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17.02.2011 | História

Homem versus máquina

O Turco  (The Turk)

No outono de 1769, na corte de Maria Teresa, em Viena, um extraordinário acontecimento impressionou a soberana do Império Habsburgo que, dizem os historiadores, a deixou de peruca em pé. O barão Wolfgang von Kempelen, homem de sua confiança, apresentou a toda a corte uma máquina capaz de jogar xadrez em embates com humanos.

De 1770 a 1825 este famoso jogador de xadrez, que ficou conhecido como “O Turco” (The Turk), fascinou e encantou plateias por toda a Europa, em seguida alastrando-se pela América do Norte, tornando-se um verdadeiro fenômeno.

Figuras históricas como Napoleão e Benjamin Franklin arregalaram os olhos para a máquina.

Napoleão Bonaparte em pessoa jogou contra “O Turco” em 1809. O imperador francês perdeu e não gostou, pois não estava acostumado com a derrota. Napoleão não conseguiu entender como uma máquina de jogar xadrez pudesse vencê-lo.

De tão intrigado pela máquina, o escritor americano Edgar Allan Poe escreveu um ensaio em que tentava elucidar aquela farsa vinda da Europa.

Sim, o Turco foi uma farsa, mas tornou-se o blefe mais influente de toda a história da ciência e permanece inexplicavelmente envolto em espesso mistério há mais de 200 anos. O grande enigma é de como von Kempelen, que jamais se dispôs a explicar os mecanismos de sua engenhoca, conseguiu ludibriar tanta gente durante tanto tempo.

Vindo para o século XX, surge o “Deep Blue” (em português, azul profundo) um supercomputador e software criados pela IBM especialmente para jogar xadrez. A máquina tinha 256 coprocessadores capazes de fazer aproximadamente 200 milhões de operações por segundo.

O campeão do mundo de xadrez, Garry Kasparov, natural do Azerbaijão, considerado o melhor jogador de todos os tempos, ganhou três partidas, empatou duas e perdeu uma contra Deep Blue, obtendo a pontuação final de 4 a 2 (o empate dá 0,5 ponto para cada um dos lados).

A única derrota de Kasparov nesse match foi justamente na primeira partida, realizada em 10 de fevereiro de 1996, a qual passou a ser o primeiro jogo de xadrez em que um computador venceu um campeão do mundo num match com regras de tempo oficiais. Mesmo recuperando-se nos jogos seguintes, ao final do match, Kasparov declarou que era o último humano campeão de xadrez, talvez prevendo o que aconteceria no ano seguinte.

Esta primeira série de jogos terminou em 17 de fevereiro de 1996, há exatos quinze anos.

No ano seguinte, em 11 de maio de 1997, após uma grande atualização em seu sistema, o Deep Blue venceu Kasparov em um novo confronto de 6 partidas, com 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota (pontuação final: 3,5 a 2,5), tornando-se o primeiro computador a vencer um campeão mundial de xadrez num match com regras de tempo oficiais.

A derrota de Kasparov no segundo match é uma das maiores polêmicas do mundo do xadrez até hoje. Na época o grande mestre acusou a IBM de ter trapaceado afirmando que jogadores humanos intervieram durante a segunda partida.

A IBM se defendeu dizendo que os ajustes no programa e intervenções ocorriam somente entre uma partida e outra. Kasparov então pediu os arquivos (printouts e log files), porém a IBM se recusou a fornecê-los.

Na base de dados do computador havia mais de 700 mil partidas de Mestres e Grandes Mestres, porém quando Kasparov pediu à IBM algumas partidas jogadas pelo Deep Blue para que entendesse melhor seu oponente, o pedido foi negado.

Kasparov pediu ainda um novo match, porém a IBM não teve interesse e aposentou o computador.

Há um documentário de 2003 (Game Over: Kasparov and the Machine) que conclui que esta vitória foi armada para elevar o valor das ações da companhia.

 

 


Tags: Deep Blue, Turco, Kempelen, xadrez, IBM, Kasparov






Opinião do internauta

  • Carlos Mello (17.02.2011 | 18.19)
    Não conhecia esta historia do turco enxadrezista, mas era um truque muuuuiiito fácil de ser desmascarado. As pessoas deviam ser muito ingênuas no século 18. Quanto aos jogos do Kasparov contra o Deep Blue, sempre achei uma bobagem. Na verdade o Kasparov jogava contra o computador e toda uma equipe de técnicos que eram assessorados inclusive por pessoas que tinha jogado contra o Kasparov, e que “ajustavam” a máquina nos intervalos da partida. Era o mesmo que mudar as regras de um jogo no meio da partida. Eram coisas completamente diferentes. Claro que a maquina acabaria vencendo, mas porque era mais rápida em processar e não porque era inteligente. Quando apareceram os computadores tinha uma frase que definia bem esta situação, dizia: O Computador é um imbecil rápido. Só isto!

  • Luiz Osorio Rosa Moro (17.02.2011 | 15.13)
    Prezado Orlandini, Muito interessante a reportagem "Homem versus Máquina". Eu como leitor contumaz de assuntos enxadrísticos, quero colocar que o enigma é o seguinte: Existia dentro da suposta máquina um homem de pequeno porte, considerado forte jogador de xadrez, que vencia as partidas de seus oponentes. Osório

    Réplica:

    Parece que é isso  mesmo. O Turco era uma fraude. Ao que parece um homem pequeno que conhecia muito o xadrez.

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