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É Necessário Mudar

James M. Dressler

05.10.2016

É Necessário Mudar

A cada dia que passa fica cada vez mais difícil defender as práticas econômicas, sociais e políticas de países Cuba, Venezuela e Coreia do Norte, talvez os três países ainda comunistas do planeta, se bem que o primeiro não se sabe por quanto tempo ainda resistirá na adoção deste regime. Mas há os que insistam em defender esta ideologia fracassada. Por quê?

As desculpas dadas por aqueles que se dizem socialistas e defensores do comunismo (só comprovando que os dois são basicamente a mesma coisa, apenas que o termo comunismo está mais estigmatizado e então é melhor se esconder atrás de outro nome ainda aceito), é a velha tese de que, onde foi implantado, o sistema foi “desvirtuado”, sempre que as coisas começam a dar errado.

E quando é que isto acontece? Normalmente, quando o dirigismo que o governo socialista impõe a sociedade, suprimindo o mercado (nos casos mais ousados) ou tentando controlá-lo (com incentivos e subsídios a determinados grupos, proibição ou taxação excessiva sobre produtos de outros), acaba por desorganizar a economia. Neste momento, começa a haver falta de produtos (casos mais clássicos) ou eles acabam encarecidos pela inflação galopante causada pelo descontrole fiscal que o socialismo acaba gerando. Outra causa típica são as “políticas sociais” que tais governos adotam, aumentando a taxação sobre as pessoas e distribuindo recursos para as classes mais baixas na forma de bolsas vitalícias, desincentivando o trabalho e a produtividade da população. Alguns anos destas políticas, mesmo em países com uma economia razoável e até mesmo ricos como a Venezuela, podem trazer consequências absolutamente arrasadoras para a economia. Nosso vizinho latino-americano é uma prova cabal disso.

A questão que fica é: por que as pessoas insistem nestas ideias que, há mais de um século já tentadas em vários países, Estados Unidos incluído, jamais deram certo? Onde quer que tenha sido implantado, o comunismo/socialismo só gerou miséria, fome e mortes, muitas mortes! Por que esta insistência?

A minha tese é de que esta adoração pelo socialismo é uma espécie de incapacidade emocional daqueles que não suportam encarar suas próprias dificuldades e fraquezas e corrigi-las, então melhor obrigar todos a serem iguais ao nível do menor divisor comum, para que todos possam ficar confortáveis, não importa se as pessoas, individualmente, desejem isso para si mesmas. Se eventualmente alguma não deseja, será obrigada a isso, para que os demais (os que impõem o socialismo) não se sintam desconfortáveis com a inveja que sentirão de alguém que tente ser algo mais do que medíocre.

É possível observar isso nos socialistas, sempre muito preocupados com o “lucro” (que eles imaginam) deste ou daquele outro, e não com os seus próprios ganhos, ou seja, se o patrão está ganhando muito, se ele ganhasse menos, será que eu também não ganharia menos? Não seria melhor que o lucro aumentasse, e com isso meu salário também? Que com o crescimento da empresa eu cresceria junto e poderia aspirar a um cargo melhor e mais bem remunerado?

Mas esta equação não passa pela cabeça de um socialista, ele normalmente não está interessado em crescer profissionalmente, se isso se trouxer mais responsabilidades, exigências e/ou trabalhos mais difíceis para realizar. Prefere ficar ali, naquele cargo ganhando a mesma coisa de sempre, mas como lidar com a inveja do colega que pensa diferente e segue progredindo? Melhor então aderir ao socialismo, para tornar isto muito difícil, impossível, de forma que, ou o outro seja impedido de progredir, ou se isso não for possível, que todos progridam mesmo sem qualquer esforço ou mérito, através daqueles truques que conhecemos, como promoções por “tempo de serviço”.

O resultado desta visão de mundo é o marasmo social, em todos os sentidos, falta de progresso, de crescimento econômico, de novas oportunidades, tudo acaba ficando meio parado, à espera que o tempo passe. Quando você ouve que um trabalhador nos Estados Unidos tem uma produtividade cinco vezes maior que a de um trabalhador brasileiro, e analisa as práticas que adotamos por aqui, você acaba entendendo como isso acabou acontecendo.

Mudar esse panorama é o nosso maior desafio. Não deste governo. Do Brasil. Não sei se um dia conseguiremos.


Tags: James Dressler, coluna, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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