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26.04.2013 | Opinião

Um grito contra a violência

A cidade de Guernica após o bombardeio

Quem me conhece sabe que gosto muito de lembrar fatos de nossa história. Estes fatos do passado servem para lembrar o bel e o mal da espécie humana.

Em sua coluna desta semana intitulada “PLANO PERFEITO”, Percival Puggina, traz à tona esta questão de patrulhamento que faz do Brasil um dos raros países onde dizer-se que alguém é anticomunista soa como desqualificação.

Fui duramente criticado por elogiar Puggina e de “denegrir” a imagem dos regimes comunistas que mataram apenas 100 milhões de pessoas nos últimos cem anos.

Pois bem: Não são só as ditaduras de esquerda (que ainda perduram, prendem e matam muita gente) que cometeram e cometem atrocidades.

Voltemos então a história...

Uma das obras mais significativas do pintor, escultor e desenhista espanhol Pablo Picasso é sem dúvida alguma o painel intitulado “Guernica”.

O quadro foi produzido em 1937, quando da Exposição Internacional de Paris. A obra pintada a óleo e medindo 350 por 780 cm, retrata o “massacre” perpetrado pela Luftwaffe (Força aérea alemã-nazista), à localidade de Guernica, no país Basco, no dia 26 de abril de 1937.

Naquela segunda-feira, a pequena cidade ainda intocada pela Guerra Civil Espanhola, estava cheia de vida. Seus cerca de cinco mil habitantes envolvidos em seus afazeres diários quando no fim da tarde começaram os primeiros bombardeios.

Por volta das seis e meia veio o ataque principal dos aviões nazistas, em ondas sucessivas. Calcula-se que 22 toneladas de explosivos foram lançadas, entre pequenas bombas incendiárias e bombas de 250 quilos.

Trezentas pessoas morreram imediatamente, milhares ficaram feridas. Três quartos dos prédios da cidade foram arrasados em menos de três horas.

Mas qual o motivo de tanta bestialidade?

A história diz que com o fracasso da tomada da capital Madri, a pequena cidade entrou na mira dos fascistas liderados pelo generalíssimo Francisco Franco.

O então futuro ditador espanhol contava com o apoio da Alemanha nazista e da Itália fascista em seu intento de tomar o poder na Espanha. Hermann Göring, comandante da Luftwaffe alemã, queria utilizar a Guerra Civil Espanhola como campo de testes para os pilotos e as máquinas de sua nova Força Aérea, nada muito diferente do que se faça nos dias atuais.


Ruínas de Guernica após o bombardeio.

Daí a sede de poder aliada a falta de escrúpulos teve como resultado este massacre histórico.

Guernica transformou-se em símbolo. O ataque da Legião Condor foi o primeiro bombardeio aéreo maciço contra uma população civil na história europeia. A partir daí, as mortes entre as populações civis foram consideradas apenas “danos colaterais” (collateral damages) nos campos de batalha.

Conta-se que, em 1940, com Paris ocupada pelos nazistas, um oficial alemão, diante de uma fotografia reproduzindo o painel, perguntou a Picasso se havia sido ele quem tinha feito aquilo. O pintor, então, teria respondido: Não, foram vocês!

Passados sessenta anos do episódio, o então presidente da Alemanha, Roman Herzog, pediu perdão aos habitantes da cidade: Quero assumir a responsabilidade pelo passado e reconhecer expressamente o envolvimento culposo dos pilotos alemães. Eu pranteio com vocês os mortos e feridos. Aos que ainda carregam consigo as feridas do passado, estendo minha mão num pedido de reconciliação.

Esta obra do pintor espanhol falecido em 8 de abril de 1973 é um verdadeiro grito contra a violência. Pablo Picasso captou com sua genialidade e sensibilidade todo o horror ocorrido naquele 26 de abril.

O quadro, transferido para Nova York durante a Segunda Guerra Mundial, recebeu do pintor a ordem expressa de que apenas quando a Espanha voltasse a ser um país democrático poderia para lá retornar. A obra ficou sob a guarda do Museu de Arte Moderna de Nova York até que a 9 de Setembro de 1981 chegou ao final a peregrinação da obra a que chamavam os espanhóis de el último exiliado.

De Guernica até hoje vários massacres iguais ou maiores se repetiram contra populações civis.

Até quando?


Tags: Pablo Picasso, Guernica, Guerra Civil Espanhola, Luftwaffe, Segunda Guerra Mundial






Opinião do internauta

  • Huberto Paiz (29.04.2013 | 01.43)
    É incrível como idéias generosas viram pesadelos. Foi o que ocorreu com o Cristianismo da Inquisição, com o Comunismo do Leste Europeu e ocorre com a Parcela do Liberalismo que virou Capitalismo Selvagem, matando de fome e doenças derivadas muito mais que os 100 Milhões vitimados pelas ditaduras comunistas, além de praticar o pior ato terrorista de História (as bombas atômicas sobre o japão em 45)

    Réplica:

    Humbero. Não defendo os americanos, mas dá uma pesquisada sobre as bombas no Japão. A história é implacável. O japoneses não eram santos e mataram muita gente lá pelo oriente. Coreanos, chineses, filipinos. estes odeiam até hoje os japoneser.  Qual o motivo?

  • James (26.04.2013 | 04.56)
    Essa pintura é uma maravilha. Pena que o Picasso, ao invés de pintar os horrores do comunismo, tenha recebido orgulhosamente o prêmio stálin (com s minúsculo para mim) da "paz". O nome do monstro e a palavra paz na mesma frase chega a ser ofensivo, mas não para Picasso, que inclusive pintou um retrato do facínora.

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