Últimas notícias

Comentários

RSS
10.02.2016 | Opinião

O Homem versus a máquina

GAry Kasparov, considerado o maior enxadrista de todos os tempos, e o supercomputador Deep Blue da IBM

Até meados de 1965 não havia nenhuma previsão real sobre o futuro da capacidade obtida pela velocidade de processamento de dados com microprocessadores em circuitos integrados.

Nessa época o então presidente da Intel, Gordon E. Moore, fez uma “profecia”, especulando que que o número de transistores dos chips teria um aumento de 100%, pelo mesmo custo, a cada período de 18 meses.

Essa afirmação tornou-se realidade e acabou ganhando o nome de Lei de Moore.

Mais recentemente o inventor e futurista norte-americano Ray Kurzweil, diz acreditar que em torno de 2045, chegaremos ao que o escritor de ficção científica Vernor Vinge chamou de “singularidade”, o ponto onde computadores ficarão mais inteligentes do que nós, seres humanos. A ideia é que máquinas inteligentes — a inteligência artificial (IA) — não só vai se tornar realidade, mas vai nos superar.

Kurzweil extrapolou a Lei de Moore dos “antigos” transistores para os atuais processadores digitais, e chegou à conclusão de que a regra ainda é válida.

Sendo assim, se os computadores continuarem a avançar no ritmo de hoje, em torno de 2018-2020 atingirão o marco extraordinário de um milhão de trilhão de operações por segundo, ou “exaflop”, essencialmente o equivalente às estimativas da capacidade de processamento do cérebro humano.

Deixemos o futuro acontecer e vamos analisar alguns fatos que envolvem essa “luta” entre Homem X Máquina.

No outono de 1769, na corte de Maria Teresa, em Viena, um extraordinário acontecimento impressionou a soberana do Império Habsburgo que, dizem os historiadores, a deixou de peruca em pé. O barão Wolfgang von Kempelen, homem de sua confiança, apresentou a toda a corte uma máquina capaz de jogar xadrez em embates com humanos.

De 1770 a 1825 este famoso jogador de xadrez, que ficou conhecido como “O Turco” (The Turk), fascinou e encantou plateias por toda a Europa, em seguida alastrando-se pela América do Norte, tornando-se um verdadeiro fenômeno.

Figuras históricas como Napoleão Bonaparte e Benjamin Franklin arregalaram os olhos para a máquina.

Napoleão Bonaparte em pessoa jogou contra “O Turco” em 1809. O imperador francês perdeu e não gostou, pois não estava acostumado com a derrota. Napoleão não conseguiu entender como uma máquina de jogar xadrez pudesse vencê-lo.

De tão intrigado pela máquina, o escritor americano Edgar Allan Poe escreveu um ensaio em que tentava elucidar aquela farsa vinda da Europa.

Sim, o Turco foi uma farsa, mas tornou-se o blefe mais influente de toda a história da ciência e permanece inexplicavelmente envolto em espesso mistério há mais de 200 anos. O grande enigma é de como von Kempelen, que jamais se dispôs a explicar os mecanismos de sua engenhoca, conseguiu ludibriar tanta gente durante tanto tempo.

Vindo para o século XX, surge o “Deep Blue” (em português, azul profundo) um supercomputador e software criados pela IBM especialmente para jogar xadrez. A máquina tinha 256 coprocessadores capazes de fazer aproximadamente 200 milhões de operações por segundo.

O campeão do mundo de xadrez, Garry Kasparov, natural do Azerbaijão, considerado o melhor jogador de todos os tempos, ganhou três partidas, empatou duas e perdeu uma contra Deep Blue, obtendo a pontuação final de 4 a 2 (o empate dá 0,5 ponto para cada um dos lados).

A única derrota de Kasparov nesse match foi justamente na primeira partida, realizada em 10 de fevereiro de 1996, a qual passou a ser o primeiro jogo de xadrez em que um computador venceu um campeão do mundo num match com regras de tempo oficiais. Mesmo recuperando-se nos jogos seguintes, ao final do match, Kasparov declarou que era o último humano campeão de xadrez, talvez prevendo o que aconteceria no ano seguinte.

Esta primeira série de jogos terminou em 17 de fevereiro de 1996.

No ano seguinte, em 11 de maio de 1997, após uma grande atualização em seu sistema, o Deep Blue venceu Kasparov em um novo confronto de 6 partidas, com 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota (pontuação final: 3,5 a 2,5), tornando-se o primeiro computador a vencer um campeão mundial de xadrez num match com regras de tempo oficiais.

A derrota de Kasparov no segundo match é uma das maiores polêmicas do mundo do xadrez até hoje. Na época o grande mestre acusou a IBM de ter trapaceado afirmando que jogadores humanos intervieram durante a segunda partida.

A IBM se defendeu dizendo que os ajustes no programa e intervenções ocorriam somente entre uma partida e outra. Kasparov então pediu os arquivos (printouts e log files), porém a IBM se recusou a fornecê-los.

Na base de dados do computador havia mais de 700 mil partidas de Mestres e Grandes Mestres, porém quando Kasparov pediu à IBM algumas partidas jogadas pelo Deep Blue para que entendesse melhor seu oponente, o pedido foi negado.

Kasparov pediu ainda um novo match, porém a IBM não teve interesse e aposentou o computador.

Há um documentário de 2003 (Game Over: Kasparov and the Machine) que conclui que esta vitória foi armada para elevar o valor das ações da companhia.


Tags: Deep Blue, xadrez, Garry Kasparov, IBM






Opinião do internauta

  • Luciano Suminski (10.02.2016 | 14.56)
    Ano passado assisti um seminário do Dr Charles Melvin Ess, da Universidade de Oslo, estudioso da IA, que confirma o que todos já vimos nos filmes de ficção científica, a Inteligência Artificial ainda está restrita ao algoritmo, faz aquilo que está programada a fazer. Não há até o momento nenhum indício científico de que a IA conseguirá um dia superar a capacidade intuitiva do homem em tomar decisões, agir com base nas emoções, que levam em conta o prazer, a paixão, os medos e, principalmente, as experiências vividas. Vale a reflexão, mas na minha opinião sempre haverá um limite intransponível.

Deixe sua opinião

Datas anteriores:

Comemoramos hoje - 19.12

  • Dia das Apaes
  • Dia de Santo Urbano V
  • Dia do Atleta Profissional