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08.05.2012 | Trânsito

O Mapa da Violência

Mapa da Violência 2012. Os novos padrões da violência homicida no Brasil

A loucura do trânsito, uma verdadeira tragédia que ceifa a vida de milhares de brasileiros todos os anos, não se restringe ao Brasil ou ao terceiro-mundo. Sempre gosto de lembrar que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o trânsito mata a cada ano mais de 1,3 milhões de pessoas em todo mundo, número bem superior aos mortos em guerras ou na violência urbana, outra chaga que nos assusta.

Mas o triste é que o número de mortes no trânsito brasileiro é três vezes maior do que o tolerado pela OMS.

Sabemos que o principal culpado de tudo isso é um sujeito chamado de “imprudência”, associado a seu inseparável companheiro a “impunidade”. Este último, ninguém consegue encontrar e prender, ou até mesmo dar um fim mais permanente para que ele não apareça mais por aqui. A impunidade é um monstro que se entranhou de tal forma em nossa sociedade que não conseguimos nos livrar desta chaga.

Esta certeza de impunidade leva à imprudência desmedida, o fator I², que destrói com a vida de famílias como se nosso país estivesse em constante guerra.

Para quem não sabe, Segundo o Relógio Mundial, até o momento que escrevia este comentário, 416.519 pessoas já tinham morrido em acidentes de trânsito em 2012, contra “apenas” 59.887 em guerras.

É, realmente existe algo muito errado nesta diabólica equação.

Anualmente no Brasil as vítimas desta chacina chegam a 50 mil, uma permanente tragédia anunciada que poderia ser evitada.

O Mapa da Violência no Brasil, documento elaborado pelo sociólogo Júlio Jacobo, do Instituto Sangari, constatou outro dado alarmante. No ano de 2010, um em cada três acidentes de trânsito com mortes registrados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) envolvia motociclistas.

Para sociólogo, a tendência é de que este número aumente e de forma acelerada, principalmente pela facilidade (crédito) e preços baixos para comprar uma moto.

O documento dá conta ainda que a fiscalização dos órgãos de segurança é mais efetiva em relação aos veículos de quatro rodas, pois os pardais mais antigos não fazem a imagem das placas das motos.

Durante a última década, o número de automóveis em circulação mais que dobrou (118%), mas as mortes em acidentes envolvendo os ocupantes de automóveis cresceram “apenas” 72% o que constata que o risco de morte em automóveis caiu 46 pontos porcentuais no período.

Outra constatação chega a ser óbvia e lembra o jargão de que “o para-choque da moto é o motociclista”.

O sociólogo aponta que a vulnerabilidade dos motociclistas é de tal nível que sua letalidade em acidentes chega a ser 14 vezes maior que a dos ocupantes de automóvel.

O número de veículos em circulação no Brasil aumentou muito nos últimos anos, uma razão de 10 mil unidades a cada dia, número bem maior do que nossa minguada infraestrutura pode superar. Em Porto Alegre são 100 veículos a cada dia, 3.000 por mês, numa frota superior a 715 mil veículos.

Já nossa infraestrutura rodoviária é deplorável, tendo sua capacidade esgotada há muito tempo, e nossas cidades seguem o mesmo rumo.

Os números são estarrecedores. Da malha rodoviária nacional apenas 11% possui pavimentação e só 3% em condições razoáveis de trafegabilidade. Um verdadeiro absurdo para não dizer um descalabro.

Associada a esta situação deplorável, existem aqueles que insistem e transformar nossas ruas e estradas em pistas de corrida, usando ainda um combustível que aumenta em centenas de vezes a chances de tragédias, que é a bebida. Beber e dirigir torna-se uma equação com um único resultado, tragédia.

Mas o que fazer para conter esta crescente violência?

Ao que parece temos de transformar em crime de trânsito o que hoje teimamos em chamar de acidente.

Acidente é algo não intencional, que acontece por acaso. Crime, ao contrário, é intencional.

Se vamos dirigir e bebemos, sabemos dos riscos, então não é acidente.

Se vamos dirigir e corremos acima do permitido, sabemos dos riscos, então não é acidente.

Bebida e direção não combinam, nem a imprudência ao dirigir cometendo qualquer tipo de excesso. Estamos assistindo à impunidade correndo solta e a sociedade não pode mais tolerar estes absurdos.

Provocar mortes no trânsito de forma intencional é crime e não acidente.

Chega de tapar o sol com a peneira e permitir que a impunidade prevaleça.


Tags: trânsito, acidente, crime, morte, OMS, moto, motocicleta, motociclista






Opinião do internauta

  • Marilda Martins Mendes (09.05.2012 | 20.01)
    1) - Se o MOTORISTA "respeitasse" as LEIS do TRÂNSITO - melhora muito. 2) - SE houvesse menos IMPUNIDADE para os INFRATORES de Trânsito. Quem fere ou mata alguém - deve ficar preso até o julgamento. 3) - Também pode haver uma via somente para as MOTOS trafegarem, como agora estão fazendo a CICLOVIA. 4) - MELHORAR AS ESTRADAS. 5) - De nada adianta os PARDAIS e LOMBADAS ELETRÔNICAS. Noto que os motoristas passam devagar nestes loicas e depois voam no seu carro. Deveria haver + lombadas (não me lembro o nome), mas estes morrinhos na via pública, de preferência em cada esquina. 6) - E principalmente CONSCIENTIZAÇÃO das pessoas com aulas sobre o trânsito desde a pré-escola ou Educação Infantil.

  • André (09.05.2012 | 10.41)
    Só não acontecem mais acidentes com motos aqui em Montenegro-RS onde resido, porque a proteção divina ainda consegue fazer alguma coisa, pois os motociclistas ultrapassam pela direita como se fosse permitido, e são praticamente todos. Continue indignado e divulgando estes dados e logo vai colher bons frutos. Parabéns.

  • LuizCapellari (08.05.2012 | 06.04)
    Quero te parabenizar por esta permanente, esperançosa e incansável luta que travas , através da palavra contra o poderoso monstro das mortes no trânsito. O dia em que os fabricantes de motos passarem a contabilizar em suas despesas os gastos que recaem sobre o SUS em atendimento de motoqueiros e as responsabilidades para com as famílias infelicitadas, não haverá mais condição de fabricar esta roleta russa ambulante que perversamente mata trabalhadores humildes e sobrecarregados das telentregas e mata pessoas de baixo poder aquisitivo que não podem ter um carro. Parabéns pela luta.

  • James (08.05.2012 | 04.57)
    Ah, mas tudo vai melhorar nas estradas gaúchas agora com a estatal dos pedágios... :-)

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