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Armadilha

James M. Dressler

26.11.2018

Armadilha

Com a saída dos cubanos do programa “Mais Médicos”, corremos o risco de médicos emplacarem como mais uma "carreira de estado". As pressões sobre o novo presidente prestes a assumir, Jair Bolsonaro, já começaram. Já adianto que tal ideia, se implementada, seria extremamente danosa para o povo brasileiro. Uma verdadeira armadilha em que não podemos cair.

O resultado, inicialmente menos visível da criação de uma nova carreira de estado, seria a gestação de mais uma corporação estatal poderosa, além de tantas outras que já temos. Pelo caos em que se encontra o estado brasileiro em todos os níveis, sabemos que nada de bom para quem paga a conta advirá de mais uma corporação a pressionar os poderes da República.

Para quem não compreende bem o que significa uma carreira de estado, ou um plano de carreira para uma categoria, isso significa basicamente regras para a progressão na carreira (e principalmente nos salários e gratificações), na sua imensa maioria sem quaisquer vinculações com os resultados apresentados pelos profissionais. Há toda sorte de promoções e ganhos automáticos por tempo de serviço, por não ter faltado (nada mais que obrigação), licenças especiais e o que mais a categoria conseguir, através de pressão que a corporação exerça sobre os legisladores. Normalmente, em pouco tempo os ganhos começam a se desconectar do mínimo bom senso, através de “avanços”, “conquistas”, “equiparações” que a corporação conseguir fazer o Congresso aprovar. E não é de surpreender que em alguns anos, uma corporação forte o suficiente consiga indexar os vencimentos de seus membros com o salário dos juízes do STF. Não duvidem!

O resultado visível para a população pagadora de impostos é que, dentro de um período não muito distante, veríamos médicos que continuam fazendo o mesmo que faziam desde o primeiro dia em que começaram na carreira, mas ganhando o dobro do iniciante, tão somente porque... Bem, já estão há muito tempo fazendo aquilo! Este filme já passou diversas vezes no Brasil, “pague o dobro e leve a mesma coisa de sempre”.

Carreiras de estado devem ser tão somente para aquelas profissões que só podem ser exercidas dentro do estado, como juiz, policial ou fiscal de impostos. Médicos são importantíssimos, talvez a profissão mais nobre de todas, mas precisamos é de médicos como prestadores de serviço e não como carreiristas de uma corporação estatal.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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