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O passado e o futuro da TV

James M. Dressler

12.11.2018

O passado e o futuro da TV

Esses dias, eu estava me dando conta de como mudou o modo como eu me relaciono com a minha TV nesta última década, mais especificamente nos últimos cinco anos. Como já estou na casa dos cinquenta, sou do tempo em que estávamos presos a uma programação; era aquilo ou nada.

Lembro ainda da primeira TV que meu pai comprou, uma “incrível” Philco 3D (3D era só no nome, mesmo), preto e branca, que eu lembre com algo que seriam umas 24 ou 26 polegadas, um trambolho que tinha tanto de profundidade quanto tinha de largura. E toda à válvula, é claro. Eram os idos de 1968 ou 1969, por aí. Havia a TV Gaúcha e a TV Piratini para assistir, e era isso. E a programação começava lá pelo meio dia e encerrava no final da tarde, início da noite. Era a pré-história da TV no Rio Grande do Sul. Mesmo assim, nessa TV assisti a incrível chegada do homem à Lua.

O tempo passou e de tanto insistirmos, meu pai comprou uma TV de 17 polegadas, também da Philco (que eu lembre a primeira “totalmente transistorizada” do Brasil), que era para levar para a praia na época do veraneio. Um arraso, havia algo para se fazer entre a praia de manhã, o almoço e a praia no fim da tarde. Era portátil, quatro vezes menor que aquela outra à válvula.

Veio a TV a cores em 1972, mas meu pai só foi comprar uma lá por 1976, um outro trambolho da falecida marca Telefunken muito maior que aquela Philco 3D. Era “semi-transistorizada”, tinha ainda válvulas que esquentavam como um forno ligado. Mas como era colorida, era um verdadeiro espetáculo. Só não deu mais problema que aquela Philco 3D, que mensalmente precisava da visita de um técnico e a troca de alguma válvula pifada. Nessa Telefunken, o técnico só precisava vir a cada três meses.

Tanto deu problema, que uns cinco anos depois, trocamos por uma National (hoje Panasonic) bem mais moderna, toda transistorizada. Essa aguentou muita pancada sem dar problema. Já era outra engenharia, muito mais moderna, e ainda funcionava no final da década de 90. A essa se seguiu uma Philips e uma Panasonic, que encerraram o ciclo das TVs de tubo.

Finalmente, chegaram as TVs de LCD, a princípio custando o preço de um automóvel de luxo, para logo depois se popularizarem e estarem ao alcance do consumidor de classe média. Veio em seguida a TV digital, com imagem e som de qualidade, mas até aí, o relacionamento que eu tinha com a TV pouco havia se alterado.

Embora já existisse há algum tempo, só fui ter acesso à TV paga no início dos anos 2000, momento em que o modo como eu via TV mudou significativamente pela primeira vez. Um sem número de opções, canais temáticos, programação com horário sendo cumprido à risca, era outro universo. Mas não seria ainda a mudança mais impactante.

Neste meio tempo, em outra vertente, já havíamos tido o videocassete e o DVD, um primeiro ensaio de outra utilização para a TV além de assistir os conteúdos transmitidos pelas emissoras abertas e a cabo. Mas nunca foi algo prático realmente, era necessário ir na videolocadora buscar fitas e DVDs e depois ter que ir lá devolver. Eu até tentei fazer isso por um tempo, mas era desgastante demais. Chato mesmo. A gente acabava ficando só na TV a cabo, mesmo.

Mas então, nesta última década, houve o “merge” de dois mundos. O conteúdo, que antes era disponibilizado por fitas e discos, passou a ser disponibilizado eletronicamente na minha casa, juntando canais temáticos e programação disponível a qualquer momento, mais transmissões ao vivo. A Internet havia chegado à TV. Vieram o YouTube, o Netflix, Amazon Prime e outros sistemas de “streaming” de vídeo, já nativos nas cada vez mais populares e baratas TV Smart, e mais recentemente integrando os smartphones.

Hoje eu me lembro daquela pré-história, lá da década de 60, revejo esta trajetória incrível até aqui, e me pergunto: qual será o futuro da TV? Mais especificamente, das emissoras de TV, abertas ou fechadas?

Prevejo um futuro sombrio. O modo como eu utilizo a minha TV mudou muito, praticamente não vejo mais estas emissoras abertas. TV a cabo não tenho há alguns anos. O conteúdo que eu via nela, hoje está disponível gratuitamente no YouTube, na hora que eu quiser assistir. Emissora aberta, só assisto quando não posso ficar dando muito atenção ao programa. Caso contrário, se é algo que me interessa muito, provavelmente é conteúdo de streaming tratando de algum assunto perfeitamente em sintonia com meus interesses, ou é algum filme ou série que eu escolhi pelo mesmo motivo. Imagino que o mesmo aconteça, até em maior grau, com as gerações mais novas.

E evoluindo como evolui a tecnologia nos últimos anos, a pergunta que acaba se impondo talvez não seja se as emissoras de TV aberta e a cabo vão sobreviver, e sim até quando elas vão sobreviver. No futuro, eu só enxergo  streaming de vídeo, inclusive para transmissões ao vivo.

Alguém ainda consegue imaginar-se assistindo TV aberta ou a cabo daqui dez ou quinze anos?


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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