Últimas notícias

Comentários

RSS
07.08.2013 | Opinião

Hiroshima & Nagasaki II

Korechika Anami, General do Exército Imperial Japonês e Ministro da Guerra

Ontem aqui neste espaço tratei de um tema que gosto de relembrar todos os anos: Os bombardeios de Hiroshima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, eventos que mudaram a face do mundo.

Se formos a fundo sobre o tema e, mesmo sem mudar minha opinião sobre estes ataques que vitimaram milhares de pessoas inocentes, a grande maioria de civis, passo a relatar algo que julgo extremamente importante no contexto que levou os Estados Unidos da América a tomar a decisão de bombardear o Japão com bombas atômicas.

A queda do Império japonês já começava a se desenhar no final de julho de 1945, quando implacáveis bombardeios castigaram suas cinco principais cidades - Tóquio, Osaka, Nagoya, Kobe e Yokohama -, arrasando-as em proporções de 45% a 60% de sua área. Os principais alvos industriais foram destruídos, um a um. As cidades secundárias também não foram esquecidas pelos norte-americanos, que mantiveram 60 delas sob um programa incendiário especial. A maioria foi consumida pelo fogo, em números que giram em torno dos 70% de destruição. Toyama, com seus 127.860 habitantes, teve nada menos do que 99,5% de sua área consumida pelas chamas.

Entretanto, a propaganda japonesa continuava pregando a invencibilidade nipônica. Pelo raciocínio oficial, para vencer a batalha, os EUA deveriam matar os 100 milhões de habitantes do Japão. Entregar-se, jamais.

No final do mês de julho de 1945 Tóquio recebera uma proposta de rendição incondicional, porém com a promessa de repatriamento das tropas japonesas, a permanência das indústrias e uma participação nipônica no comércio mundial; além disso, o acordo compreenderia a instalação de uma monarquia constitucional sob a atual dinastia. Tal condescendência, que não se verificou no acordo com a Alemanha, tinha uma contrapartida alarmante, no caso da proposta não ser aceita: "A alternativa para o Japão é a imediata e total destruição", diziam os termos aliados.

Ainda que considerada atraente por alguns integrantes do governo japonês, a proposta acabou sendo rejeitada pelos radicais: em 29 de julho, transmite-se a resposta oficial dos japoneses: o Império decidira "ignorar" o ultimato. A declaração do estandarte da intransigência, o General Anami, explica a escolha. "Capitulação sem condições é para o Japão um termo não somente inaceitável, mas também inconcebível. Os Estados Unidos não estão preparados para pagar o aterrador preço de sangue que lhes custaria uma invasão. Eles ainda amolecerão e concordarão com condições mais favoráveis se continuarmos contrários às resoluções do desespero."

Um desprezo, quase uma provocação. Em outras palavras: o Japão pagava para ver.

Pagou e se deu mal.

Amanhã um pouco mais de história.


Tags: Hiroshima, Nagasaki, Japão, Segunda Guerra Mundial, bomba atômica






Opinião do internauta

Deixe sua opinião

Datas anteriores:

Comemoramos hoje - 15.10

  • Dia de Santa Tereza d’Avila
  • Dia do Anjo Ayel
  • Dia do Normalista
  • Dia do Professor