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06.08.2014 | Opinião

Hiroshima & Nagasaki I

Little Boi, a bomba atômica de Hiroshima

O Conselho de Alvos (em inglês, Target Committee), de Los Alamos, nos Estados Unidos, recomendou as cidades de Kyoto, Hiroshima, Yokohama e o arsenal em Kokura como possíveis alvos das Bombas Atômicas recém criadas.

O Conselho rejeitava o uso da arma contra alvos "estritamente militares", pois queria que o ataque tivesse um grande efeito psicológico na população japonesa.

Às 8h15m da manhã de 6 de agosto de 1945, a bordo do avião "Enola Gay", o piloto Paul Tibbets lançava a bomba atômica "Little Boy" que destruiu a cidade de Hiroshima e matou instantaneamente 80 mil civis, chegando a quase 220 mil no total.

Pelo "azar histórico" e questões climáticas, pois não havia visibilidade no alvo principal que era a cidade de Kokura, três dias depois, os habitantes de Nagasaki tornaram-se os alvos de mais uma das maiores atrocidades da história.

Na manhã de 9 de Agosto de 1945, a tripulação do avião B-29 Superfortress, batizado de "Bockscar", pilotado pelo “Major Charles W. Sweeney” e carregando a bomba nuclear de nome código "Fat Man", deparou-se com o seu alvo principal, o arsenal de "Kokura".

Após três voos sobre a cidade sem visibilidade e com baixo nível de combustível, o bombardeiro dirigiu-se para o alvo secundário, a cidade de Nagasaki.

As condições de visibilidade em Nagasaki também não eram as ideais, mas às 11h02m, uma abertura de última hora nas nuvens permitiu ao artilheiro do "Bockscar" ter contato visual com o alvo.

A bomba "Fat Man", contendo um núcleo de aproximadamente 6,4 kg de plutônio-239, foi lançada sobre o vale industrial da cidade matando instantaneamente 40 mil pessoas, chegando a mais de 80 mil nos dias seguintes.

O papel dos bombardeios na rendição do Japão, assim como seus efeitos e justificativas, são até hoje submetidos a muito debate e polêmica.

Sabe-se hoje que um viés político foi ocultado da opinião pública na época. Os soviéticos já estavam a um passo de uma invasão e os aliados não queriam outra situação parecida com a da Alemanha ocupada e dividida no pós-guerra.

Mas a história está registrada e, em algum momento, outros fatos pouco lembrados vêm à tona.

O fato histórico de Hiroshima & Nagasaki, é que milhares de civis inocentes foram dizimados.

Mas existem outros fatos que talvez justifiquem esta opção norte-americana pelos bombardeios de 6 e 9 de agosto de 1945.

Se formos a fundo sobre o tema e, mesmo sem mudar minha opinião sobre estes ataques que vitimaram milhares de pessoas inocentes, a grande maioria de civis, passo a relatar algo que julgo extremamente importante no contexto que levou os Estados Unidos da América a tomar a decisão de bombardear o Japão com bombas atômicas.

A queda do Império japonês já começava a se desenhar no final de julho de 1945, quando implacáveis bombardeios castigaram suas cinco principais cidades - Tóquio, Osaka, Nagoya, Kobe e Yokohama -, arrasando-as em proporções de 45% a 60% de sua área. Os principais alvos industriais foram destruídos, um a um. As cidades secundárias também não foram esquecidas pelos norte-americanos, que mantiveram 60 delas sob um programa incendiário especial. A maioria foi consumida pelo fogo, em números que giram em torno dos 70% de destruição. Toyama, com seus 127.860 habitantes, teve nada menos do que 99,5% de sua área consumida pelas chamas.

Entretanto, a propaganda japonesa continuava pregando a invencibilidade nipônica. Pelo raciocínio oficial, para vencer a batalha, os EUA deveriam matar os 100 milhões de habitantes do Japão. Entregar-se, jamais.

No final do mês de julho de 1945 Tóquio recebera uma proposta de rendição incondicional, porém com a promessa de repatriamento das tropas japonesas, a permanência das indústrias e uma participação nipônica no comércio mundial; além disso, o acordo compreenderia a instalação de uma monarquia constitucional sob a atual dinastia. Tal condescendência, que não se verificou no acordo com a Alemanha, tinha uma contrapartida alarmante, no caso da proposta não ser aceita: "A alternativa para o Japão é a imediata e total destruição", diziam os termos aliados.


Korechika Anami, General do Exército Imperial Japonês e Ministro da Guerra

Ainda que considerada atraente por alguns integrantes do governo japonês, a proposta acabou sendo rejeitada pelos radicais: em 29 de julho, transmite-se a resposta oficial dos japoneses: o Império decidira "ignorar" o ultimato. A declaração do estandarte da intransigência, o General Anami, explica a escolha. "Capitulação sem condições é para o Japão um termo não somente inaceitável, mas também inconcebível. Os Estados Unidos não estão preparados para pagar o aterrador preço de sangue que lhes custaria uma invasão. Eles ainda amolecerão e concordarão com condições mais favoráveis se continuarmos contrários às resoluções do desespero."

Um desprezo, quase uma provocação. Em outras palavras: o Japão pagava para ver.

Pagou e se deu mal.


Tags: Hiroshima, Nagasaki I, bomba atômica, Segunda Guerra Mundial, Japão






Opinião do internauta

  • Celso Barcellos (06.08.2014 | 11.05)
    Esses 2 dias da História deveriam ser lembrados como os dias da Infãmia. Os americanos não precisavam matar milhares de inocentes. Bastava sair do Japão. Os japoneses já estavam liquidados. É como o Anderson Silva com a perna quebrada dizer que não se rende, basta o lutador oponente retirar-se. Não há necessidade de exterminar quem já não se levanta. Mas, a história é escrita pela "moral" dos vencedores. Já no Vietnam, os EUA não venceram, simplesmente retiraram-se. O mundo já não aceita ser campo de teste das armas americanas. - Porque não fizeram o mesmo no Japão?

  • Celso Barcellos (06.08.2014 | 08.17)
    Esses 2 dias de agosto deveriam ser chamadios de Dia da Infâmia. Os EUA não precisavam assassinar inocentes como fizeram. Bastava retirar-se do campo de batalha, pois os japoneses já não tinham as mínimas condições de fazer mais nada em termos de guerra. É o mesmo que o Anderson Silva já quebrado no chão continuar dizendo que não se rende. O americano opta por matá-lo, pois não se rende. Não há necessidade, basta retirar-se, pois o mesmo não tem condições sequer de erguer-se sozinho. Mas, a história e a imprensa é feita pelos vencedores a seu critério.

    Réplica:

    Celso. Lamento, mas não é o que diz a história. E não é a história dos norte-americanos ou a dos vencedores. É a história de uma Ásia que odeia os japoneses até hoje por suas atrocidades e mais de 33 milhões de assassinatos naquela região. Austrália, Filipinas, Vietnam, Coreia, China, e por aí vai. Encontre um país que se tivesse a bomba não teria destruído o Japão totalmente. Se achar me avise. Estou perocurando até agora e, para minha tristeza não achei. Pensava exatamente como tú até visitar campos de concentração Japoneses na China e redondesas e ver as atrocidades cometidas pelo Japão Imperial. Me choquei muito mais do que vi na europa nos campos de extermínio nazistas. Nós, os ocidentais, desconhecemos o que se passou por lá. as terríveis atrocidades cometidas contra civis. Só para tua informação, o próprio Japão reconhece formalmente essas atrocidades e pediu perdão por telas cometido. Desculpe, mas essa é a verdade reconhecida pelos próprios vencidos.

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