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Sobre a volta da formação original do Guns n Roses

Fábio B. Salvador

13.01.2016

Sobre a volta da formação original do Guns n Roses

Só uma pessoa muito ingênua pensa que a volta do Guns original tem alguma coisa a ver com música ou com a expectativa dos fãs. Mas talvez saia alguma coisa boa disso tudo.

O Guns pode voltar a tocar com a formação original. A formação clássica. Aquela que nos deu clássicos imortais do rock e que povoou a imaginação de gerações. Mas aí, pensemos: há razão para tanto entusiasmo? Por um lado, sim. Na análise fria, não.

Ah, o Guns n´Roses... para vocês que são jovens demais para saber, eu digo: esses caras surgiram lá pelo final da década de 1980 e foram o máximo até a metade da década seguinte. Axl Rose virou símbolo sexual mundial, e o visual do Slash, completo com cartola sobre a cabeleira, virou ícone.

Em 1993, eles lançaram "The Spaghetti Incident", um disco de covers. A banda vinha fazendo feio, furando compromissos, com Axl tendo ataques de estrelismo e esculachando o público. "Spaghetti" acabou eclipsado, não só por ser uma sombra do clássico "Appetite for Destruction", mas porque acabou sendo comparado com outras bandas da época. E o Nirvana havia lançado "Nevermind". 

Mesmo com a decaída da banda, o público ficou esperando outro disco que pudesse salvar o mundo, talvez para 1994. Mas aí o tempo foi passando. Falavam em estrelismo, em perfeccionismo do Axl, em brigas. Slash saiu da banda em 1996. Em 1997, Duff McKagan, o último membro original, abandonou Axl. Saiu falando em "ditadura", coisas pesadas.

A vida seguiu. Slash e Stradlin montaram suas bandas e fizeram sucesso. Steven Adler, o baterista, conseguiu sair das drogas, escreveu uma inevitável autobiografia cheia de alertas, coisa e tal. McKagan se formou na área da Economia, virou colunista da área e segue tocando. Enfim. "A wonderful life". 

Enquanto isso, o solitário senhor Rose seguiu em frente, remontou a banda com várias formações, gravou alguma coisa, descartou gravações, o mundo deu voltas, o século acabou, veio aquela formação com o Buckethead...

Apesar de tudo isso, o nome "Guns N´Roses" continuava capaz de nos fazer sonhar. "Se um dia sair outro disco, vai ser fantástico", pensava-se, em uma espera parecida com sexo tântrico... aquele no qual a pessoa vai adiando o orgasmo e, quando ele vem, é explosivo.

E eis que em 2008, quando todo mundo já tinha quase perdido o tesão diante de singles meia-boca e anúncios furados, veio "Chinese Democracy", que não correspondeu. Diante de tanta espera, acho que nem uma obra prima corresponderia. Na prática, "Chinese Democracy" foi um álbum solo do Axl, com a visão do Axl, acompanhado de uma banda de apoio. 

Depois, (aliás, ANOS depois) tivemos a volta do Guns aos palcos. Novamente, "Guns" sendo um nome para o que deveria ser chamado "Axl Rose solo". Ele sempre foi o "personagem principal" da banda, mas todo mundo sabe que ela jamais seria o que foi sem os demais, especialmente Stradlin e Slash.

De qualquer forma... Axl, a cara do grupo, o ídolo, a lenda, o sonho de consumo das menininhas dos anos 90, estava ali. Só que ele reapareceu meio gordo, esquisito, meio sem voz, vestido de cowboy e fazendo shows com um aspecto meio circense, com dançarinas do pano, plataforma sobrevoando tudo, uma bagunça, um treco esquisito.

Digo... eu achei o máximo vê-lo no palco. Mas minha geração é suspeita: a gente ainda enxerga o cantor lendário de duas décadas e meia atrás. Sem esse saudosismo, acho que não é a mesma coisa.

Longe de mostrar que Axl pode criar um novo Guns capaz de nos fazer esquecer o antigo, temos justamente o oposto. O principal guitarrista da formação atual, aliás, usa uma cartola, veste-se e move-se no palco como se fosse um impersonator ou um Cosplay do Slash.

Na minha opinião pessoal, sincera, hoje temos Slash com uma banda cover do Guns, e Axl fazendo cover de si mesmo também. E os demais ex-membros? Na mesmíssima, ou brilhando como anãs brancas, na inércia de seu "name value".

Então, agora, vejam só, Slash voltou a falar com Axl, Izzy Stradlin (que é peça fundamental, musicalmente falando, do Guns) esta pela volta, e os demais membros devem ser contatados... O Guns N´Roses original pode voltar ao palco. Ora, só uma pessoa completamente ingênua acredita que isso seja "pelos fãs" como eles anunciam. Só uma pessoa ingênua acredita que é pela música.

Até mesmo os demais ex-membros da banda, quando dão entrevistas, deixam transparecer algo do tipo "minha carreira precisa disso".

Os advogados do Slash e do Axl passaram dois anos discutindo detalhes contratuais. DOIS ANOS, antes de os caras sequer posarem para uma foto juntos!!!! Não tem nada de "velhos amigos que brigaram mas se adoram". Não.

O Sex Pistols, outra banda que voltou a tocar junta depois de anos, ao menos teve a decência de gravar um album e chamar sua turnê de reunião, em 1996, de "Filthy Lucre", ou seja, "Lucro Sujo", ou "ganância torpe", em uma adaptação mais livre. Johnny Rotten, em uma entrevista, chamou a turnê de "assalto à luz do dia". Ou seja, os Pistols ao menos foram sinceros. Porque é isso mesmo, especialmente no caso do Guns n´Roses.

Mas vamos ver. Claro que estou entusiasmado para ver o que vai sair. Claro que eu vou escutar, quem sabe ir ao show se vier ao Brasil. Só não quero criar expectativas, nem quero que ninguém caia na ilusão sobre a motivação disso tudo.

Confirmados, estão Axl (óbvio), Slash e McKagan. Os outros provavelmente voltem. O Guns original faz um show em Abril. Vamos ver.


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Fábio é servidor público e escritor.
 
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