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Greve dos Caminhoneiros

James M. Dressler

22.04.2019

Greve dos Caminhoneiros

E passado menos de um ano da maior greve de caminhoneiros da história do país, eis que voltamos a ficar sob a ameaça da categoria, mal passados três meses de governo. O que o governo deveria fazer?

É um problema político complexo. Em meio à tramitação da reforma da Previdência, qualquer medida mais dura do governo contra os caminhoneiros irá ser usada pela oposição para tentar tumultuá-la. A oposição sabe que uma reforma bem feita irá fazer o crescimento do PIB voltar com força durante alguns anos, com uma enxurrada de investimentos estrangeiros vindo para o Brasil, a taxa de juros caindo e o desemprego reduzindo. E essa combinação reelegeria no primeiro turno Jair Bolsonaro em 2022. A oposição, comandada principalmente pelo PT, pouco se importa em acabar com o sofrimento do povo, está mais preocupada em retomar o poder. Usará de todos os artifícios possíveis para iludir a população, que pressionará os congressistas para diluir ao máximo e até rejeitar a reforma, para, na mesma medida, evitar os efeitos positivos que sua aprovação traria para o país.

A primeira reação do governo diante da ameaça dos caminhoneiros foi péssima. A manifestação do presidente explicando o porquê de ter impedido o aumento do diesel pretendido pela Petrobras foi pior ainda. Dizer que o reajuste do diesel deveria ser limitado à inflação é uma completa inversão de valores. Confundiu consequência com causa. A inflação é que deriva da variação de diversos preços, inclusive o do diesel, e não o contrário. Imperdoável erro para um presidente. Em sua defesa, dá para dizer que dois dos três últimos presidentes também não sabiam disso. O que não torna menor o erro de Bolsonaro.

O tamanho do erro de Bolsonaro ao impedir o aumento ficou escancarado porque, depois de conversar com o ministro Paulo Guedes e o presidente da Petrobras, o aumento do diesel acabou saindo. Mesmo que o governo tenha anunciado medidas de crédito subsidiado aos caminhoneiros, isso parece não ter demovido a categoria de entrar em greve. Querem mesmo é diesel mais barato. Se os custos deles não cobrem as suas despesas, querem empurrar a conta para você, pagador de impostos, que ou pagará com subsídios ao diesel, ou receberá menos dividendos da petroleira e, portanto, terá que tirar mais dinheiro do bolso para cobrir os dividendos que não virão e que seriam usados para pagar despesas do governo.

Não sou contra greve de caminhoneiros, principalmente os autônomos. Até aplaudo! Mas desde que ele estacione o caminhão na garagem ou na frente de casa, e não saia para trabalhar. O que não posso aceitar, de forma alguma, é que ele vá estacionar o seu caminhão no meio da rodovia para impedir o tráfego de outros caminhões, ou na frente de garagens de transportadoras para impedir outros profissionais de trabalhar, ou tumultuar os acostamentos. Isso é inaceitável, e tem que ser combatido pelo governo com o uso da força, se necessário. Sem mimimi. Os caminhoneiros nem podem dar a desculpa de que estão sendo pegos de surpresa pela situação econômica e/ou política de preços do diesel. Ela já vem de antes da greve do ano passado, que resultou em medidas equivocadas, mas que beneficiaram os caminhoneiros, dando lhes tempo para ajustarem seus custos ou mudar de trabalho. Quem insiste em querer empurrar seus custos para o resto da sociedade na marra, se algum dia teve alguma razão, agora já não tem mais.

A última notícia de que se tem, depois do anúncio das medidas pró-caminhoneiros pelo governo, e do aumento do preço do diesel em 4,8%, pouco menor que os 5,7% que Bolsonaro havia barrado, a categoria indicou que está insatisfeita e que fará uma nova greve geral nas próximas semanas.

Não acho que vá sair coisa boa disso, seja qual for a reação do governo Bolsonaro, pelos motivos já expostos. Infelizmente, o Brasil tem pouca gente querendo um futuro melhor e muita gente querendo se arrumar em detrimento dos demais.

Em se tratando de Brasil, alguma novidade nisso?


Tags: James Dressler, coluna, artigo, opinião


James Masi Dressler é formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e pós-graduado em Ciência da Computação pela mesma universidade.

    e-mail: jamesmdr@gmail.com
    Twitter: @jamesmdr

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