Últimas notícias

Comentários

RSS
07.08.2014 | Opinião

Hiroshima & Nagasaki II

Ministro das Relações Exteriores do Japão Mamoru Shigemitsu assina a Ata de rendição do Japão no USS Missouri sendo visto por Richard K. Sutherland.

Dando prosseguimento ao que comecei ontem aqui no nosso espaço, vamos a alguns fatos de nossa história que podem nos esclarecer o que ocorria na primeira metade do Século XX.

Em 15 de agosto de 1945, os japoneses ouvem pela primeira vez em suas vidas a voz de seu imperador, que exorta seu exército e seu povo a pôr fim às hostilidades na Segunda Guerra Mundial. Isso permite aos norte-americanos desembarcar nas ilhas japonesas sem encontrar resistência.

Em 28 de agosto de 1945, começou formalmente a ocupação do Japão pelo Comandante Supremo das Forças Aliadas, o General Douglas MacArthur.

A cerimônia oficial de rendição aconteceu no dia 2 de setembro de 1945, quando oficiais do Japão representando o Imperador assinaram a ata de rendição do Japão ao general americano Richard Kerens Sutherland, a bordo do USS Missouri.

De derrotado na Segunda Guerra Mundial à segunda economia do mundo, o Japão deu um salto gigantesco no pós-guerra.

Mas a verdade verdadeira é que o Japão é odiado até hoje por diversos países da região, merecendo um lastimável capítulo na história mundial intitulado “Crimes de Guerra do Japão Imperial”.


Hsuchow, China, 1938. Uma vala comum cheia de corpos de civis chineses, assassinados por soldados japoneses.


Prisioneiros chineses sendo enterrados vivos.


Cabeças decapitadas de vítimas do Massacre de Nanking.


Soldados japoneses atiram em prisioneiros Sikh com os olhos vendados.
A fotografia foi encontrada entre registros japonesas quando as tropas britânicas entraram Singapura.


Um prisioneiro de guerra australiano, o sargento Leonard Siffleet, capturado na Nova Guiné, prestes a ser decapitado por um oficial japonês


Prisioneiros de guerra australianos e holandeses em Tarsau na Tailândia, 1943

O historiador Chalmers Johnson assim escreveu:

“Pode não ter sentido tentar estabelecer qual dos dois agressores do Eixo na Segunda Guerra Mundial, Alemanha ou Japão, foi o mais brutal para as pessoas que vitimou. Os alemães mataram seis milhões de judeus e 20 milhões de russos [isto é, de cidadãos soviéticos]; os japoneses assassinaram algo como 30 milhões de filipinos, malaios, vietnamitas, cambojanos, indonésios e birmaneses e pelo menos 23 milhões de chineses étnicos. Ambas as nações saquearam os países conquistados, numa escala monumental, embora os japoneses tenham pilhado mais, por um período mais longo, do que os nazistas. Ambos escravizaram milhões e os exploraram como trabalhadores forçados — e, no caso dos japoneses, como prostitutas [forçadas] para tropas nas linhas de frente. Se você era um prisioneiro de guerra dos nazistas de origem britânica, norte-americana, australiana, neozelandesa ou canadense (mas não russa) tinha 4% de chance de morrer antes do fim da guerra; [comparativamente,] o índice de mortalidade dos prisioneiros de guerra aliados mantidos pelos japoneses era de quase 30%.”

R. J. Rummel, professor de ciência política na Universidade do Havaí, declara que entre 1937 e 1945, os militares japoneses assassinaram de três milhões a mais de dez milhões de pessoas, sendo o número mais provável em torno de seis milhões de chineses, indonésios, coreanos, filipinos e indochineses, entre outros, incluindo prisioneiros de guerra ocidentais.

De acordo com Rummel, apenas na China, no período 1937-45, aproximadamente 3,9 milhões de chineses foram assassinados, principalmente civis, como resultado direto das operações japonesas e 10,2 milhões em todo curso da guerra.

Sei muito bem que esses fatos históricos que relato são chocantes e, muitos deles, desconhecidos pela grande maioria das pessoas na atualidade.

Não estou defendo o que os norte-americanos fizeram em Hiroshima e Nagasaki, nem poderia fazê-lo, sendo eu um pacifista convicto.

Mas a verdade histórica demonstra que de “santos” os japoneses daquela época estavam bem distantes. O Japão Imperial, a fé cega em um imperador considerado infalível e até um Deus, associado a um militarismo expansionista exacerbado e que considerava os demais povos asiáticos como inferiores, formaram um caldo de ódio contra o Japão.

Certa vez perguntei a um amigo australiano sobre a guerra, o Japão e as bombas atômicas.

Ele me respondeu curto e grosso: “se tivéssemos a bomba atômica, o Japão não existiria mais”.

Palavras fortes mas muito parecidas a de amigos chineses, coreanos e filipinos que tive o privilégio de conhecer em minhas andanças pela Ásia.

A “tática da vitimização”, muito bem conhecida por nós brasileiros, pode servir a alguns propósitos políticos imediatos, mas não dura para todo o sempre. Um dia a cortina cai e a verdade vem à tona.

Para minha tristeza descobri o que revelo aqui em meu site nessa semana, há pouco tempo, muito pouco mesmo. Dois amigos, o Carlos Mello e o Roberto Henry Ebelt, contestaram minhas opiniões antiamericanas sobre as Bombas Atômicas e me deram o rumo da pesquisa.

Pesquisei, achei e me horrorizei com o que descobri.

Mas como disse certa vez o ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln:

“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...”

Amanhã, mais um pouco de história.


Tags: Hiroshima, Nagasaki I, bomba atômica, Segunda Guerra Mundial, Japão






Opinião do internauta

Deixe sua opinião

Datas anteriores:

Comemoramos hoje - 18.10

  • Dia de São Lucas
  • Dia do Anjo Ayel
  • Dia do Estivador
  • Dia do Médico
  • Dia do Pintor
  • Dia do Securitário