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A Condenação

James M. Dressler

17.07.2017

A Condenação

E saiu a esperada sentença do juiz Sérgio Moro de condenação do ex-presidente Lula, quanto ao caso do triplex de Guarujá. Não surpreendeu ninguém, nem mesmo aos petistas. O que surpreendeu foram os argumentos de alguns juristas, provavelmente simpáticos ao ex-presidente, que só aceitariam a comprovação de que o triplex seria mesmo de Lula, caso se apresentasse uma escritura do imóvel. No caso do sítio, já podemos antever que a ladainha será a mesma.

Pelo que podemos entender da sentença de Sérgio Moro, a posse efetiva do imóvel só não aconteceu porque a Lava a Jato surgiu e o pessoal envolvido na negociata resolveu por as barbas de molho, não fosse isso, o fato possivelmente teria se consumado. E lembro que não se pode acusar Sérgio Moro de um perseguidor de Lula. Quantas vezes não ouvimos, lá no primeiro ano de Lava a Jato, o próprio Sérgio Moro dizer que “o ex-presidente Lula não está sendo investigado no âmbito da Operação Lava a Jato”. Era uma declaração que me deixava perplexo, por sinal. Via a repetição do mensalão bem na minha frente, onde diante do esquema vergonhoso de compra de apoio parlamentar com mesadas em dinheiro, o chefe do partido onde nada acontece sem que haja sua chancela, passou em branco no rol dos acusados. Ele não tinha nada a ver com aquilo, tinha sido “traído”.

Bom salientar que talvez ele fosse passar em branco também agora na Lava a Jato, não fosse o promotor de São Paulo Cássio Conserino, que ousou acusar Lula de ter recebido o triplex para favorecer a OAS. Foi a partir do trabalho de Conserino que se cristalizou o processo contra Lula, que acabou em Curitiba. Até ali, “o ex-presidente Lula não está sendo investigado no âmbito da Operação Lava a Jato” era quase que um bordão repetido semanalmente em Curitiba pelos responsáveis por conduzir a operação

Resta aguardar agora o desenrolar do processo no TRF 4 em Porto Alegre. Há prognósticos de que Lula seja julgado até agosto de 2018, antes das eleições. Mas juristas especialistas em direito eleitoral já adiantam que mesmo sendo julgado depois da candidatura registrada, mas antes da eleição, se condenado, ele não poderá participar como candidato em 2018.

O que vai acontecer, não dá para adivinhar. Mas como Moro resolveu não decretar a prisão de Lula pelo “trauma” que a prisão de um ex-presidente poderia causar, acho que o TRF 4 poderia, pelo mesmo motivo, priorizar o julgamento de Lula para que acontecesse antes de agosto de 2018, para evitar o trauma (este sim, sem aspas) de termos um presidiário com registro de candidato à Presidência do Brasil, caso Lula seja condenado, obviamente. Seria uma vergonha internacional ímpar.

Mas como estamos no Brasil, as piadas prontas se sucedem numa velocidade incrível. Primeiro ficamos sabendo que há uma reforma política em andamento, o que até seria bom, dependendo do resultado, mas cuja relatoria cabe a um deputado do PT! Do PT! Não bastasse isso, que tem a audácia de propor que candidatos não possam ser presos até oito meses antes das eleições, na medida para blindar Lula e garantir que possa ser candidato à Presidência em 2018, já que seria impossível que o julgamento se desse antes de fevereiro do ano que vem! Não parece piada?

Quando dizem por aí que o Brasil não é um país sério, há quem fique indignado...


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James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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