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James M. Dressler

17.12.2018

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A partir de uma investigação sobre os deputados estaduais do Rio de Janeiro, o COAF fez um levantamento das transações envolvendo estes deputados e seus assessores, e descobriu movimentações incomuns na conta do motorista do senador eleito pelo RJ, Flávio Bolsonaro, nos anos de 2016 e 2017. O motorista teria recebido depósitos de outros assessores do ainda deputado e feito diversos saques em dinheiro, movimentação essa que girou em torno de R$ 600 mil que entraram em sua conta, que ao saírem, dão o total de R$ 1,2 milhão tão falado pela mídia.

A imprensa foi um pouco mais além nas investigações e descobriu que os depósitos coincidiram, quase na totalidade, com as datas de pagamento da assessoria, e os saques seriam no mesmo dia ou em dias próximos às datas dos depósitos. Houve também transferência nominal para a futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, no valor de R$ 24 mil.

Tais movimentações levantam a suspeita de que poderia ter havido algo semelhante a uma caixinha para o deputado, ou que os assessores devolveriam parte do salário para seu benefício. Infelizmente, ambas as práticas são comuns, ainda hoje, na política brasileira. Uma constatação óbvia de a prática ser ainda usual é que assessores recebem salários altos demais, a outra obviedade é que os salários são altos justamente para permitir aos deputados ficarem com parte da remuneração para aumentarem a sua própria, sem que os assessores se sintam mal remunerados pelo trabalho que fazem.

A oposição a Bolsonaro, petistas e seus satélites, e a própria mídia tradicional, lotada de seus simpatizantes, pintam e bordam com o caso. Confrontam o discurso moralista do presidente eleito e a utilização de suposta práticas da antiga política, que ele mesmo sempre condenou. Não deixam de ter razão, se as suposições se confirmarem. De positivo para o país, parece que o COAF agora está funcionando como sempre deveria ter funcionado, ou ao menos agora o Ministério Público está levando a sério os relatórios produzidos pelo órgão. Na última década, vimos diversos casos de políticos poderosos e seus familiares enriquecerem mesmo sem qualquer trabalho, sem que nenhum alerta do órgão fosse emitido.

Mas o que deveria ter feito Jair Bolsonaro neste caso?

Deveria ter afastado o filho da equipe de transição, até os fatos serem esclarecidos completamente. Sendo inocente, Flávio Bolsonaro voltaria às suas tarefas. Não sendo, não contaminaria o novo governo, criando situações embaraçosas para os militares e o próprio Sérgio Moro, ícone nacional do combate à corrupção e da moralidade no trato da coisa pública. Tomando esta atitude, Bolsonaro aumentaria ainda mais sua credibilidade, mostrando a todos que vale mesmo seu lema na campanha: "Brasil acima de tudo", inclusive da própria família.

Ninguém é culpado até que se prove o contrário. Apesar do presidente eleito não ter tomado a atitude que eu acredito ser a melhor, nesta semana o motorista de seu filho dará um depoimento ao Ministério Público. Vamos ver o que tem a dizer, quem sabe ele tenha uma boa explicação (e documentada) da movimentação em suas contas. Tomara, seria ótimo para o novo governo.

Até lá, vamos dar o benefício da dúvida ao senador eleito Flávio Bolsonaro. Ele tem crédito, esperamos que o mantenha intacto e tudo não tenha passado de um mal entendido. Ou que, caso contrário, o presidente eleito faça aquilo que já poderia ter feito.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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