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Bolsonaro

James M. Dressler

27.11.2017

Bolsonaro

E o que parecia apenas um fenômeno passageiro, uma espécie de candidato sem futuro político, daqueles que uma minoria vota apenas por protesto, “contra tudo que está aí”, vem se tornando algo permanente, com reais chances de vitória no pleito para a Presidência da República em 2018. Bolsonaro tem chances de vencer?

Não tenho grandes simpatias por Bolsonaro. Acho que ele tem todo direito de concorrer, mas tenho minhas dúvidas quanto aos fundamentos dele em relação ao que eu acharia bom para o Brasil. Eu gostaria de um estado mínimo, focado em saúde básica, educação até o ensino médio, e segurança máxima. Não tenho convicção de que Bolsonaro pense assim. Já ouvi dele que seria a favor de privatizações, deste enfoque no tripé saúde/educação/segurança, principalmente a última, mas não sei se estas convicções resistem a estar sentado na cadeira de presidente, tendo uma caneta poderosa para intervir no mercado quando achar que deve.

Vale lembrar que Bolsonaro é um defensor dos governos estatistas da ditadura militar que começou em 1964, e que construíram os alicerces para o desastre que o Brasil virou de lá para cá, com milhares de estatais que servem apenas para distribuir cargos a deputados e senadores em troca de apoio político,  com uma máquina pública gigantesca, cujos funcionários têm privilégios inexistentes para os demais trabalhadores e que custam caríssimo ao erário. Foram eles que também garantiram que tais privilégios fossem irrevogáveis, algo que foi barbaramente confirmado depois pela tal “constituição cidadã” de 1988, que selou o destino do país rumo à quebradeira.

Então, eu tendo a desconfiar do “cristão novo” Bolsonaro, recentemente convertido ao liberalismo econômico, ainda mais sendo ele um militar, alguém que, pela própria natureza, tende a ter o estado como um ente de admiração na vida pessoal. Bolsonaro terá que provar na campanha que realmente está convicto das novas ideias que abraçou, e que será firme como uma rocha diante das tempestades que enfrentará se for eleito. Pressão do funcionalismo, dos amigos do rei, de empresas acostumadas a empréstimos faceiros do BNDES, por exemplo. Na campanha saberemos melhor quem é o Bolsonaro na economia e quanto forte são suas convicções.

Uma crítica recorrente a Bolsonaro é que ele seria uma solução simplista para problemas complexos; uma solução conservadora, atrasada (naquele sentido propalado pela esquerda de que conservador é sinônimo de atrasado). Minha pergunta é se as soluções propostas pela esquerda não são elas ainda mais simplistas, normalmente se atendo às consequências e não as causas dos problemas, buscando resultados “igualitários” quando as pessoas não são iguais, e para isso, se for necessário punir os melhores para igualar os resultados, essa solução é invariavelmente a preferida. O fato é que as pessoas estão cansadas de pagar as contas dos outros, e quem prometer respeitar o mérito e esforço pessoal, acho que já sai em vantagem para boa parte do eleitorado, hoje em dia.

Tem muito tempo até a eleição. Até lá, o negócio é ficar de olho em Bolsonaro. É um fato novo para 2018, assim como pode ser Luciano Huck. Li em algum lugar que o apresentador é alguém que faz até reformas parecerem algo bom. E o Brasil precisa de várias delas. Vamos ver se é para valer sua candidatura, mas isso fica para mais adiante. Pode ser o candidato mais ao centro que falta para completar o quadro eleitoral para o ano que vem.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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