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Ainda o Golpe

James M. Dressler

03.08.2016

Ainda o Golpe

E continuam as teses de que há um golpe em andamento no Brasil. Embora ninguém no mundo civilizado reconheça isso, exceto acólitos da esquerda sem qualquer credibilidade e dos políticos partidários e apoiadores da presidenta afastada Dilma, segue a ladainha do golpe por aqueles que temem perder as regalias de que desfrutaram nos últimos 14 anos ou pelos simplesmente fanáticos socialistas.

A primeira tese é de que se as contas de campanha da chapa de Dilma forem rejeitadas, Temer também deve ser destituído de seu cargo, e que se isso não acontecer, é a comprovação do golpe. Ora, quem decidirá isso é TSE, o órgão responsável legalmente por tal decisão. Se a tese é de que há golpe, e ele é parlamentar, como já dito pela presidenta afastada, então já teríamos, na realidade, um golpe judiciário-parlamentar. Temer terá que comprovar que não tem a ver com as supostas falcatruas cometidas na arrecadação de fundos de campanha para permanecer no cargo. E por mim, se não consegui-lo, que saia também. Mas como já citei, quem decide é o TSE, dentro da lei.

A segunda tese para tentar comprovar o golpe, é que o governo de Temer deveria seguir a mesma linha de governo de Dilma, senão estaria praticando um estelionato eleitoral “golpista”. Concordo que seria o ideal em termos de congruência com a plataforma de campanha, mas quando Dilma chamou Levy, o partido da presidente apoiou, embora os movimentos sociais que formam a base do PT não. E os mesmos que dizem que agora é golpe, não diziam o mesmo à época. Lula queria Meirelles (nomeado por Temer) no Ministério da Fazenda e, pior, Dilma mesmo disse que poderia manter Meirelles se fosse absolvida no processo de impeachment. A pergunta que eu faço é: o que fazer quando se vê que as políticas que você propôs na campanha e depois adotou quando assumiu não estão dando certo? Mantê-las e afundar o país?

Esta conversa é apenas uma retórica política de um partido que esteve no governo por 14 anos, desmontando aos poucos o tripé do Plano Real, tendo acelerado o passo com a ascensão de Dilma em 2010.  Colheu os frutos do desastre de suas ações a partir de 2015, quando "estourou a bolha". É insano alguém esperar que em três meses se conserte tamanho estrago causado nas contas públicas. O que temos de índices econômicos ruins, e teremos ainda por algum tempo, talvez um ano, é reflexo das ações do governo de Dilma. Um país do tamanho do Brasil é como um transatlântico, quando o comandante dá ordem para mudar a rota, leva um bom tempo para começar a realmente mudá-la. Qualquer pessoa medianamente inteligente consegue perceber isso. E no "mercado" as pessoas tem esta capacidade de antever que a mudança começou, por isso começamos a ver algum otimismo entre empregados, empregadores e investidores. Mas tudo dependerá da aprovação de algumas reformas propostas pelo governo Temer. Sem elas, esse otimismo se esvairá rapidamente.

E a terceira tese sobre o golpe é o papel do relator do impeachment que, nas palavras dos teóricos do golpe, seria acusador, julgador e quem sabe “executor” da presidenta afastada. Esquecem que a maioria da Câmara dos Deputados já havia analisado o caso e optado pela admissibilidade do impeachment, baseado em extenso relatório do TCU que aponta diversas irregularidades tipificadas como crimes de responsabilidade pela lei. Fazem de conta que não sabem que o Senador Anastasia apenas fará um relatório, que depois será votado pelos membros do Senado, podendo condenar ou absolver Dilma. Ah, sim. O senador seria um “inimigo” de Dilma. Lembro que ele foi eleito pelos seus pares para tal cargo, e seus pares foram eleitos pelo povo democraticamente. O que pode se concluir é que os senadores, de tudo que já foi exposto exaustivamente na Câmara, já tem sua opinião formada sobre a culpa de Dilma, e isso se refletiu na escolha do relator. Aliás, este processo de impeachment precisa de uma revisão: há etapas demais, prolongando um sofrimento para o país que não tem cabimento.

Aliás, sobre inimigos, Dilma parece fazer de tudo para acumulá-los. Só entre a população, chegou a 93% de desaprovação.

Vai ver o suposto golpe é do povo, a legítima fonte do poder. É o que falta os dilmistas dizerem.

 

 


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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