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06.05.2015 | Aviação

Zeppelin

O Hindenburg explode no momento em que se preparava para pousar em Lakehurst nos Estados Unidos.

Existem muitas coisas que me fascinam profundamente. Por certo, tecnologia está nos primeiros lugares ao lado de fatos históricos que nos ensinam e mudam nossas vidas. Esse é o caso que quero comentar no dia de hoje.

Fazia poucos anos que Hugo Eckener, diretor da Luftschiffbau-Zeppelin GmbH, na Alemanha, obtivera das potências vitoriosas na Primeira Guerra Mundial a permissão para construir os gigantescos balões sustentados a gás hidrogênio.

O Tratado de Versalhes proibira a sua construção, porque os dirigíveis, desenvolvidos pelo conde Ferdinand von Zeppelin, haviam sido utilizados para lançar bombas sobre a Inglaterra durante o conflito. Aliás, o tratado submetia a Alemanha a uma série de restrições na sua indústria como também na formação de exércitos, coisa que o Chanceler do Reich que iria durar 1000 anos, Adolf Hitler, conseguiu driblar com maestria mergulhando o mundo na Segunda Guerra Mundial.

Mas voltemos à história dos dirigíveis do conde Zeppelin...

Em 1928 teve início a era das viagens de passageiros a bordo dos gigantescos dirigíveis que ficaram conhecidos como zepelins.

O começo até foi difícil, mas Eckener não perdeu a confiança de que os dirigíveis se transformariam num meio de transporte revolucionário, ideal para correspondências expressas e passageiros apressados em viagens transatlânticas.

Mas viajar num dirigível era para poucos clientes abastados que se deixaram seduzir pelos luxuosíssimos e silenciosos “navios voadores”. A imprensa contribuía para o mito, com suas reportagens sobre o luxo que reinava a bordo das aeronaves, onde caviar e champanhe era servido pelas primeiras aeromoças da história da aviação.

Para se ter uma ideia, uma passagem da Alemanha para o Rio de Janeiro custava algo como R.M. 1400 Reichsmark, numa época em que um simples operário ganhava na Alemanha em média R.M. 120 por mês. A passagem custava uma verdadeira fortuna, mas valia a pena para esses privilegiados, pois a viagem era extremamente rápida, levando três dias e meio, contra os dez que os navios gastavam na época para atravessar o Atlântico.

As viagens de longo percurso se tornaram um êxito, e os “gigantes dos céus” estavam constantemente lotados. A alta sociedade mundial viajava não apenas para o Rio de Janeiro, no Brasil, como também para Luxor, no Egito, ou a Rússia, outro destino muito apreciado.

O LZ 127 Graf Zeppelin, no período que viajou ao Brasil, sobrevoou vários estados e cidades. Certa vez, quando se dirigia a Buenos Aires, na Argentina, o dirigível sobrevoou São Leopoldo e Porto Alegre no dia 29 de junho de 1934.


No dia 29 de junho de 1934, o Graff Zeppelin sobrevoou a cidade de São Leopoldo.


No mesmo dia 29 de junho de 1934, o Graff Zeppelin também sobrevoou Porto Alegre.

Mas outro famoso e talvez o mais lembrado dirigível foi o LZ 129 Hindenburg, ou simplesmente Hindenburg.

O Hindenburg voou pela primeira vez em 4 de março de 1936 em um voo teste em Friedrichshafen com 87 pessoas a bordo. A pintura inicial continha os anéis olímpicos numa forma de promover os Jogos Olímpicos de 1936, fazendo um voo de demonstração durante a cerimônia de abertura.

O primeiro voo comercial se deu em 31 de março de 1936 em uma viagem de 4 dias de Friedrichshafen para o Rio de Janeiro. Um dos quatro motores quebrou e o dirigível teve de fazer um pouso não programado em Recife. Na viagem de volta, outro motor quebrou no deserto do Saara forçando aterrisagens não programadas no Marrocos e na França.


O majestoso dirígivel LZ-129 Hindenburg entrando no hangar de Santa Cruz no Rio de Janeiro.

O Hindenburg, até os dias atuais, é a maior aeronave a voar, sendo um ícone da indústria alemã amplamente empregado na propaganda nazista.

No total, o Hindenburg cruzou 17 vezes o oceano Atlântico, sendo 10 viagens para os Estados Unidos e 7 para o Brasil. Uma viagem da Alemanha para os Estados Unidos custava a “bagatela” de US$ 400, uma verdadeira fortuna à época.

Em sua última viagem saiu de Hamburgo e cruzou o Atlântico a 110 km/h, chegando à costa leste norte-americana em 6 de maio de 1937.

Nesse dia ao preparar-se para aportar no campo de pouso da base naval de Lakehurst (Lakehurst Naval Air Station), em Nova Jersey, nos Estados Unidos, às 19 horas e 30 minutos, um incêndio tomou conta da aeronave. A bordo estavam 97 ocupantes, sendo 36 passageiros e 61 tripulantes. O desastre teve um saldo de 13 passageiros e 22 tripulantes mortos e um técnico em solo, um total de 36 pessoas.

Até hoje esse incêndio gera controvérsias, se teria sido sabotagem ou o rompimento de um dos tanques de hidrogênio associado a uma faísca que dera a início à ignição.

O fato é que o incêndio do Hindenburg encerrou a era dos dirigíveis na aviação comercial de passageiros e acelerou o desenvolvimento de aviões maiores e mais seguros, dando início a uma nova era onde mais de 3,5 bilhões de passageiros são transportados todos os anos. No Brasil esse número chega a algo como 120 milhões de passageiros por ano.

O que nos reserva o futuro do transporte de passageiros?


Tags: Voo, dirigível, Zeppelin, Hindenburg, nazismo, aviação






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