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Buracos

James M. Dressler

05.03.2018

Buracos

Já há quem chame Porto Alegre de Buracolândia. Não sem razão, a cidade está com suas ruas e avenidas repletas de todo tipo de buracos, dos grandes aos pequenos, dos superficiais aos profundos. Por onde se anda, há buracos.

Essa rotina de desviar dos buracos, conhecê-los em “profundidade”, tornou-se parte da nossa vida pouco antes da chegada de Nelson Marchezan Júnior à prefeitura. O final da gestão passada quanto à conservação de ruas já era sofrível, e piorou depois da troca de prefeito. Não que eu ache Marchezan o culpado, mas até o final da gestão anterior, provavelmente pelas condições econômicas ainda existentes à época, remendos ainda eram feitos, embora cada vez mais esparsamente. E acredito até que com material cada vez mais precário, pois me lembro dos consertos serem bastante efêmeros, na primeira chuva o buraco já começava a reaparecer.

Marchezan assumiu e diz ele ter constatado a situação falimentar da prefeitura, de tal sorte que algum tempo depois começou a parcelar salários tal qual Sartori faz no governo gaúcho. E os buracos foram se avolumando. Cada vez maiores, em maior número, acabaram por revelar o quão precários são os pavimentos das ruas de Porto Alegre.

Não é raro encontrar ruas em que o antigo pavimento de paralelepípedo está aparecendo, porque a capa de asfalto sumiu. E aí você repara como ela era fina! Era uma capa mesmo! Não deveria ter mais que dois centímetros! Mas estes buracos não são os piores, pois são rasos e não causam maiores problemas. Graves mesmo são aqueles onde parece não haver nada embaixo, e aí forma-se uma espécie de “canyon” (só dizendo assim para dar a ideia real de que é um buraco muito profundo), que deus nos livre de enfiar o pneu do carro naquilo! É para destruir o pneu ou até quebrar o eixo. Nem quero imaginar se um motociclista der o azar de fazê-lo, provavelmente sofrerá uma queda muito séria. Existe um buraco assim na Rua Guilherme Schell, bem no meio da pista, a duas quadras da Av. Bento Gonçalves. Sem qualquer sinalização, é um perigo imenso. Acho que já completou um ano de existência.

Outros buracos ainda mais profundos resultam de desabamento de galerias ou alguma canalização subterrânea. E eles também ficam abertos por longos períodos. Um que conheço bem fica na Rua São Luís, esquina com a Av. Princesa Isabel, ao lado de uma pizzaria e junto à calçada, mas dentro da pista de rolamento. Deve ter quase um metro de diâmetro, e é bastante profundo. Chegou a ter uma sinalização da EPTC, mas com o tempo ela foi provavelmente arrastada ou abalroada por algum veículo, e agora não há nada ali sinalizando o perigo. Só não acontece uma tragédia porque muita gente já conhece o distinto e porque fica bem junto à calçada e não no meio da pista, dando alguma margem para um desvio rápido.

O pior é o seguinte: devido às condições financeiras da prefeitura, e o acúmulo de buracos por toda a cidade, acredito que essa situação irá perdurar por um longo tempo. Com a falta de manutenção, os buracos cresceram em tamanho e número, e se antes era difícil recuperar as vias, imagine agora, com o problema multiplicado por números nunca vistos. Será preciso um esforço financeiro muito maior, e com uma prefeitura sem dinheiro, algo me diz que uma recuperação plena não vai acontecer tão cedo.

Recomendo ficar de olhos abertos e com a memória afiada para evitar prejuízos maiores, para não falar de ferimentos graves. Como se não bastasse o perigo todo de ser assaltado a qualquer momento...

O Brasil não é para amadores, definitivamente.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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