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11.08.2014 | Opinião

Não espirre

Não espirre

Lembro-me com saudade de quando era jovem e podíamos sair a qualquer hora do dia sem maiores preocupações. Ir a uma festa, a casa de amigos, a uma, quem sabe “reunião dançante”. Tudo na mais tranquila e santa paz.

Lembro até que, algumas vezes, por falta de ônibus ou taxi, eu e alguns amigos pegávamos uma “carona” com o pessoal da Brigada Militar, que nos largava em casa a bordo de um possante camburão, uma daquelas camionetes veraneio muito utilizadas pela BM.

Na praia, durante as férias, andávamos quase todas as noites passeando de casa em casa, fazendo serenatas e outras brincadeiras, sempre recebidos de portas abertas, numa época em que as cercas e grades não existiam.

Sinto muita falta desses “bons tempos”, não só pela juventude e os amigos, muitos deles que não estão mais entre nós, vítimas de duas frentes de batalha de uma grande guerra que só não enxerga quem não quer ver.

Uma das frentes desta guerra sem tréguas é a violência do trânsito, que a cada ano mata mais de 50 mil brasileiros e deixa mais de 100 mil mutilados.

Por conta da falta de maiores punições por parte do Estado e da tolerância descabida por parte da sociedade, essa guerra sobre rodas continua ceifando a vida de jovens de todas as idades, vítimas inocentes desta “arena” selvagem que se tornaram as ruas e estradas brasileiras.

Já a outra frente de batalha é a violência urbana que está a nossa frente e, a qualquer momento, pode nos atingir.

Nesta guerra somos vítimas totalmente indefesas.

Os bandidos nos tratam de maneira estúpida e violenta e se não tivermos alguns trocados, espirrarmos ou esboçarmos qualquer movimento, levamos “bala”.

Mesmo sem reagirmos, muitas vítimas são assassinadas friamente por estes facínoras, que nada tem a perder.

Os menores de idade sabem que a lei os protege e que “zeram” suas fichas ao completarem a maior idade. Já os que são maiores de idade se escondem por trás da certeza da impunidade e da progressão das penas.

Quem mata em nosso país, se vai preso, cumpre penas mínimas.

Já perdi muitos amigos e parentes nessa guerra absurda e que não parece ter fim.

Nós, vítimas desta insegurança generalizada, parece que não temos ninguém que se preocupe efetivamente com o que estamos passando.

Por outro, lado os bandidos e assassinos, possuem muitos defensores que se usam de pura demagogia para se promoverem em nome da defesa dos “direitos humanos”.

Para nós, reles cidadãos e eleitores, parece que só resta o “direito ao medo”.

P.S.: Daqui a pouco até esse direito eLLes nos tiram.

P.S. do P.S.: E não esqueça: se for assaltado, não reaja, não espirre e reze para não ser executado a sangue frio.


Tags: Violência, presídio, presos, pena de morte, prisão perpétua, assassinato, leite






Opinião do internauta

  • Rudy Lang (11.08.2014 | 10.37)
    Existe uma data em que o Brasil deixou de ser um país "simplesmente não sério" para se tornar um inferno de segundo mundo e primeira classe: o ano em que foi promulgada a atual constituição que transformou facínoras em cidadãos. Nossos agradecimentos, Ulisses |Guimarães.

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