anos, descobri que um esquerdopata ainda pode me surpreender. Acredite se quiser, o silêncio não bastou. Segundo alguns iluminados partidários de Lula, quando o líder máximo diz frases machistas, na realidade ele está elogiando as mulheres. Sim senhor! Eram elogios e não agressões às mulheres. Por exemplo, quando ele fala que elas teriam determinada parte do órgão sexual feminino em determinado estado (me recuso a escrever o que ele disse), ele está elogiando, dizendo que seriam “valentes”... Nem vou imaginar qual o paralelo entre receber cinco homens desconhecidos em casa e achar que isso é um presente do céu. O paralelo que eu imagino não é nada bom.

Teremos novos desdobramentos da Operação Lava Jato em 2016, talvez até em 2017, 2018, vá saber. Minha curiosidade fica por conta, não só do que ainda descobriremos de falcatruas do partido ex-arauto de todas as virtudes e de seus “sacros” políticos, mas também pelas ginásticas mentais de políticos de esquerda em geral, a maioria com dobradiça automática na coluna, tentando justificar tais barbaridades, ditas ou praticadas por seus amados líderes.

Haja duplo padrão moral!


Tags: James Dressler, coluna, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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