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A Guerra da (Des)Informação na Última Semana

James M. Dressler

01.10.2018

A Guerra da (Des)Informação na Última Semana

Na mídia em geral, sejam nas fontes de informações tradicionais, como rádio, jornal e televisão, assim como nas redes sociais, pululam as “fake news”, a uma semana do pleito de 2018. Uma guerra onde não há santos, onde há gente produzindo notícias inverídicas de ambos os lados, mas, além disso, há a manipulação da informação, muito mais sutil e inteligente.

Nesta semana passada se viu de tudo, desde notícias de revistas que estariam para divulgar entrevistas bombásticas com o esfaqueador de Bolsonaro, a jornalistas agredidos por fazerem matéria contrária ao candidato do PSL. Vi também edições de entrevistas, fotos montadas, textos falsos, santinhos de um candidato que já foi considerado inelegível e substituído, enfim, uma enormidade de falsificações da realidade que me espantam. Só não me espantam mais que a quantidade de pessoas que acreditam nelas. Evidentemente, há brincadeiras também, os memes, etc., mas há pessoas que os levam a sério e ficam revoltadas, sem perceber que é uma piada...

Mas há algo mais esperto que estas “fake news”, habilmente disfarçado de comentário isento ou mesmo de combate às próprias notícias falsas. Chamo esta tática de “manipulação da informação”. Estes dias, peguei uma claríssima manipulação em uma rádio de Porto Alegre bastante prestigiada. Comentava-se justamente a disseminação das “fake news” nas redes sociais, pegando alguns exemplos verdadeiros de notícias completamente falsas, ou ao menos sem comprovação. Parecia tudo certo, só que não! De quatro exemplos de notícias falsas ou duvidosas, todas vinham de um lado só dessa eleição poralizada, justamente aquele lado que é o oposto do viés dos jornalistas que apresentam o programa. Para quem ouvia o programa, ficava subliminarmente gravado na mente que só os partidários de Bolsonaro mentem ou são desonestos na campanha eleitoral. Observe que nenhum jornalista estava mentindo, disseminando notícias falsas ou qualquer coisa do tipo, porém o intuito era claro, e provavelmente atingiu o objetivo esperado. Que expressão aquele programa usa como mote nas chamadas? Ah, o “jornalismo isento”...

Alguns dias depois, no mesmo programa, a matéria da revista Veja sobre a separação de Bolsonaro há dez anos era tratada solenemente. Segundo os jornalistas, era um fato jornalístico que envolvia um presidenciável, onde havia até acusações de supostos crimes cometidos pelo deputado e, portanto, imperioso comunicar os ouvintes. Quatro anos antes, a capa da mesma Veja, dizendo que “Eles sabiam de tudo”, informando que Lula e Dilma sabiam dos desvios da Petrobras (que hoje até é risível discordar), era tratada (com extrema indignação) pelos mesmos jornalistas de “tentativa desesperada de influenciar a eleição com fatos inverídicos ou não comprovados”! Nem entro no mérito se quaisquer uma das duas capas deveria ser levada a sério em suas respectivas épocas, o que é inaceitável é o comportamento absolutamente distinto entre uma e outra pelas mesmas pessoas que se dizem isentas...

Falta uma semana para o pleito, seja de que lado você está, fique atento. A semana vai ser trepidante e sugiro estar sempre com o filtro ligado ao absorver qualquer informação, venha de que mídia for. Vai ter manipulação de informação para valer!


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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