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23.04.2015 | Opinião

Patrulhas ideológicas

Patrulhas ideológicas

Estamos em pleno século XXI e algumas práticas nefastas do passado continuam vivas entre nós.

Em agosto de 1978, o filme Chuvas de Verão, de Cacá Diegues, foi recebido com frieza pela crítica especializada de então. Seu filme anterior, “Xica da Silva”, já rendera fortes críticas ao cineasta.

O cineasta então concedeu uma longa entrevista à jornalista Póla Vartuck, publicada no jornal “O Estado de S. Paulo”, sob o título "Cacá Diegues: por um cinema popular, sem ideologias", onde o cineasta denunciou as "patrulhas ideológicas" que vigoravam no país.

Estas tais “patrulhas”, segundo Cacá, seriam integradas por jornalistas ligados ao então na clandestinidade, Partido Comunista Brasileiro. O objetivo era o de denegrir produções culturais não alinhadas a um certo “cânon” considerado politicamente correto por esses grupos formadores de opinião.

Estas declarações causaram enorme polêmica, gerando uma grande mobilização nos meios intelectuais brasileiros da época e acabou por render o livro “Patrulhas Ideológicas”, de Carlos Alberto M. Pereira e Heloísa Buarque de Hollanda (Ed. Brasiliense, 1980).

No livro há uma nova entrevista de Cacá Diegues, onde ele define melhor o modus operandi das patrulhas: "O que existe é um sistema de pressão, abstrato, um sistema de cobrança. É uma tentativa de codificar toda manifestação cultural brasileira. Tudo o que escapa a esta codificação será necessariamente patrulhado".

Pois é...

Eu cheguei a pensar, ou quem sabe sonhar, que este tipo de PATRULHA ou CENSURA ao pensamento era coisa do passado, mas não é.

Cada vez que toco em algum tema “delicado”, politicamente falando, de alguma maneira sofro alguma represaria. Posso lembrar algum fato da história ou comentar algum evento atual em que eu não esteja alinhado com essa ainda existente “esquerda festiva e radical”, que imediatamente me transformo num pária direitista e reacionário.

Logo eu... direitista reacionário!

Recomendo aos jovens de todas as idades, que leiam um pouco mais e se informem sobre como se comporta a esquerda, e o comunismo em especial, com relação a seus opositores. Por certo não é da mesma maneira que os aceitamos por aqui no PATROPI, onde podem se manifestar sem risco de serem enviados para a Sibéria (não a turismo) ou acabarem num campo de reeducação ou até mesmo no “paredón”.

Sou, sempre fui e sempre serei contra qualquer tipo de ditadura. Com todos os defeitos que possa ter, ainda sou um democrata convicto.

Fica muito difícil entender esses “democratas de ocasião” daqui defenderem ditaduras sanguinárias do passado e do presente.

Seria porque essas ditaduras são de esquerda?

Há, entendi!

Se é de esquerda pode... (rsrsrs)


Tags: esquerda, comunismo, patrulhas ideológicas, ditadura






Opinião do internauta

  • jose sergio (23.04.2015 | 11.19)
    Leio com frequencia teus editoriais. Achei pitoresco/incongruente você se autodenominar "não de direita". As patrulhas ideológicas da direita são muito mais eficientes, tem pleno predomínio sobre a massividade da nossa mídia (não é o teu caso) e, portanto, vivemos ainda sob o manto dos detentores desse status quos. Olha a grita que fizeram com o sistema de cotas nas Instituições Federais de Ensino (cural que era unicamente deles, nos cursos das exatas), as bolsas "misérias" como apelidaram, que na sua pujancia conseguiram distribuir um pouco de renda nesse país. Negar que existe monopólio de midia no Brasil é uma atitude ingênua e/ou fruto da inconsciência coletiva, decorrente da eficiência ideológica de tal situação, a qual impingiu a este país cultura e comportamento acordados para manutenção do status da classe dominante. O Brasil é o único país no mundo que admite monopólio na sua mídia. Temos monopólio nesse meio, pois uma única organização detem mais de 80% desse mercado. Dita costumes, padrões de comportamento e, inclusive, faz patrulhas ideológicas com muita destreza e eficiência. Comparar esse poderio da mídia dominante com opinião do Zé Mané, do Manuelzinho e Pedrinho e o João do Boteco, que ao se manifestarem, causam pavor, aflição/insegurança e podem se tornar perigosos, e portanto, logo são tachados de COMUNISTAS em POTENCIAL. E o CADE, porque permite uma organização ter tantas mídias ao seu comando??? O Monopólio de informação é muito mais nefasto para uma sociedade, pois jamais permitirão mudanças que afrontem seu status conquistado. O CADE, afinal esse orgão atua contra formação de cartéis, monopólios/oligopólios (é proibido monopólio, a não ser o ESTATAL). O Brasil é o único país no mundo onde ainda se permite a concentração de mídias nas mãos um um grupo homogêneo. Cercear a concentração de midias nas mãos de um grupo poderoso economicamente é tentativa de GOLPE DE ESTADO. Percebestes a reprenda que dão quando o assunto vem a tona. OLHA, ESTÃO TENTANDO cercear a mídia, calar a boca dos reporteres. Comunistas !!!! A pluralidade de mercado é essencial para qualquer comunidade. Porque nos meios de comunicação permitem esse monopólio sem limite ??? Como podemos afirmar que nossas opiniões vem de nós mesmos??? Monopólio de mídia impõe padrão, idéias, conceitos e paradigmas inconsciêntes que vão contra a liberdade de idéias/pensamentos e posições ideológicas pluralistas. Pluralidade é fundamental. Como eles replicam, na menor contrariedade ao sistema, o MEDO AO COMUNISMO. Os comunistas no Brasil são uma minoria da minoria. Tem direito de serem COMUNISTAS, assim como eu de ser socialista, ou não?. Replicar o medo ao comunismo é o ICONE DA INCONSCIÊNCIA DA DOUTRINA DA DIREITA.

  • Luiz Alberto Rossi (23.04.2015 | 10.28)
    APLAUSOS!

  • JESUS SANCHOTENE TRINDADE (23.04.2015 | 09.49)
    Gostaria análise e coentários sobre o livro "O Nobre Deputado - Relato chocante (e verdadeiro) de como nasce, cresce e se perpetua um corrupto na política brasileira", do Juiz de Direito maranhense MARLON REIS, da editora LeYa, de SP.

    Réplica:

    OK. Vou tentar conseguir o livro. Abraço.

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