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A Renúncia

James M. Dressler

13.07.2016

A Renúncia

Finalmente Eduardo Cunha rendeu-se e renunciou à Presidência da Câmara dos Deputados. Depois da avalanche de denúncias, de ter se tornado réu em diversos processos, e de uma justificada e intensa campanha da mídia pela sua cassação, o “malvado favorito” de muitos capitulou.

Mas por que muitos gostam dele e até toleram que tenha cometido os crimes de que é acusado? Alguém já disse que para enfrentar o partido que tomou de assalto o país em 2003 e destruiu a economia e as estatais, seria necessário alguém com as mesmas habilidades “políticas”. Foi nesta onda que Eduardo Cunha surfou na popularidade neste último ano, enquanto travava um jogo com o governo, entre o apoio mútuo e a guerra declarada, numa queda de braço que culminou com a admissão do pedido de impeachment no final de 2015. O governo pagou para ver e perdeu. Tal feito lhe trouxe alguma simpatia, que angariou junto à boa parte da população favorável ao impeachment (e que não é pouca gente), que sem o papel que ele desempenhou, provavelmente jamais teria acontecido.

Além disso, a sobrevida de Eduardo Cunha, depois da descoberta de sua conta trust na Suíça, aconteceu também pelo amplo apoio que ele detinha na Câmara, por ter ajudado dezenas de parlamentares em suas campanhas, em condições não muito claras até agora, coisa que está sendo investigada pela Operação Lava Jato. Finalmente, Eduardo Cunha é profundo conhecedor do regimento interno da Câmara, conhece todos os escaninhos da casa, sabe como usar todos os expedientes que o regimento oferece para quem quer trancar ou retardar qualquer atividade desenvolvida por lá.

Junte-se tudo isso, e chegamos a estes quase seis meses de processo na Comissão de Ética pela sua cassação. Provavelmente em sua última jogada, ele tenha renunciado à presidência para tentar adiar mais um pouco sua cassação, fazendo o processo recomeçar na Comissão de Ética, mas não obteve sucesso. Ainda.

O que não posso deixar de notar é verdadeira fixação de alguns setores da imprensa na perseguição a Eduardo Cunha, enquanto outros políticos, notórios ladrões do dinheiro público, com inúmeros delatores citando seus nomes em falcatruas muito piores e que envolveram somas muito mais vultosas que as atribuídas a Cunha, passam batidos pelo noticiário. Quando são citados, é para dizer que estiveram em algum comício; reproduzem suas falas, como se ainda estivéssemos naqueles velhos tempos, quando ainda enganavam à grande maioria. Perguntar quando serão presos, ou o que fazem soltos? Ah, isso nem pensar. Só falta dizer que são guerreiros do povo brasileiro.

Só me resta pensar que a ideologia fala mais alto, e que derrubar Eduardo Cunha tem mais a ver com vingança do que com justiça. Não querem vê-lo derrubado porque cometeu crimes, e sim porque derrubou a “presidenta afastada”. Estivesse ele do lado dela, estariam defendendo-o. E a gente ainda tem que ouvir deles mesmos que são isentos! Não tem problema ter lado, só não dá para tentar se passar pelo que não se é.

Fico curioso com o que essa turma ocupará seus espaços quando finalmente Eduardo Cunha for cassado. Provavelmente ficarão com saudades quando tinham um Judas para malhar, e não sobrava tempo para falar da destruição da nossa economia e do assalto promovido às estatais nesta última década.

 


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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