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Queermuseu

James M. Dressler

18.09.2017

Queermuseu

A exposição promovida pelo Santander Cultural causou o maior reboliço nas redes sociais, na semana que passou. De um lado, o pessoal alinhado com a esquerda e também os liberais (no real sentido do termo), do outro, a direita-conservadora. Alguém tinha razão nesse conflito?

Fui um dos primeiros, entre meus amigos nas redes sociais, a levantar meu protesto contra tal exposição. Aberta a todas as faixas etárias, expondo obras que suscitam assuntos inapropriados para crianças, achei aquilo tudo um absurdo. Até mesmo para adultos, embora os temas ali levantados não sejam desconhecidos para maiores, minha opinião é que havia muitas obras ali de mau gosto, para dizer o mínimo. Mas há gosto para tudo, desde que com a devida classificação e restrição de faixa etária, não veria maiores problemas.

Uma das coisas que me incomoda, e não é pelo fato da temática da exposição ser a que era, é o uso do dinheiro público para financiá-la. Poderia ser uma exposição das obras de Leonardo da Vinci, pouco me importa. Não acho que o dinheiro do contribuinte deva ser usado para algo além de saúde básica, educação até o segundo grau e segurança. Qualquer outra coisa, que vá procurar financiamento em bancos privados, clientes, consumidores, espectadores, o que for, mas com esforço e dinheiro próprio.

Outra coisa que me incomoda é que havia, entre as obras, algumas que poderiam ser enquadradas como infratoras da lei, e não apenas como ofensivas à moral predominante vigente. É possível enquadrar algumas obras da mostra como de estímulo à pedofilia ou de ultraje a culto, como no caso das hóstias com inscrições ofensivas ao Cristianismo. Nestes casos, deixa de ser uma questão de gosto para simples aplicação do Código Penal Brasileiro. Situação para o Ministério Público investigar e se posicionar.

Neste contexto, não faz sentido apresentar obras de séculos atrás, que representam casos (ou estimulam) a pedofilia, zoofilia, etc., como justificativa para a mostra no Santander. A pergunta é: no contexto em que foram criadas tais obras, tais práticas eram crime? Não só estimular o ato em si, mas até praticá-lo? Sabemos que não, que a pedofilia era até algo comum em certas culturas antigas. Então, não cabe a comparação. Evidentemente, evoluímos como civilização e certas práticas hoje já não são mais admitidas. Mas aquelas obras não deixam de ser arte e podem e devem ser exibidas, até para representar um contexto histórico passado. Dependendo da obra, talvez com alguma classificação por faixa etária, tanto quanto sejam mais explícitas as referências a tais atos.

O fato é que as redes sociais acabaram por dar voz a quem antes era silenciado pela mídia tradicional, até hoje controlada completamente pela esquerda, com o excelente “trabalho” que realizaram de doutrinação nos últimos cinquenta anos em todo o ensino superior, principalmente na área de comunicação social. Gramsci explica. Quando antes só se ouviam aplausos, vindos dos velhos jornais, rádios e TV para toda ação de marxismo cultural, eis que hoje temos as redes sociais para fazer o contraponto.

E foi das redes sociais que surgiu um levante, na forma de boicote, contra o Banco Santander. Muita gente (esquerdistas e liberais) ficou indignada, chamando de fascistas os que se posicionaram a favor de boicotar a empresa ou que efetivamente a boicotaram, rasgando cartões ou fechando suas contas correntes. Entretanto, um boicote nada mais é que uma forma legítima de se expressar democraticamente. Quem sofre o boicote não é obrigado a nada, pode ignorá-lo, se quiser, e até organizar um contraboicote, explicando sua posição ou atacando os boicotadores, o que não me parece uma boa ideia neste caso.

Mas o boicote não é uma proibição do que quer que seja, e se o Santander resolveu fechar a exposição, quem tem que dar explicações é a própria instituição, já que parecia ter convicção e aceitação das mensagens lá passadas, enquanto elas não lhe causavam prejuízos financeiros. Imagino que a empresa até esperasse o contrário, passando a imagem de “descolada”. Não sei até onde muitas empresas tem realmente algum interesse em alguma coisa que não seja seu próprio negócio, e acabam abraçando este tipo de manifestação cultural tão somente porque acreditam que fazem parte da cultura dominante e as farão conquistar mais clientes. Quando veem que a coisa não é bem assim, recuam imediatamente pelo mesmo motivo pela qual apoiaram.

Houve censura? Só pode censurar quem tem poder para isso, o Estado, e não são pessoas fechando suas contas num banco que irão censurar o que quer que seja.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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Opinião do internauta

  • Roberto Henry Ebelt (18.09.2017 | 10.32)
    Excelente texto. Não sou expert e arte, mas o que apresentaram pode, muito bem, ser classificado de ART NAÏF de péssima qualidade. Não vejo porquê arte de péssima qualidade (e de mau gosto, em minha opinião) deva ser financiada pelo contribuinte brasileiro.
  • Resposta do Colunista:
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