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A rua mais bonita do mundo, e a raça mais imbecil do universo

Fábio B. Salvador

02.02.2016

A rua mais bonita do mundo, e a raça mais imbecil do universo

Não é o caso de falarmos em desigualdade. A beleza, o talento, a alegria, a bondade, a criatividade não são recursos finitos. No entanto, temos a tendência de tratar o sorriso alheio como se nos tivesse sido roubado.

Há alguns anos, saiu uma notícia de que a rua Gonçalo de Carvalho havia ganho o apelido de "rua mais bonita do mundo".

Não foi uma votação, nem um concurso, nem nada. A rua tem um túnel verde formado pelas árvores, é patrimônio histórico e ambiental de Porto Alegre, e um blogueiro português resolveu elogiá-la com o "título". Só isso. Algo leve, despretensioso.

Em quase qualquer site ou rede social em que a tal rua aparecesse, acontecia a mesma coisa: alguém ia lá dizer que aquilo era "ufanismo e bairrismo" dos gaúchos, e que existem ruas mais bonitas em outros Estados.

Outros apontavam questões de preconceito regional nessa "escolha", e até racismo (o RS é um dos estados "mais brancos" do Brasil).

Outros, apontavam o mau estado de um trecho de calçada.

Haviam, ainda, defensores de bairros como o Leblon no RJ, e de capitais estrangeiras, dizendo que existem ruas bonitas em "bairros nobres", "muito mais valorizados". Mas e aí? Por quê a questão econômica deve entrar no julgamento? Uma rua é melhor por ser mais exclusiva, ou frequentada por pessoas mais chiques?

O PIB e a renda per capita, aliás, não significam nada quando falamos de ambientes. Fuzhou, na China, é a cidade mais industrializada do mundo, mas o ar é irrespirável.

No fim, nada disso importa. Que hajam outras ruas bonitas. Que em algumas more gente rica ou pobre. Que cada um ache um lugar melhor que o outro.

A grande questão é que somos a raça mais miserável do universo.

Quando algo de bom é anunciado, quando algo bonito ou positivo é exposto, ficamos ultrajados. Como se nos incomodasse.

Ora, não estamos falando de desigualdade, de injustiça. A beleza da rua não baseia-se na exploração da feiúra das demais. A beleza não é um recurso finito, que para ser abundante em algum lugar, deva faltar em outro. Assim como a alegria, o carinho, o talento. Temos a tendência de tratar o sorriso do outro como se tivesse sido roubado do nosso rosto. 

É como aquele experimento dos macacos: colocam vários macacos na jaula, com uma escada no meio e uma banana pendurada no teto. Cada vez que um macaco tenta subir a escada, uma mangueira dispara água derrubando-o e encharcando a todos. Depois de algum tempo, mesmo com a mangueira sendo retirada dali, qualquer macaco novo que chegue à jaula e tente subir a escada será ferozmente impedido pelos demais.

Agora, eu não sei se esse experimento foi feito mesmo em algum zoológico, ou se é apenas uma metáfora. O importante é que faz todo sentido.

E sabendo disso, temos que "nos policiar" para evitar a postura dos macacos adestrados.

Ora, a rua é bonita? Que legal, parabéns aos moradores, e se eu estiver pela cidade um dia desses, pretendo visitá-la. Existem muitas outras ruas tão ou mais bonitas? Ótimo! Vamos trabalhar para que logo tenhamos muitas outras mais!

Nesse grande teatro da vida, deveríamos reparar menos na barriguinha do ator, fazer menos fofocas a respeito da atriz, e aprender a aplaudir mais o espetáculo.


Tags: artigos, colunas, Fábio Burch Salvador, Fábio Salvador


Fábio é servidor público e escritor.
 
Livros interessantes para download, informações diversas e contato, no site www.fabiosalvador.com.br.
Telefone: (51) 99138-5686​
 



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