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O Peso do Estado

James M. Dressler

29.06.2016

O Peso do Estado

Talvez boa parte da população não tenha se dado conta, até por isso me senti motivado para escrever sobre o assunto. Qual seria a principal lição que deveríamos tirar das descobertas da Operação Lava Jato e da novíssima Operação Custo Brasil?

Para mim, não resta dúvida que seja o fato incontestável que temos um Estado inchado, pesado demais em todas esferas da atuação pública, federal, estadual e municipal, e em todos seus poderes, executivo, judiciário e legislativo. Não bastasse isso, o Estado ainda se mete em atividades empresariais, tipicamente da iniciativa privada, como exploração de petróleo, geração de energia, correios e bancos.

E o que estas operações do Ministério Público e Polícia Federal já nos demonstraram? Que quanto mais o Estado cresce, quanto maior ele é, mais oportunidades existem para pessoas inescrupulosas utilizem-se do Estado e seus tentáculos para desviar dinheiro não só para partidos, mas também para seus próprios bolsos. É 1% aqui, 5% ali, passa batido e o contribuinte paga a conta.

Muito já ouvi falar que o maior câncer da nossa nação é a corrupção, que se não fosse ela, sobrariam verbas para a saúde e a educação. Não tenho dúvidas de que é realmente uma mazela que tem que ser combatida diuturnamente. Mas não é nosso principal problema. É apenas um grande problema que tão somente decorre de outro muito maior: o tamanho do Estado brasileiro.

Num país em que o Estado sequestra 40% de tudo que é produzido pela população, há um espaço infinito para roubar: quanto mais o estado se mete, mais espaço se cria para o roubo, pois o dinheiro está longe do olho de seu legítimo dono: o povo. E não tenham dúvidas: muitos propõe ainda mais intervenção estatal justamente com o propósito de ampliar ainda mais estas oportunidades.

Enquanto não entendermos que o combate efetivo à corrupção passa pela racionalização do Estado, despindo-se de estatais que funcionariam melhor se privatizadas, e pelo foco no que realmente deve ser objeto de ação do estado, que são segurança/justiça, saúde básica e educação, não melhoraremos muito nosso quadro de subdesenvolvimento. Sim, subdesenvolvimento: um país rico como os Estados Unidos tem renda per capita de US$ 55 mil, Alemanha US$ 46 mil, e o Brasil apenas US$ 7 mil. Somos pobres e subdesenvolvidos, esta é a realidade nua e crua. E só sairemos deste quadro quando o Estado deixar de tomar quase metade do que produzimos, para que nós mesmos decidamos em que iremos investir ou aplicar nosso dinheiro, fortalecendo a iniciativa privada, que é quem produz a riqueza de uma nação.

Então, é hora de refletirmos um pouco sobre isso. Da última vez que o fizemos, naquele impeachment de Collor, também apostamos num Estado maior, e enquanto quase todos nós pensávamos que havíamos passado o Brasil a limpo, na realidade, alguns anos depois, estávamos abrindo a porteira para os governos mais corruptos de nossa história assaltarem o país.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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