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Posse

James M. Dressler

21.01.2019

Posse

E saiu o decreto sobre a flexibilização da posse de armas, promessa de campanha de Jair Bolsonaro. Aquém do que pretendiam os defensores das armas, era o possível de fazer sem uma legislação que tivesse que passar pelo crivo do Congresso Nacional.

Como consequência imediata, as ações da Taurus, que vinham valorizando fortemente desde a eleição de Bolsonaro, e que chegaram a um pico de R$ 12,00 em outubro de 2018, tiverem um repique no dia do anúncio, de R$ 9,22, para desabar a R$ 6,45 no mesmo dia, depois do anúncio, caindo um pouco mais nos dias seguintes, até R$ 4,60, na esteira da decepção com a timidez do decreto. Quem aproveitou, está comemorando.

Do ponto de vista prático, o que muda mesmo é o fim da discricionariedade na concessão da posse, que antes passava por uma decisão da Polícia Federal, que poderia determinar que, apesar de cumprir todas as exigências para ter a posse de uma arma, o pretendente não poderia tê-la pela ausência de necessidade.

Fiquei então pensando como chegamos a este ponto, de tal dificuldade para se obter a posse de uma arma. Fui buscar na minha adolescência memórias de um tempo bem diferente dos atuais. Lembrei-me da Fotoarma na Galeria do Rosário, que creio ter existido até a década de 90, naquele mesmo endereço. Que eu lembre, as armas ficavam expostas no balcão, ali bem na entrada da galeria, em frente à Igreja. Perto da minha casa, entre a década de 70 e 90, havia a Cioccari, outra loja de armas, que ficava a uns 100 metros do Estádio Olímpico. Não me lembro de termos, naquela época, a quantidade de morticínios que temos hoje. Por quê? Porque o problema sempre foram as armas ilegais na mão de bandidos!

Desarmaram todo mundo, e só quem se manteve armado e se armando cada vez mais foram os bandidos, e de tal forma, que hoje eles superam a Polícia em armamento. Não é mais possível ter lojas nos moldes da Fotoarma e Cioccari daquela época, pois seriam roubadas assim que abrissem as portas, em plena luz do dia. A bandidagem tem armas bem mais poderosas que as possíveis de vender legalmente, e bandidos já não tem mais receio de atacar a hora que bem entender.

Levaremos décadas para recuperarmos o controle das ruas, que foi perdido no momento em que se desarmou todo mundo, e os bandidos perceberam que não haveria mais resistência, correndo um risco muito menor ao cometerem crimes. E não tenha dúvida, isso não foi obra do acaso, uma consequência imprevista.

Para mim, este foi o objetivo do desarmamento. Não seria a primeira vez na História que a esquerda aliviou a repressão ao crime para acuar a população, reduzir sua necessidade e atenção a apenas manter-se viva, enquanto, aproveitando a distração, a turma no poder toma conta do estado e faz o que bem entende. A Lava Jato está aí para demonstrar o que fizeram com o país.

Temos um longo caminho pela frente, para desfazer o que foi feito nos últimos treze anos de desarmamento. Haverá muitos protestos da esquerda, disfarçados sob o manto da “paz”, para tentar impedir a população de voltar a ter meios para se defender e intimidar a bandidagem.


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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