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06.11.2014 | Opinião

Lembranças

Lembranças

Volta e meia, minha mãe, a Mafalda Orlandini, que por um acaso é colunista nesse site (e não me falem de nepotismo) escreve suas colunas contando fatos e acontecimentos que vivenciou. Fala de suas experiências, seus amigos, amigas, trabalho, e tudo o mais que uma mulher com oitenta e quatro anos e que continua extremamente lúcida, vivenciou.

Mas vamos lá...

A “mamacita”, como eu e meu irmão Oscar a chamamos, escreveu certa vez “A Dor das Perdas”, onde fala das perdas que temos em relação a parentes e amigos que partiram.

Essa coluna em especial, me tocou profundamente ao abordar este assunto que muitas vezes fugimos de comentar e lembrar.

Com este “cutucão”, comecei a lembrar de nossos familiares e amigos que partiram.

Mas ao invés de ficar triste, comecei a ficar feliz ao lembrar os momentos felizes que passei com cada um destes entes queridos que nos deixaram aqui na terra, mas nos marcaram para todo o sempre.

Na minha mente começou a passar um filme de cada um que eu lembrava me trazendo só os momentos felizes.

Lembro-me de meu pai, o Ney, que adorava fazer trabalhos manuais como eu.  Lembrei das aprontadas que seus amigos davam nele e de uma vez que roubaram nossas galinhas lá no Imbé e depois nos convidaram para um galeto, naturalmente patrocinado pelo velho Ney.

Meu pai ficou uma fera na hora, mas depois morria de rir da “aprontada” que seus amigos fizeram e o risco que correram ao perpetrarem o “furto” das penosas.

Naquele tempo a gente tinha que levar quase tudo para a praia e, entre outras coisas, comprávamos galinhas em Santo Antônio da Patrulha, no caminho da praia, e tínhamos um galinheiro nos fundos do terreno, atrás de uma grande garagem. Elas nos abasteciam por todo o verão. Ovos, e muito, mas muito galeto.

O Ronald, o Ildo e o Salvaterra (grandes amigos de meu pai) riram muito com esta peça que pregaram.

Lembro também, como já falei outro vez, do meu padrinho, o Lourenço Orlandini, o Lolô. Grande figura, um segundo pai depois que o velho Ney partiu.

E o Schifa, o Tio Schifino, também chamado de Vô Lêdo, um italiano da gema casado com minha Tia Leda, irmã de minha mãe. Este era uma figura ímpar, grande tio e pai exemplar. Lembro de vários momentos felizes que passei com ele e os meus primos.

O Schifa teve uma missão difícil. Ele foi encarregado de me contar que meu pai, o Ney, havia falecido.

Eu estava em nossa fazenda no Lami, na zona sul de Porto Alegre. Ele foi me buscar e disse que deveria voltar para casa com ele, e começou: Ricardo, teu pai está doente. Passados alguns minutos: Teu pai está muito doente. Mais alguns minutos ele disse: teu pai está muito, mas muito mal. Por fim, quase chegando em casa ali na Rua Dario Pederneiras em Petrópolis ele disse: Teu pai morreu.

Na hora fiquei chocado e muito triste com a notícia, e chorei muito. Mas fiquei mais triste com a dor do Tio Schifino de ter sido o “encarregado” de dar aquela notícia a um menino de apenas dez anos de idade.

Da mesma forma que o Tio Lourenço me ensinou a fazer “aquele” lombinho com alho, o Schifino me ensinou a fazer churrasco, uma de suas especialidades.

Certa vez lá em Cidreira, enquanto ele preparava uma bela costela para assar no espeto, perguntei por que ele tirava certas partes daquela peça de carne, e ele respondeu: o que não se come, não precisamos assar, a gente tira fora. Nunca esqueci e até hoje faço costela do mesmo jeito que o Tio Schifino.

E o Tio Benito então. Outro irmão de minha mãe. Era uma figura. Adorava pescar, caçar, contar piadas e fazer o melhor galeto que já comi até hoje.

O Benito tinha um tempero secreto que ele passava no galeto enquanto assava usando um chumaço de tempero verde.

Certa vez achei que era este o segredo, mas não era. Um dia talvez eu consiga chegar perto do sabor do galeto do Benito, mas mesmo não conseguindo até hoje, nesse momento que escrevo sobre meu tio, sinto aquele sabor na minha boca. Algo inesquecível.

Nós humanos, somos seres que nascem, vivem e morrem, e, como dizia meu velho avo, o José Guido Orlandini, a única certeza que temos na vida, é que vamos morrer algum dia. É a lei da vida.

Hoje, o que me importa é lembrar só dos momentos felizes que tive com quem já partiu, e curtir ao máximo os momentos felizes que ainda vou ter com aqueles que amo e ainda estão entre nós.

Ame, se emocione, chore, curta a vida e cada momento com intensidade.

Lembre-se das coisas boas de seus amigos e parentes que já partiram.

Cada um de nós responde a estas lembranças de uma forma particular. Em mim, dessas emoções brotam lágrimas de felicidade, lembranças daqueles que amo.

Curtam a vida da melhor maneira possível, sempre respeitando a individualidade e as opiniões daqueles que nos são caros e que amamos.

Durante a jornada da vida, alguns percalços acontecem, algumas rusgas, alguns desentendimentos.

Isso não é o importante. O importante são as coisas boas.

Assim, perdoe, pois perdoando vivemos melhor, em paz e harmonia com a vida.

Já diz outro velho ditado: “O perdão é uma das chaves para a felicidade”.

Um beijo no coração de todos vocês.


Tags: lembranças, recordações, Sob o sol da Toscana, amor, paixão, amigos, parentes






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