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24.02.2016 | Opinião

Não respire

Insegurança

Lembro-me com muita saudade de quando era jovem e podíamos sair a qualquer hora do dia sem maiores preocupações. Ir a uma festa, a casa de amigos, a uma, quem sabe “reunião dançante”. Tudo na mais tranquila e santa paz.

Algumas vezes, por falta de ônibus ou táxi nas madrugadas portoalegrenses, eu e alguns amigos pegávamos uma “carona” com o pessoal da Brigada Militar, que nos largava em casa a bordo de um possante camburão, uma daquelas camionetes veraneio muito utilizadas pela BM naquela época.

Na praia, durante as férias, andávamos quase todas as noites passeando de casa em casa, fazendo serenatas e outras brincadeiras, sempre recebidos de portas abertas, numa época em que as cercas e grades não pouco existiam.

Sinto muita falta desses “bons tempos”, não só pela juventude e os amigos, muitos deles que não estão mais entre nós, vítimas de duas frentes de batalha de uma grande guerra que só não enxerga quem não quer ver.

Uma das frentes desta guerra sem tréguas é a violência do trânsito, que a cada ano mata mais de 50 mil brasileiros e deixa mais de 100 mil mutilados.

Por conta da falta de maiores punições por parte do Estado e da tolerância descabida por parte da sociedade, essa guerra sobre rodas continua ceifando a vida de jovens de todas as idades, vítimas inocentes desta “arena” selvagem que se tornaram as ruas e estradas brasileiras.

Já a outra frente de batalha é a violência urbana que está a nossa frente e, a qualquer momento, pode nos atingir.

Nessa “frente de batalha” somos vítimas totalmente indefesas.

Os bandidos nos tratam de maneira estúpida e violenta e se não tivermos alguns trocados, espirrarmos ou esboçarmos qualquer movimento, levamos “bala”.

Mesmo sem reagirmos, muitas vítimas são assassinadas friamente por estes facínoras, que nada tem a perder.

Os menores de idade sabem que a lei os protege e que “zeram” suas fichas ao completarem a maioridade. Já os que são maiores de idade se escondem por trás da certeza da impunidade e da progressão das penas.

Quem mata em nosso país, se vai preso, cumpre penas mínimas e logo-logo já está matando novamente.

Já perdi muitos amigos e parentes nessa guerra absurda e que não parece ter fim.

Nós, vítimas dessa insegurança generalizada, parece que não temos ninguém que se preocupe efetivamente com o que estamos passando.

Por outro lado os bandidos e assassinos, possuem muitos defensores que se usam de pura demagogia para se promoverem em nome da defesa dos “direitos humanos”.

Aqui no Rio Grande do Sul, estou completamente estupefato. Não consigo acreditar que um governo recém eleito não tenha tido até agora a mínima preocupação com o quesito “segurança”.

Passados pouco pais de um ano, o governo de José Ivo Sartori não demonstra a mínima preocupação com a segurança pública de nosso Estado.

Estou exagerando? Não, não estou.

Foi apresentado algum plano nesse sentido?

José Ivo parece só preocupado com as finanças, com dinheiro, em arrecadar mais, pagar a folha do funcionalismo e nada além disso.

QUANTO VALE CADA CIDADÃO GAÚCHO QUE É ASSASSINADO?

Parece que nosso governador não leva isso em conta.

Não consigo acreditar que um governo não priorize a vida acima de tudo.

Aumentar os impostos e não oferecer nada de volta à sociedade, além da mais pura incompetência, é suicídio político.

O PMDB e seus aliados no governo irão certamente pagar parte da conta nas próximas eleições.

É óbvio que essa eventual conta eleitoral não vai ressuscitar nenhum cidadão (e eleitor) gaúcho assassinado.

Para nós, reles cidadãos e “eleitores”, parece que só resta o “direito ao medo”.

A cada dia piora e nossas autoridades não estão nem aí.

Quero deixar claro que a culpa de tudo isso não é da Polícia Civil nem tampouco da Brigada Militar.

Esses servidores públicos de nosso Estado também são vítimas.

Quem tem o dever e a obrigação legal de resolver essa questão é nosso governador José Ivo Sartori, mais ninguém.

Estou enganado?

P.S.: Não esqueçam: se for assaltado, não reaja, não espirre (ou respire) e reze para não ser executado a sangue frio.


Tags: segurança, petralhas, insegurança, Anistia Internacional, violência, Sartori, PMDB, incompetência, PT






Opinião do internauta

  • roberto aguiar (24.02.2016 | 09.16)
    Não fui assaltado, graças a Deus, imagino que o assalto a mão armada seja um experiência traumática com grandes, consequencias, tive um tripé roubado em plena luz do dia do meu carro, não se intimidaram nem com o movimento em plena Av. Padre cacique, roubaram e se refugiaram no parque marinha do brasil, lamentável.

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