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Insegurança Bancária

James M. Dressler

23.04.2018

Insegurança Bancária

Fico imaginando o que seria de nós hoje, caso não tivesse havido a intensa informatização dos bancos nos últimos vinte anos. Nosso sistema bancário é um dos mais bem informatizados do mundo, o que nos trouxe imensas vantagens no acesso ao nosso dinheiro lá guardado, entre elas poupar-nos de ir fisicamente a uma agência, diminuindo a exposição ao risco de violência que as ronda em qualquer canto do Brasil.

Não que os bancos não tenham feito nada pela nossa segurança nas próprias agências. Até fizeram, dentro do possível, apesar de isso ser mais um problema de Estado de que das instituições bancárias em si. A insegurança é geral e não apenas nos bancos, pois prendemos poucos bandidos e por pouco tempo. Quando não respondem em liberdade pelos crimes cometidos, mesmo que reincidentes, os criminosos ou acabam logo indo para o regime semiaberto, de onde saem para não voltar mais, ou fogem do regime fechado mesmo. E, na grande maioria dos casos, estando livres, voltam a cometer os mesmos crimes de antes, pois já encaram o crime como “profissão”, e a prisão como parte do negócio. Os bancos estão apenas inseridos num contexto mais geral da nossa criminalidade sem freios.

Então, apesar das portas giratórias, vidros blindados e seguranças armados, ir à agência bancária é sempre um risco. Se não é alguma forma de roubo de dados nos caixas eletrônicos, seja por algum ladrão disfarçado de cliente ou alguma outra forma de roubo mais sofisticada, é a famosa “saidinha de banco”, onde o cliente é assaltado ou sequestrado logo após deixar a agência. Tão frequente é este tipo de crime que os mais afoitos querem obrigar os bancos a fazer o “policiamento” no entorno das agências. A justificativa é que os bancos lucram muito, logo tem muito dinheiro para fazê-lo. Esquecem que grandes lucros geram muito imposto pago e, portanto, muito dinheiro para ser investido nas polícias. Além disso, seguranças civis não têm poder de polícia. Imagine se um destes seguranças balear um bandido na rua, se um policial já tem sérios problemas ao fazer isso, coitado do segurança! Se houvesse prisão perpétua no Brasil, correria sério risco de pegá-la, mesmo que tivesse alvejado um criminoso praticando um crime em flagrante.

Há também os ingênuos que pretendem que os bancos coloquem seguranças em cada agência para evitar roubos com as explosões de caixas eletrônicos ou os assaltos com sequestros de gerentes e a saída protegida por escudos humanos, que tanto causam pânico na população. O fato é que isso já existiu no passado, o que apenas resultou no extermínio de seguranças pela bandidagem seguido do assalto à agência, por isso mesmo é que as agências passaram apenas a ter alarme e câmeras, para evitar mortes inúteis. Para realmente combater este time de crime, cada agência teria que ter uma equipe fortemente armada, nível bandidagem. Considero inviável, até porque se reagirem à bala aos bandidos, não só inocentes podem morrer por balas perdidas, como os próprios seguranças, além dos questionamentos posteriores sobre os bandidos alvejados e/ou mortos surgirão.

Então, graças a Deus a informatização minimizou a necessidade de ida às agências bancárias pessoalmente. Isso fez mais pela segurança dos clientes do que qualquer outra medida que se possa imaginar. Para mim é raro ir à agência, uma ou duas vezes por ano. Mas o problema existe para muitos, que ficam expostos a essa violência que impera na nossa sociedade.

O que fazer? Repito: precisamos prender mais e por mais tempo. A insegurança vai diminuir de forma geral, e a nas agências bancárias diminuirá em consequência.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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