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A Temer

James M. Dressler

04.05.2016

A Temer

Não, a coluna de hoje não é sobre o atual vice-presidente e possível futuro presidente da república, Michel Temer, ou sua esposa, Marcela Temer, nem sobre algo que eu gostaria de dizer a qualquer um dos dois. Embora passe pelo vice-presidente, é sobre o que temos a temer que aconteça durante os últimos suspiros do governo de Dilma Rousseff.

Notícias vindas de Brasília dão conta de que vários pacotes de bondades estão sendo preparados pelo atual governo, para serem anunciados e postos em práticas já nos primeiros dias do mês de maio. Lembrem-se que a expectativa de saída de Dilma da presidência é para a segunda semana do mesmo mês de maio.

Entre as medidas ventiladas, estariam reajuste do bolsa-família, correção da tabela do imposto de renda para pessoa física, prorrogação do programa “mais médicos” (já efetuada), alterações gerando mais gastos no Plano Safra e no financiamento estudantil (FIES). Todas geram mais despesas para um Estado já com sérias dificuldades fiscais, apresentando déficit nominal há dois anos. E lembrando que Dilma já enviou o orçamento prevendo novo aumento do salário mínimo, que impactará significativamente nos gastos do governo federal, estaduais, municipais e para empresas privadas, num quadro economicamente depressivo, de queda do PIB em mais de 3,8% por dois anos consecutivos.

A pergunta que fica é: se Dilma tinha convicção que estas medidas eram necessárias ou que eram úteis para diminuir a crise porque passamos, porque não as fez antes? Por que fazer agora, ao apagar das luzes? O que fica claro é que certamente não é este o propósito de tais medidas. Vejo Dilma e o PT mirando em três alvos: (1) inviabilizar um ajuste fiscal proposto por Temer, ou torná-lo o mais penoso possível, gerando maior impopularidade para o novo governo; (2) atender reivindicações de suas bases, motivando a militância e gerando uma ampla rejeição a qualquer alteração nestes pacotes por Temer, quiçá incendiando as ruas; (3) acumular capital político para as próximas eleições, onde poderão apresentar Temer e principalmente os partidos que apoiarão o novo governo como “inimigos do trabalhador”, dizendo que só o PT é que está ao lado povo.

Temer já anunciou que não será candidato em 2018, o que considero excelente. Poderá fazer um governo como Itamar Franco fez e que transformou o Brasil, lançando o Plano Real. E o que lhe permitiu fazer o certo foi justamente não ter compromisso com as urnas. Era preciso fazer um ajuste duro, e este ajuste foi o Plano Real. Temer terá a mesma oportunidade que Itamar teve. Terá que desagradar a muitos para fazer o certo. E não ter feito promessas na última eleição como cabeça de chapa, nem ser candidato na próxima, abre-lhe esta perspectiva.

A única diferença para 1992 é que Collor teve a humildade de se retirar e deixar Itamar trabalhar. Não está parecendo que Dilma e o PT farão o mesmo. Eu realmente temo por isto e que, para obterem vantagem, eles afundem o Brasil ainda mais na crise que eles mesmos criaram.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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