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Mais Casos de Desinformação

James M. Dressler

06.08.2018

Mais Casos de Desinformação

Dando continuidade à exposição das frequentes desinformações que recebemos todos os dias, relembro mais duas comuns, repetidas seguidamente nos mais renomados programas sobre política nacional de nossos canais de TV e rádios de todo país.

“O Brasil investe em educação tanto quanto países de primeiro mundo”. Essa é uma meia verdade, que esconde a realidade inteira. Os comentaristas políticos escolhem algum país rico de primeiro mundo, por exemplo, os Estados Unidos, e dizem cheios de razão: “os Estados Unidos investem 5,1% do PIB em educação, o Brasil investe 5,6%, logo nosso problema não é falta de investimento”. Falso! O que essa informação verdadeira esconde? Ora, o PIB americano é dez vezes maior que o brasileiro, tendo uma população 50% maior. Fazendo as contas para ver isso per capita, dá um investimento por aluno aproximadamente seis vezes maior nos EUA do que no Brasil. Seis vezes! E isso para um país como os Estados Unidos onde tudo já está pronto, toda infraestrutura escolar, ao contrário do Brasil, onde as instalações são absolutamente precárias. Resumindo: para investir o mesmo que os Estados Unidos investem na educação, o Brasil teria que gastar 33% do PIB tão somente em educação, isso sem contar a recuperação de toda degradada rede escolar brasileira. Mas dou de barato que sejam apenas 33% porque, por outro lado, um professor no Brasil ganha menos que um professor nos Estados Unidos. Então, 33% de investimento do PIB em educação para igualar as coisas, ou algo em torno disso, é um número bastante aceitável. Entendem agora porque o abismo entre o primeiro mundo e o Brasil só faz crescer? O investimento em educação por lá é muito maior! Não é à toa que nos testes internacionais fiquemos cada vez mais para trás.

“O Brasil paga um dos juros mais altos do mundo, um verdadeiro absurdo!”. Outra meia verdade, que também esconde a dura realidade. É verdade que o Brasil paga um dos maiores juros do mundo, embora quando os críticos digam isso, sempre façam questão de esconder que também temos uma inflação alta para os padrões mundiais, o que resulta num juro real bem menor, 6,5% - 4,0% = 2,5%. Mesmo assim, um valor discrepante com os Estados Unidos, por exemplo, que tem uma taxa negativa, pois a inflação anual está superando por pouco a taxa de juros paga anualmente. O que é falso, é que seja um absurdo o Brasil pagar esta taxa de juros efetiva a quem tem a coragem de emprestar dinheiro ao país. O Brasil é um país que já fez moratória da dívida e que, a cada quatro anos, por ocasião das eleições presidenciais, coloca nos primeiros lugares nas pesquisas candidatos que prometem uma “auditoria na dívida pública”, o que é uma ameaça direta a quem emprestou dinheiro ao país comprando títulos públicos. Não bastasse isso, tem tido governos que já há algum tempo perderam completamente a responsabilidade fiscal e apresentam déficits fiscais ano após ano, ameaçando chegar a uma situação em que falte dinheiro para honrar os títulos da dívida já emitidos. Para completar, também não consegue reduzir seus gastos e tão pouco aprovar uma reforma da Previdência que já devia ter acontecido há mais de década, o que reduziria ou até eliminaria o déficit fiscal em alguns anos. Ora, um país que vai pedir dinheiro emprestado com todos estes problemas, só pode ter que pagar juros altos, senão não encontrará quem esteja disposto a correr o risco de emprestar e não ter o seu dinheiro de volta. E sem o dinheiro emprestado, como o Brasil vai conseguir continuar cumprindo suas obrigações ordinárias, como pagar salários, investir em infraestrutura, educação, saúde e segurança? Não teria como, já que não consegue reduzir gastos por diversos motivos, incluindo a legislação que impede a redução da máquina pública de diversas formas. Mas há quem ache que dá para reduzir juros na marra, só falta “vontade política”. Por favor!

Apesar dessas obviedades, vá achar alguém nos meios de comunicação que coloque os “pingos nos is” e esclareça coisas básicas, que influenciam nosso dia a dia e o futuro como estas?

Difícil, muito difícil...


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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