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03.06.2016 | Opinião

Massacre na Praça da Paz em Pequim

Foto do rapaz que ficou conhecido como

Aqueles amigos e amigas que me acompanham em meus comentários sabem que gosto muito de história e sempre procuro fazer um link entre o presente e o passado.

Este é o caso de hoje em que mais uma vez relembro um fato que muitos acompanharam ao vivo pela televisão.

Era mais uma noite quente de verão quando os tanques cercaram a Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim, capital da República Popular da China. É a terceira maior praça pública do mundo, sendo superada apenas pela Praça Merdeka, localizada em Jacarta, na Indonésia, e pela Praça dos Girassóis, localizada em Palmas, no Brasil.


Praça Tian'anmen, onde ocorreram os principais protestos.

O mundo acompanhava com grande expectativa o que acontecia, pois parecia que ventos de liberdade chegavam a este país que vivia e ainda vive sob forte repressão desde antes da “Era Mao”.

Corrupção, muita corrupção dentro do Partido Comunista Chinês aliada a morte, em 15 de abril de 1989, do líder reformista Hu Yaobang de um ataque cardíaco em Pequim, foi o estopim para que milhares de chineses ocupassem as ruas de todo o país, atacando os conservadores. Este tipo de protesto não tinha precedentes na China.

Não posso esquecer, pois naquele momento já começávamos a assistir muita coisa ao vivo pela televisão, em especial pela rede norte-americana CNN. Era algo, para nós brasileiros, eventualmente distante, mas para aqueles que viveram o regime militar aqui no Brasil, significava muito.

De meados de abril até 4 de junho de 1989, acompanhávamos o desenrolar de um “sonho de liberdade”, algo inimaginável até então que culminou com o Massacre da Praça da Paz Celestial.

O que mais me dói naqueles mortos (estimados entre 3,5 e 5 mil estudantes), foi a nossa impotência de fazer algo para ajudar. Assistíamos desolados pela televisão, ao-vivo, um massacre sem precedentes.

Os soldados chineses estacionados em Pequim, negaram-se a agir contra os protestos, contra os estudantes que sonharam por alguns dias com democracia. Foram chamados soldados que serviram em outras frentes, sem laços com a população de Pequim e estes sim, agiram sem escrúpulos atirando contra a população desarmada.

Lembro até hoje daquela coluna de tanques que foi “barrada” por um solitário estudante...


Foto do rapaz que ficou conhecido como "o rebelde desconhecido" de Jeff Widener, da Associated Press

Na noite de 4 para 5 de junho, foi dada a ordem. Os soldados avançaram sem piedade sobre os milhares de estudantes. O movimento pela democracia na China foi esmagado “a ferro e a fogo”.

O governo chinês nega até hoje a existência do massacre, mas as mortes e as imagens dos tanques nas ruas de Pequim ainda são lembradas em todo o mundo.

Todos os anos as autoridades chinesas aumentam as medidas de segurança em torno do aniversário do massacre, mas neste ano de 2014 em especial, as ações estão sendo ainda mais duras.

Ativistas que só recebiam um alerta foram presos. A polícia também anunciou jornalistas estrangeiros que cobrirem assuntos delicados sobre a data sofrerão sérias consequências.

Sites como o Google, YouTube e Twitter, são bloqueados usando um sistema chamado de "Great Firewall", um bloqueio reforçado com a proximidade de datas consideradas sensíveis.

Em honra aos que tiveram coragem de “sonhar”, não podemos esquecer jamais o que aconteceu naquela noite de junho de 1989.


Tags: massacre, Pequim, Praça da Paz Celestial, China, repressão, censura, Tiananmen






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