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Coreia do Norte

James M. Dressler

04.09.2017

Coreia do Norte

Vivemos dias de relativa tensão com as idiossincrasias do ditador norte-coreano Kim Jong-un, que não desiste de provocar seus vizinhos, Japão e Coreia do Sul, com frequentes lançamentos de mísseis na conflagrada área asiática onde os países se situam. Como ele consegue permanecer no poder sem ser derrubado por seu próprio povo ou pelos países contrários às suas ideias bizarras?

O primeiro motivo, interno, é que a ditadura da Coreia do Norte passou do nível de fanatismo político (como foi a União Soviética, que terminou em 1989, e a China de Mao, que foi sendo desmontada aos poucos depois da morte do ditador), para um nível superior, o do fanatismo religioso. Seus líderes não são vistos como pessoas comuns no poder, mas sim como verdadeiros deuses que desceram à Terra, tendo como “deus” principal Kim Jong-un. Inacreditavelmente, há eleições no país, mas adivinhem!, o ditador é sempre eleito com 100% dos votos. O comunismo nunca nos surpreende.

O segundo motivo é uma crença inabalável no próprio país, ajudada por uma propaganda governamental sem precedentes. A verdade é virtual na Coreia do Norte. Ela é aquilo que o governo diz que é, no melhor estilo do “Ministério da Verdade” do clássico “1984”, de George Orwell. Acreditem, os jogos da Copa do Mundo de Futebol em que a Coreia do Norte participou, só eram passados depois de terminado o jogo, se e somente se a equipe não fosse derrotada. Na TV estatal, imagens de filmes de Hollywood em que o Capitólio é destruído são passadas como se fossem reais. E diversas invenções, como a Coca-cola, foram criadas no país, assim como lá foram descobertas a cura da AIDS e do câncer, graças aos brilhantes cientistas norte-coreanos. Entrementes, acreditem, os norte-coreanos não sabem que existe a Internet! Com tanta propaganda a favor assim, e privando o povo de acesso direto à informação, não admira que as pessoas acabem acreditando que vivem num paraíso.

O terceiro motivo é externo, geopolítico. A Coreia do Norte faz fronteiras com a Rússia e China, ao norte, e com a outra Coreia ao Sul. Uma eventual deposição da dinastia norte-coreana e a reunificação das Coreias trariam os Estados Unidos, tradicional aliado da Coreia do Sul, para o quintal das duas potências, que não têm o menor interesse em que isso aconteça. Por isso a reticência dos americanos em tomar medidas mais drásticas contra a Coreia do Norte, além do quarto e o último motivo...

A Coreia do Norte desenvolveu um arsenal nuclear, tendo realizado neste último domingo um teste com uma bomba de hidrogênio, e há o temor que, se atacado, Kim Jong-un ordene uma resposta com mísseis direcionados para o território norte-americano ou para seus aliados mais próximos. Vá saber o que o sujeito é capaz de fazer, então melhor é ir com calma e tentar usar a diplomacia. O fato é que diplomacia não costuma funcionar muito bem contra a loucura. Trump ainda não achou uma maneira de enquadrar o norte-coreano.

Enquanto o problema não se resolve, mercados globais sofrem, o ouro sobe, todo mundo fica preocupado com uma terceira guerra mundial. Seja o que for que aconteça, ou sofremos todos, ou os norte-coreanos permanecerão sofrendo. Não creio que seja possível acabar com o sofrimento de todos de uma vez por todas, infelizmente.

Até quando Estados Unidos, China e Rússia apenas olharão a situação se agravar sem nada de mais objetivo fazerem, vamos descobrir em breve.

 


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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