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O Ministério de Bolsonaro

James M. Dressler

19.11.2018

O Ministério de Bolsonaro

Bolsonaro vai desenhando aos poucos seu ministério, revelando ao sabor dos dias novos nomes para ocupar os cargos mais cobiçados do Executivo Federal. Surpreendentemente, ou talvez nem tanto, a turma que perdeu a eleição, incluindo a mídia “isentona”, tem feito avaliações negativas a cada nome revelado. Mas qual seriam as surpresas nas críticas? Cada caso é um caso...

Ícones da autointitulação de isenção da mídia gaúcha dispararam: “mas este Ernesto Araújo (nomeado ministro das Relações Exteriores) é a cara do Bolsonaro!”, na falta de algo mais efetivo a dizer. Pergunto: mas esperavam a cara de quem? Do Lula? Outra, já de nível nacional, critica a escolha porque ele nunca comandou embaixada no exterior, deixando de lado o fato que ele seja diplomata de carreira. Outros ministros da mesma pasta não só nunca tinham sido embaixadores, como sequer eram diplomatas de carreira, mas nestes casos, a mesma jornalista nunca viu problema algum. Conclusão óbvia: agora tem problema porque ele é de direita, “é a favor do Trump”, assumidamente, e isso, ah! Isso não pode! Alguém avise o pessoal de que o presidente eleito é de direita, por favor!

A mesma turma ficou inconformada com a escolha da deputada ruralista Tereza Cristina, apelidada de “musa do veneno”, após a aprovação do projeto que regulariza e disciplina o uso de defensivos agrícolas no Brasil. Críticas infantis, do tipo “ela é da bancada ruralista” e “ela é a favor dos ‘agrotóxicos’” não faltaram. Provavelmente esperavam alguém de algum sindicato ou pela proibição de qualquer agricultura que não fosse  orgânica. Como se abandonar a produtividade obtida com os defensivos agrícolas e transgênicos fosse possível e não trouxesse resultados desastrosos para o Brasil. Ora...

Tática diversionista (para evitarem serem cansativos) foi empregada pela turma “isentona” quando à indicação de Joaquim Levy para o BNDES. Aí, o problema é ele ter feito parte de equipes do governo do PT, o que inclusive foi relevado pelo próprio Bolsonaro, que confiou na indicação de Paulo Guedes, apesar deste óbice. A competência de Joaquim falou mais alto, e Bolsonaro soube ceder. Mas é claro que a turma da esquerda aproveitou para tentar criar discórdia no novo governo, como um pugilista que bate no baço do adversário não para derrubá-lo, mas para ir minando suas forças.

Marcos Pontes, indicado como ministro da Ciência e Tecnologia, também não passou incólume. Apesar de engenheiro formado no ITA, com pós-graduação nos Estados Unidos, além de ter sido o primeiro astronauta brasileiro, o que não é tão importante quanto sua qualificação acadêmica, foi simplesmente avacalhado por boa parte da mídia como o “astronauta que plantou feijão no espaço”. O fato de ser professor e consultor na área de tecnologia, além de ter sido Diretor Técnico do Instituto Nacional para o Desenvolvimento Espacial e Aeronáutico, foi ignorado pela turma do contra, a mesma que não tinha restrições a nomes como o de Aldo Rebelo (jornalista e político) e Aloizio Mercadante (economista e político), antigos ocupantes da mesma pasta em governos do PT.

Paulo Guedes, o primeiro ministro de todos a ser dado como certo, também foi alvo de duras críticas por ser um liberal de carteirinha na Economia. A tática foi disfarçar o real motivo com o fato de Guedes ser chamado pelo próprio Bolsonaro de “Posto Ipiranga” da Economia. Bolsonaro, admitindo que não é perito no assunto, vai confiar num dos melhores economistas do Brasil, comprometido com o governo desde o lançamento da candidatura, e isso não pode, na avaliação dos “isentos”. Definitivamente, o pessoal não está acostumado com um presidente que não acha que é onisciente e admite delegar poder de verdade para seus subordinados. O que era para ser uma virtude passa a ser defeito só porque é novidade...

E chegamos a Onyx, colocado na Casa Civil para lidar com as feras do Congresso, apesar do seu envolvimento com caixa dois na campanha anterior, a qual ele confessou e pediu desculpas. E aí, com razão, tem sua escolha criticada por este motivo. Esse, mais do que os outros, vai ter que se provar durante sua gestão.

Mais nomes ainda serão conhecidos no decorrer das próximas semanas, mas ninguém espere elogios da turma do contra. Alternando táticas para minar o governo que nem começou a mandar no país, eles não darão descanso, talvez nem mesmo caso o governo seja um estrondoso sucesso.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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