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09.08.2013 | Opinião

Hiroshima & Nagasaki IV

Dois oficiais japoneses, Toshiaki Mukai e Tsuyoshi Noda numa competição para determinar quem conseguiria matar cem pessoas primeiro com uma espada. A manchete diz: “Recorde Incrível” - Mukai 106 X 105 Noda. Publicado no Tokyo Nichi Nichi, em 13 de dezembro de 1937.

Dando prosseguimento ao que comecei na terça-feira, vamos a mais alguns fatos de nossa história que podem nos esclarecer o que ocorria na primeira metade do Século XX.

O incidente mais infame durante este período foi o Massacre de Nanquim de 1937-38, quando, de acordo com as descobertas do Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, o Exército Imperial Japonês massacrou cerca de 200 mil civis e prisioneiros de guerra, embora existam estimativas ainda maiores, na casa das centenas de milhares.


Dois oficiais japoneses, Toshiaki Mukai e Tsuyoshi Noda numa competição para determinar quem conseguiria matar cem pessoas primeiro com uma espada.
A manchete diz: “Recorde Incrível” - Mukai 106 X 105 Noda.
Publicado no Tokyo Nichi Nichi, em 13 de dezembro de 1937.

Crime semelhante foi o Massacre de Changjiao, um massacre de civis chineses pelo Exército Expedicionário Chinês (o qual, apesar do nome, era japonês) em Changjiao, Hunan. Shunroku Hata comandava as tropas japonesas. Durante quatro dias, de 9 de maio de 1943 a 12 de maio de 1943, mais de 30.000 civis foram assassinados e milhares de mulheres foram estupradas.


Monumento em Changjiao lembrando as atrocidades japonesas

No Sudeste Asiático, o Massacre de Manila, resultou nas mortes de 100.000 civis nas Filipinas, e no Massacre Sook Ching, entre 25 mil e 50 mil chineses étnicos de Singapura, foram conduzidos para as praias e massacrados.


O centro de Manila após a ação das tropas japonesas


Ação das tropas japonesas contra civis em Sook Ching

O historiador Mitsuyoshi Himeta afirma que o "Sanko Sakusen" (Política dos Três Tudos), uma estratégia de “terra arrasada” usada pelas forças japonesas na China entre 1942-45 e sancionada pessoalmente pelo imperador Hirohito, foi sozinha responsável pelas mortes de "mais de 2,7 milhões" de civis chineses.

E por aí seguem outras tantas atrocidades cometidas com autorização expressa do imperador Hirohito.

Outro capítulo à parte nesta história é a infame Unidade 731, uma unidade secreta de pesquisa e desenvolvimento da guerra biológica do exército imperial japonês que utilizou seres humanos em experiências secretas durante a Segunda Guerra Mundial e Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945).

A Unidade 731 ficava localizada no distrito de Pingfang, na cidade de Harbin, no estado fantoche de Manchukuo (nordeste da China). Foi responsável por alguns dos crimes de guerra na China e outros países da Ásia, numa das maiores atrocidades realizadas pelo exército imperial japonês.


Shiro Ishii
, médico e comandante da unidade 731, o Josef Mengele japonês.


Experiência de hipotermia, usando como cobaias prisioneiros chineses sob vigilância de soldados japoneses.


Complexo da Unidade 731.


Placa em memória das vítimas num dos prédios do complexo.

O filme de 1988, produção conjunta de Hong Kong/China, “Hei tai yang 731” (Men Behind the Sun, pt. Campo 731: Bactérias, a maldade Humana) retrata as experiências da Unidade 731. Imagens chocantes revelando atrocidades barbaras.

Da mesma maneira que não consigo aceitar os bombardeios atômicos no Japão, não consigo aceitar os crimes perpetrados pelo Exército Imperial Japonês e pela Marinha Imperial Japonesa, cometidas com o aval e em nome do Imperador Hirohito.

Sendo assim, concluímos que ao condenarmos os norte-americanos pela morte de “apenas” pouco mais de 400 mil pessoas nos bombardeios à Hiroshima e Nagasaki, estamos sendo “injustos” com a “competência” dos soldados japoneses que eliminaram milhões de civis inocentes durante o conflito.

Estive naquela região algumas vezes e percebi que até hoje existe um forte “rancor”, se pode-se dizer assim, contra os japoneses.

A história é implacável.

A história registra as marcas da destruição perpetradas pelos homens, e estas verdades não podem ser apagadas, nem mesmo pelos mais ferrenhos opositores aos norte-americanos.

Relembrar destes fatos ocorridos na primeira metade do Século XX, mostram que o homem ainda não aprendeu a conviver em paz neste pequeno planeta azul chamado Terra.

Os bombardeios a Hiroshima & Nagasaki ocorridos em 6 e 9 de agosto de 1945, onde milhares de civis inocentes foram dizimados, não podem ser analisados isoladamente.

Aceitar a inocência e vitimização do “Japão de Hirohito” é o mesmo que negar o Holocausto Judeu perpetrado pelos nazistas.

Atos bárbaros que em nada se justificam.

Isto não é minha opinião, é história.


Tags: Hiroshima, Nagasaki, Japão, Segunda Guerra Mundial, bomba atômica






Opinião do internauta

  • Alberto Muller (27.08.2013 | 13.29)
    Essa verdadeira reportagem sobre a guerra foi a melhor, a "top" deste site. Mostrou fatos, bastante fotos, relatos reais. Fugiu da fraude que os anti-americanos escondem como se os japoneses fossem uns budistas massacrados. Parabéns com louvor e viva a Internet, que nos possibilita essa liberdade e quantidade de informações.

    Réplica:

    Obrigado Alberto.

  • James (09.08.2013 | 04.57)
    Pois é. Tem á máxima, aquela: "violência gera violência". Deixo para você tirar uma conclusão sobre as bombas atômicas lançadas no Japão: como o Japão se comportava antes, e como passou a se comportar depois, para ver da validade deste "mantra", muito usado por quem gosta de dar cobertura para toda sorte de bandidos.

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