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22.07.2015 | Opinião

Dez anos depois...

O terrorista Hussain Osman e Jean Charles (nenhuma semelhança)

Em 7 de julho de 2005, quatro atentados em apenas 58 minutos no horário de maior movimento, na hora do rush, atingiam a capital do Reino Unido.

Os atentados ao metrô de Londres atingiram três estações de metrô e uma de ônibus, deixando 52 mortos e mais de 700 feridos em Londres, capital britânica. Além das vítimas, os quatro terroristas que perpetraram os atentados morreram na ação terrorista.

Esse foi o pior ato de terrorismo ocorrido no Reino Unido desde o Atentado de Lockerbie, em 1988, quando 270 pessoas morreram.

Passadas duas semanas, no dia 21 de julho de 2005, outros quatro atentados terroristas ocorrem. O alvo foi o mesmo sistema de transporte público em Londres. As quatro bombas falham na detonação, mas o clima na capital britânica ficava tenso, muito tenso.

No dia seguinte, 22 de julho de 2005, há exatos nove anos, o brasileiro Jean Charles de Menezes era executado “por engano” pela polícia londrina.

Uma polícia de primeiro mundo, muito bem remunerada, mas que também erra.

O imigrante brasileiro foi confundido com um homem-bomba e morto no metrô de Londres com oito tiros à queima-roupa por forças especiais da polícia britânica.

Os policiais britânicos “supostamente” o confundiram com Hamdi Adus Isaac (ou "Hussain Osman") suspeito de tentar fazer o fracassado atentado à bomba ao metrô londrino no dia anterior. Em 09 de julho de 2007 o terrorista Hussain Osman foi considerado culpado por conspiração para assassinato e condenado a um mínimo de 40 anos de prisão.

A tensa situação vivida pela polícia britânica naqueles dias, não é muito diferente da tensão vivida diuturnamente pelos nossos policiais nas ruas das grandes cidades brasileiras. Mas o que difere nossos policiais dos britânicos?

Em Londres, naquela época, eles viviam um momentâneo clima de guerra.

Nós vivemos uma guerra constante não declarada que mata diariamente vítimas inocentes deste conflito, o chamado “dano colateral”.

O infeliz incidente que vitimou o brasileiro Jean lá na Inglaterra, atinge quase que diariamente, diversos “Jeans” aqui no Brasil. Vítimas indefesas contra o despreparo de policiais que travam uma batalha, não numa frente de combate de uma guerra, mas nas ruas e junto aos lares de uma população indefesa. Muitos destes policiais vivem com suas famílias próximo ou nessas comunidades onde essa guerra acontece.

O mais triste é que muitos policiais se envolveram com a maior chaga do Brasil, a CORRUPÇÃO. Passaram a fazer parte do problema e não da solução da segurança pública. Policiais corruptos associados à milícias de todos os tipos, tomaram conta de comunidades onde o Estado se faz ausente, ou por medo ou pela simples incompetência dos gestores públicos, também envolvidos em corrupção.

Sempre vale lembrar que existem grandes diferenças: Em uma guerra, o objetivo é matar o inimigo, as baixas são “até” aceitáveis. Numa ação policial o objetivo é capturar e não matar os criminosos, muito menos atingir inocentes.

Ao Estado cabe prover os recursos necessários para que nossas polícias defendam o cidadão, e não o contrário.

Quanto ao Jean Charles...

Em 1° de novembro de 2007, a Scotland Yard foi condenada pela Justiça britânica a pagar multa de 175 mil libras mais as custas do processo, 385 mil libras, por burlar as normas de segurança na operação que matou Jean Charles.

Embora sem individualizar os responsáveis, a decisão estabeleceu a responsabilidade da Polícia Metropolitana no caso.

Em novembro de 2009, a família de Jean Charles ganhou uma indenização de 100 mil libras, considerada muito baixa, quando comparada a valor de 800 mil libras, indenização concedida na mesma época pela justiça britânica, em um caso de assédio moral no ambiente de trabalho, ou aos 4 milhões de libras pleiteados por uma vítima de assédio sexual, também na mesma época. Uma jornalista de The Guardian questionou se a vida de Jean Charles poderia valer menos por ele ser pobre.

Em 7 de janeiro de 2010, data do 32º aniversário de nascimento de Jean Charles, um memorial dedicado a ele foi inaugurado na estação do metrô de Stockwell. O memorial, criado por dois artistas locais, foi instalado na entrada da estação onde já havia um altar improvisado com flores, velas, fotografias, mensagens e recortes de notícias sobre o caso.


Memorial de Jean de Charles de Menezes, na entrada da estação de Stockwell

O fato é que dez anos depois desse trágico episódio, nós quase o esquecemos. Nossa memória é muito curta. Parece que nada aconteceu ou foi obra de ficção.

O despreparo de policiais associado ao preconceito em relação aos estrangeiros vitimou Jean Charles e vitima tantos outros “Jeans” em todo o mundo, inclusive aqui no Brasil, onde, como já falei, políciais corruptos e/ou despreparados, "fuzilam" jovems e adolescentes pelo simples fato de "correrem" da polícia.

Assim é o Brasil.

Até quando?


Tags: Jean Charles, assassinato, Scotland Yard, terrorismo






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