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Que Tiro Foi Esse?

James M. Dressler

22.01.2018

Que Tiro Foi Esse?

Esses dias, eu fui apresentado ao mais novo sucesso do funk brasileiro, “Que Tiro Foi Esse?”. Não é o primeiro funk a fazer sucesso nacional, longe disso, mas há algumas coisas notáveis no avanço do funk dentro do cenário musical brasileiro.

A primeira coisa que noto é que, diferentemente de quando eu estava lá pelos meus 30 anos, a temática do funk é bem diferente do que imperava naquela época entre os jovens, o rock e canções pop com uma estética musical semelhante ao ritmo roqueiro. Da namorada que queríamos ter ou daquela garota que nos deu o fora, os temas daquela época, a temática do funk gira em torno da violência, aquela que cerca os autores das músicas, sejam eles vítimas, como no caso do tráfico de drogas, sejam eles os agentes, como no caso de músicas misóginas, que retratam a mulher como objeto a ser consumido e descartado. Repare que em “Que Tiro Foi Esse?”, por mais que se diga que foi no  sentido figurado, etc., no fundo denota uma intimidade com tiros, não é “Isso Foi Um Tiro?’, e sim uma frase que demonstra que aquele tiro em particular chamou a atenção, em meio a muitos outros. Hoje em dia, virou tiro, porrada e bomba... Não deixa de ser um sinal dos tempos. Eles mudaram para pior. A violência só aumentou de uns 30 anos para cá, resultado das políticas lenientes com bandidos de todos os naipes. Pior é que há quem ache que a leniência deveria ser ainda maior, quando já se sabe que quando a leniência era menor, a criminalidade também era. Como dizia Einstein, “insanidade é continuar fazendo as mesmas coisas e esperar resultados diferentes”. Pior ainda é ver que dá errado e que o oposto funciona em outros países, e continuar insistindo, ainda dizendo que “somos mais avançados”...

A segunda coisa que acredito que leve o funk adiante é o avanço da tecnologia. Não é preciso mais saber tocar um instrumento como uma guitarra para criar músicas, o que demanda certo estudo e alguma habilidade que nem todos têm, além de algum investimento. A tecnologia, seja por hardware ou software, se encarregou de facilitar a criação de música para os ineptos. Claro que já houve compositores no passado que também não sabiam tocar instrumento algum, mas a facilidade multiplicou o número deles. Daí para uma profusão de novos funks no mercado, eventualmente algum com uma frase mais feliz ou que pegue no subconsciente das pessoas, e voilá, temos um novo hit!

E ai de alguém criticar alguma letra repleta de baixarias, ofensas ou que glamurizem situações reprováveis. Você já é rotulado como preconceituoso, para dizer o mínimo. Ora, se você pode fazer um funk que diz coisas desagradáveis, deve estar preparado para ouvir a crítica, que deveria ser livre, na mesma proporção. Como Newton demonstrou, há uma regra universal em que a cada ação, corresponde uma reação oposta de mesma intensidade.

E, para finalizar, a linguagem. Tentei ouvir o funk “Que Tiro Foi Esse?”. Tirando a frase título e algo que parece ser “que foi um arraso”, não consegui entender mais nada. Aquilo é Português? Pode até ser, mas eu não entendo! E eu tentei, mas não deu.

Afinal, que diabo de tiro foi esse?


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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